Polícia aumenta presença em acampamento pró-Morsi; choques de sexta deixaram 36 mortos e 1.076 feridos

Forças de segurança reforçaram suas posições perto de um acampamento de protesto de partidários do presidente deposto Mohammed Morsi , enquanto autoridades planejavam neste sábado suas próximas medidas depois que a violência do dia anterior deixou ao menos 36 mortos em todo o país, o maior número em um único dia desde o início da crise, e aprofundou as linhas de batalha da nação dividida. A violência de sexta também deixou 1.076 feridos.

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Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito
AP
Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito

Badie: Líder supremo da Irmandade promete pôr fim a 'regime militar'

Em um sinal adicional de preocupação de que os tumultos podem sair do controle, o presidente interino do Egito, Adly Mansour , manteve encontros com o chefe do Exército e ministro da Defesa egípcio, o general Abdel-Fattah el-Sissi, e o ministro do Interior, Mohammed Ibrahim, que é encarregado da polícia, no palácio presidencial de Ittihadiya.

O ministro acrescentou que ao menos oito policiais morreram desde a véspera do início dos protestos contra Morsi em 30 de junho , quando ele completou um ano no cargo. Mais nenhum outro detalhe sobre as mortes ficaram disponíveis imediatamente.

Oficiais detiveram brevemente importantes membros da Irmandade Muçulmana , de Morsi, e mantêm o líder destituído longe do olhar público, detido em um lugar não revelado.

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Mas os partidários de Morsi prometeram sair às ruas até que o líder islamita volte ao poder. Seus oponentes, enquanto isso, convocaram mais manifestações para defender o que chamam de "ganhos do 30 de junho", em referência à data de início do chamado pela deposição de Morsi.

Não houve informações de grandes choques no Egito depois do amanhecer desde sábado, após uma noite de batalhas de rua que aumentaram o total de mortos desde a semana passada para 75.

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Mais tarde, na Península do Sinai, atiradores mataram um padre cristão copta a tiros enquanto ele fazia compras em uma feira. Não ficou imediatamente claro se o crime tinha relação com a crise política, mas há um aumento de ações contra cristãos desde um pouco antes da deposição de Morsi.

Os islâmicos lançaram ataques contra membros de minoria em ao menos três províncias no sul do Egito. Os cristãos correspondem a cerca de 10% da população de 90 milhões do Egito. A Irmandade de Morsi alega que os cristãos desempenharam um grande papel incitando contra o presidente deposto.

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As forças de segurança aumentaram sua presença perto da maior concentração de partidários de Morsi nas ruas: um acampamento do lado de fora de uma mesquita no distrito Nasr City, um reduto tradicional da Irmandade Muçulmana.

Em um comunicado publicado no Facebook, o Exército egípcio negou que alguns comandantes estejam fazendo pressão sobre os altos escalões das Forças Armadas do país para um reestabelecimento do governo de Morsi. "Esses rumores surgem em um contexto em que boatos e mentiras são espalhados em uma guerra de informação travada contra as Forças Armadas com o objetivo de dividir suas fileiras e acabar com sua coesão", diz a nota.

Cenário na sexta-feira

Com raiva pela deposição de Morsi, dezenas de milhares de islamitas e de partidários do presidente deposto saíram às ruas, entrando em confronto com oponentes na Ponte 6 de Outubro sobre o Rio Nilo. Os choques acabaram depois da intervenção do Exército, que separou os dois grupos.

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Os confrontos escalaram depois que o líder supremo da Irmandade Muçulmana do Egito, Mohammed Badie, fez um discurso inflamado em que prometeu restaurar Morsi ao poder , dizendo que os egípcios não aceitariam um "regime militar" por mais um dia.

Morsi "é meu presidente, é seu presidente e presidente de todos os egípcios", disse. "Deus faça Morsi vitorioso e o leve de volta ao palácio (presidencial)", disse em seu discurso, que foi parcialmente transmitido pela TV. "Somos os seus soldados e o defenderemos com nossas vidas."

Horas depois, seu vice, Khairat el-Shater, considerado a figura mais poderosa de sua organização, foi preso em um apartamento do Cairo juntamente com seu irmão sobre alegações de incitar a violência.

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A ONU e os EUA fizeram um apelo pelo fim da violência. O Departamento de Estado americano conclamou os líderes egípcios a acabar com a violência e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu mais proteção aos manifestantes - em especial às mulheres. "Conclamamos todos os líderes egípcios a condenar o uso da força e evitar mais violência entre seus simpatizantes", disse, em um comunicado, o porta-voz da chancelaria americana, Jen Psaki.

O comunicado de Ban Ki-moon mencionou "relatos horripilantes de violência sexual". "O secretário-geral acredita firmemente que este é um momento crítico, em que é imperativo que os egípcios trabalhem juntos para fazer um retorno pacífico ao controle civil, à ordem constitucional e à governabilidade democrática", diz o documento, divulgado pelo porta-voz de Ban Ki-moon, Farhan Haq.

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Partidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente'
AP
Partidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente'

"Os líderes políticos do Egito têm a responsabilidade de sinalizar, por meio de suas palavras e suas ações, seu compromisso com um diálogo pacífico e democrático."

Em meio às tensões, uma corte no Cairo adiou neste sábado para 17 de agosto a repetição do julgamento do ex-presidente Hosni Mubarak, deposto em 2011, sob acusações de corrupção e envolvimento nas mortes de manifestantes no levante contra o seu governo. Mubarak e seus dois filhos, Alaa e Gamal, que são julgados por corrupção, apareceram na sessão judicial.

*Com AP e BBC

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