Líder da oposição do Egito, ElBaradei é nomeado primeiro-ministro interino

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ex-chefe de agência nuclear da ONU, vencedor do Nobel da Paz liderou protestos contra Mubarak em 2011

O novo presidente do Egito, Adly Mansour, atuou para confirmar sua autoridade neste sábado nomeando um rival do presidente deposto Mohammed Morsi como primeiro-ministro e mantendo uma reunião de crise com autoridades de segurança em um esforço para retomar o controle das ruas.

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Líder da oposição Mohammed ElBaradei em foto de 24 de novembro de 2012

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Os passos de Mansour, entretanto, devem aprofundar ainda mais a posição de desafio dos opositores islâmicos que transformaram partes da capital egípcia, Cairo, em redutos altamente guardados e fizeram juramentos de sangue para lutar até que Morsi volte ao poder.

Depois de uma noite que deixou 36 mortos, o maior número em um único dia desde o início da crise, e 1.076 feridos, os dois lados pareceram se preparar para a possibilidade de mais violência já que a situação política do país deixou pouco espaço para o meio termo ou o diálogo.

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A decisão de Mansour de trazer o líder pró-reforma Mohamed ElBaradei, Prêmio Nobel da Paz em 2005 e ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), para o papel de premiê do governo certamente também aumentará a lealdade das forças anti-Morsi.

O presidente planeja que ElBaradei tome posse ainda neste sábado, disse Khaled Dawoud, uma autoridade no principal partido de oposição, a Frente de Salvação Nacional.

ElBaradei liderou os protestos contra o presidente Hosni Mubarak em meio à Primavera Árabe que pôs fim a seu governo autocrático em fevereiro de 2011.

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A revolução também abriu caminho para a ascensão política da Irmandade Muçulmana, que estava há muito tempo sob pressão do regime apoiado pelo Ocidente de Mubarak. Eleições no ano passado levaram Morsi à presidência, mas ElBaradei continuou uma voz de dissenso, uma vez dizendo que o grupo islâmico vivia "em ilusão" por pensar que seus membros poderiam gerenciar o país sozinhos.

O novo presidente do Egito - presidente da Suprema Corte Constitucional do país - é pouco conhecido nos círculos internacionais. Mas a escolha de ElBaradei, 71, dá ao governo uma proeminente figura global para posicionar-se perante Washington e seus aliados, que tentam reavaliar suas políticas depois que os partidários de Morsi descreveram sua deposição como um golpe. O líder deposto continua detido em um local não revelado.

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Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

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Previamente, Mansour manteve encontros com o chefe do Exército e ministro da Defesa egípcio, o general Abdel-Fattah el-Sissi, e o ministro do Interior, Mohammed Ibrahim, que é encarregado da polícia, no palácio presidencial de Ittihadiya. A reunião indicou tentativas para pensar em estratégias para conter outra rodada de violência.

Tensão

Os partidários de Morsi prometeram sair às ruas até que o líder islamita volte ao poder. Seus oponentes, enquanto isso, convocaram mais manifestações para defender o que chamam de "ganhos do 30 de junho", em referência à data de início do chamado pela deposição de Morsi.

Não houve informações de grandes choques no Egito depois do amanhecer desde sábado, após uma noite de batalhas de rua que aumentaram o total de mortos desde a semana passada para 75.

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As forças de segurança aumentaram sua presença perto da maior concentração de partidários de Morsi nas ruas: um acampamento do lado de fora de uma mesquita no distrito Nasr City, um reduto tradicional da Irmandade Muçulmana.

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Egípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo

Cronologia: Entenda a crise que levou à queda do governo Morsi

Em um comunicado publicado no Facebook, o Exército egípcio negou que alguns comandantes estejam fazendo pressão sobre os altos escalões das Forças Armadas do país para um reestabelecimento do governo de Morsi. "Esses rumores surgem em um contexto em que boatos e mentiras são espalhados em uma guerra de informação travada contra as Forças Armadas com o objetivo de dividir suas fileiras e acabar com sua coesão", diz a nota.

Cenário na sexta-feira

Com raiva pela deposição de Morsi, dezenas de milhares de islamitas e de partidários do presidente deposto saíram às ruas, entrando em confronto com oponentes na Ponte 6 de Outubro sobre o Rio Nilo. Os choques acabaram depois da intervenção do Exército, que separou os dois grupos.

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Os confrontos escalaram depois que o líder supremo da Irmandade Muçulmana do Egito, Mohammed Badie, fez um discurso inflamado em que prometeu restaurar Morsi ao poder, dizendo que os egípcios não aceitariam um "regime militar" por mais um dia.

Morsi "é meu presidente, é seu presidente e presidente de todos os egípcios", disse. "Deus faça Morsi vitorioso e o leve de volta ao palácio (presidencial)", disse em seu discurso, que foi parcialmente transmitido pela TV. "Somos os seus soldados e o defenderemos com nossas vidas."

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Partidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente'

Horas depois, seu vice, Khairat el-Shater, considerado a figura mais poderosa de sua organização, foi preso em um apartamento do Cairo juntamente com seu irmão sobre alegações de incitar a violência.

Em meio às tensões, uma corte no Cairo adiou neste sábado para 17 de agosto a repetição do julgamento do Mubarak, deposto em 2011, sob acusações de corrupção e envolvimento nas mortes de manifestantes no levante contra o seu governo. Mubarak e seus dois filhos, Alaa e Gamal, que são julgados por corrupção, apareceram na sessão judicial.

*Com AP e BBC

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