Violência aumenta no Egito enquanto islamitas contestam deposição de Morsi

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Confrontos entre egípcios pró e contra presidente deposto deixam ao menos 30 mortos e 210 feridos em todo país

Islamitas com raiva reagiram à deposição do presidente Mohammed Morsi, com dezenas de milhares de seus partidários marchando no Cairo nesta sexta-feira para reivindicar sua volta ao poder e atacando seus oponentes. Confrontos durante a noite tiveram arremesso de pedras e disparos, e veículos militares blindados cruzaram uma ponte sobre o Rio Nilo em um contra-ataque aos partidários de Morsi.

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AP
Partidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo

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Tumultos em todo o país deixaram ao menos 30 mortos e 210 feridos. Partidários de Morsi invadiram prédios do governo, prometendo reverter a derrubada do primeiro presidente eleito em eleições livres do país. Entre os mortos estão quatro pessoas atingidas quando soldados abriram fogo contra uma manifestação pacífica de islamitas na sede da Guarda Republicana.

Em uma aparição dramática - a primeira desde a deposição de Morsi -, o líder supremo da Irmandade Muçulmana do Egito, Mohammed Badie, fez um discurso inflamado em que prometeu restaurar Morsi ao poder, dizendo que os egípcios não aceitarão um "regime militar" por mais um dia.

Badie reivindicou que o Exército honre o juramento de lealdade que fez ao presidente, dizendo que "seu líder é Morsi... o devolva à população egípcia". "Suas balas não devem ser disparadas contra seus filhos e sua própria população." Ele conclamou os egípcios ao protesto, dizendo que "não seremos dissuadidos por ameaças ou detenções ou pela forca".

Badie: Líder supremo da Irmandade promete pôr fim a 'regime militar'

Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

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Morsi "é meu presidente, é seu presidente e presidente de todos os egípcios", disse. "Deus faça Morsi vitorioso e o leve de volta ao palácio (presidencial)", disse em seu discurso, que foi parcialmente transmitido pela TV. "Somos os seus soldados e o defenderemos com nossas vidas."

Badie havia sido levado sob custódia das forças de segurança na quarta, logo depois de o Exército depor Morsi, que vem da Irmandade, suspender a Constituição e anunciar a instalação de um governo tecnocrata interino que administrará o país até novas eleições. A data da votação, porém, ainda não foi anunciada.

Antes da aparição de Badie perante a multidão, o partido político da Irmandade disse em seu site que "ele foi solto". Mas, no palco, Badie negou que tivesse sido preso. Não houve explicação das autoridades de segurança.

Sucessão: Presidente interino do Egito assume após Exército depor Morsi

Reuters
Manifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo

Cerco: Exército reprime Irmandade Muçulmana após depor Morsi

Depois de a noite cair, momentos depois do discurso de Badie, uma ampla multidão de islamitas apareceu através da Ponto 6 de Outubro sobre o Rio Nilo em direção à Praça Tahrir Square, onde vários oponentes de Morsi ficaram durante todo o dia. Choques aconteceram lá, perto do prédio da TV estatal.

O discurso de Badie nesta sexta pareceu não ter apenas o objetivo de estimular seus partidários, mas também de tentar angariar apoio dentro do Exército contra o general Abdel-Fattah el-Sissi, o ministro da Defesa que anunciou a queda do presidente na noite de quarta.

Reação: Oposição celebra queda de Morsi; partidários rejeitam 'governo militar'

AP
Manifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo

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Nesta sexta, o chefe de Estado interino do Egito, Adly Mansour, dissolveu o Parlamento por meio de um decreto, informou a televisão estatal. Apenas o Senado, o Conselho Shura, havia permanecido ativo depois que a Câmara havia sido dissolvida pelas autoridades militares logo após a eleição de Morsi há um ano.

Antes do pronunciamento do líder supremo da Irmandade, soldados abriram fogo contra manifestantes pró-Morsi que se dirigiam à sede da Guarda Republicana no Cairo, onde ele estava no momento da deposição antes de ficar sob custódia militar em um local não identificado.

Como mostraram os episódios da noite desta sexta, os disparos acabaram por escalar ainda mais o confronto no Egito ao aumentar a fúria do islâmicos contra o Exército. Já há temores de uma reação islâmica armada, e antes do amanhecer atiradores na Península do Sinais atacaram instalações militares, matando ao menos um soldado.

*Com AP

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