Egito tenta evitar conflito civil após deposição de islamita Morsi

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel | - Atualizada às

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Questão perante governo que sucede a líder deposto é se conseguirá impedir choques entre os que disputam poder

Quando a multidão de milhões de egípcios protestava nas ruas, Barack Obama telefonou para o então presidente Mohammed Morsi e recomendou: "Faça de tudo para evitar uma interrupção no processo democrático do país." Enquanto isso, o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, empenhava-se junto às lideranças militares do Egito para não recorrerem a um golpe contra o mandatário nacional.

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AP
Oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito

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História é apenas o que se sabe. As verdades só vão surgindo com a abertura de arquivos. Mas é público e notório que o Egito é o segundo país do mundo em valores de assistência americana. Israel é o primeiro. A maioria da oficialidade egípcia formou-se em escolas dos EUA. As armas são fornecidas por eles também. A ajuda financeira-militar é vital no Orçamento do país africano.

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O presidente deposto Morsi teve origem e formação como membro da Irmandade Muçulmana. Desde 1928, essa organização cresceu na ilegalidade, desde os tempos do Rei Faruk, desaparecido numa revolta de jovens oficiais, da qual surgiria Gamal Abdel Nasser, na sequência, presidente e ditador, culminando com Hosni Mubarak, derrubado em 2011 após quase 30 anos no poder.

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Morsi foi eleito pela massa egípcia que derrrubou Mubarak. Ao fim de um ano de governo fracassado, tudo falta no país. Desde emprego para incontáveis jovens com títulos acadêmicos que, para sobreviver, trabalhavam como faxineiros e porteiros. Mubarak, o chamado ditador light, renunciou numa revolta de jovens. Ele não deixou o Egito. Milagrosamente, continua vivo.

O destino dos ditadores no Oriente Médio é a morte pela vontade das multidões. Casos notórios são os de Saddam Hussein, derrubado pela invasão americana no Iraque e condenado à morte, e do alauíta Hafez Assad, que governou a Síria por mais de 30 anos, morrendo no poder de causas naturais. Seu filho, Bashar, atual presidente da Síria, enfrenta rebelião há mais dois anos, convencido de que sairá vitorioso.

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A parte da sociedade egípcia dominada pela filosofia da Irmandade Muçulmana, que sempre defendeu um estado com as leis da sharia, é numerosa. Mas, aparentemente, a maioria do povo que experimentou a liberdade dos últimos anos não desiste de sua nascente democracia.

Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

No Brasil de 1945, Getúlio Vargas enfrentou um movimento para derrubá-lo e tentou ganhar tempo, propondo a composição de uma Constituinte com apoio de trabalhistas, comunistas, entre outros. Como Morsi, teve de escolher entre aceitar sua deposição, evitando uma guerra civil, ou tentar resistir com forças insuficientes. Voltou desterrado para o Rio Grande do Sul. Adiou-se a disputa entre os partidos existentes, designando-se um presidente provisório. No Brasil, deu certo. A questão agora é saber se os instrumentos criados após a deposição do presidente do Egito serão suficientes para evitar o choque civil entre todas as facções que desejam o poder.

O presidente russo, Vladimir Putin, comentou o caso egípcio dizendo: “O Oriente Médio não é para democracias. Nem todos os países podem ser democráticos como os países ocidentais”, polemizou.

*Com colaboração de Nelson Burd

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