Seguidores da Irmandade Muçulmana protestam no Egito após deposição de Morsi

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Partidários do presidente exigem retorno do islamita ao poder; radicais coordenam ataques no Sinai

Milhares de partidários de Mohammed Morsi, em sua maioria islamitas, gritavam "abaixo o governo militar" durante protestos que tomaram conta do país nesta sexta-feira (5) expondo sua fúria contra o Exército do Egito por ter deposto o primeiro presidente eleito livremente no país.

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Seguidores do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi gritam palavras de ordem durante protesto do lado de fora da Universidade do Cairo

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Uma multidão de seguidores da Irmandade Muçulmana prometeram permanecer em frente a uma mesquita no Cairo até que a presidência seja devolvida ao líder islâmico. Os manifestantes marcharam contra o que chamavam do "retorno do regime autocrata de Hosni Mubarak", que foi deposto durante uma revolta no início de 2011.

"O velho regime voltou...pior que antes", disse Ismail Abdel-Mohsen, estudante de 18 anos que estava entre a multidão do lado de fora da mesquita Rabia al-Adaqiya. Ele caracterizou o novo chefe de Estado interino, que tomou posse na quinta-feira, como uma "marionete do Exército".

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A multidão começou a marchar na sede da Guarda Republicana, muitos gritando: "Após o pôr-do-sol, o presidente Morsi estará de volta no palácio (presidencial)".

O Exército depôs Morsi na quarta-feira depois que milhões de egípcios tomaram as ruas do país em quatro dias de protestos violentos exigindo sua retirada do poder. Segundo os manifestantes, Morsi havia colocado seu mandato a serviço da Irmandade Muçulmana e de outros grupos islâmicos radicais. Depois que um ultimato de 48 horas dado pelo Exército expirou, os militares se voltaram contra a liderança da Irmandade Muçulmana e colocaram Morsi em prisão domiciliar.

A Irmandade, então, convocou protestos para esta sexta-feira, em vários locais na capital e outras cidades. Autoridades do grupo destacaram fortemente aos seus seguidores que as manifestações deveriam ser pacíficas.

Ainda assim, há temores no Egito de que grupos mais extremistas que conquistaram influência durante o curto período de Morsi na presidência deem início a uma campanha de violência.

Nesta manhã, homens mascarados coordenaram ataques com foguetes e morteiros no aeroporto de el-Arish, onde aviões do Exército estavam estacionados, na Península do Sinai. O Exército e as forças de segurança deram início a um tiroteio e helicópteros militares foram vistos sobrevoando a região.

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O Egito fechou por tempo indeterminado sua fronteira mais próxima àFaixa de Gaza após o ataque, enviando 200 palestinos de volta para Gaza, segundo informou o general Sami Metwali.

Extremistas islâmicos ganharam força no Sinai nos últimos dois anos desde o enfraquecimento da segurança que acompanhou a revolta de 2011, que depôs  Mubarak. O Exército do Egito e a polícia, desde então, vêm tentando contê-los.

A Irmandade Muçulmana acusa os militares de terem dado um golpe contra a democracia e disse que não trabalharia ao lado da nova liderança. "Declaramos nossa completa rejeição ao golpe militar realizado contra o presidente eleito e a vontade da nação", disse a Irmandade em comunicado lido pelo clérigo sênior Abdel-Rahman el-Barr para a multidão do lado de foram da mesquita Rabia al-Adawiya.

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Seguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo

"Nos recusamos a participar de quaisquer atividades com as autoridades usurpadoras", dizia o comunicado. Os manifestantes que estão em frente a Rabia al-Adawya planejam marchar até o Ministério da Defesa.

A Irmandade Muçulmana denunciou os militares de ter tirado do ar canais de televisão pró-Morsi. O Exército, segundo a Irmandade, está levando o Egito de volta a práticas das eras "obscuras, repressivas, ditatoriais e corruptas".

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À rede de TV CNN, o porta-voz da Irmandade Muçulmana, Gehad El-Haddad, disse que Morsi foi posto inicialmente sob prisão domiciliar no quartel presidencial da Guarda Republicana, sendo mais tarde transferido para o Ministério da Defesa. Morsi e outras oito ex-autoridades do governo - todos membros da Irmandade - foram proibidos de viajar e devem ser acusados por " insultar as autoridades judiciais e seus membros ", informou a estatal EgyNews.

A ofensiva contra a liderança da Irmandade incluiu o líder supremo do grupo, uma figura venerada entre seus seguidores, Mohammed Badie. Ele foi preso na noite de quarta em uma residência de verão em uma cidade na costa do Mediterrâneo e foi transferido de helicóptero para o Cairo, disseram funcionários de segurança. Badie é acusado de "incitar atos de violência" em frente à sede da Irmandade no início desta semana.

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A prisão de Badie é uma medida dramática, já que mesmo o regime Mubarak e seus predecessores relutaram em ter o principal líder do movimento como alvo. A Irmandade foi banida na maior parte dos seus 83 anos de existência, mas fazia décadas que seu principal guia religioso não era preso.

Além disso, autoridades divulgaram uma lista de procurados com mais de 200 integrantes da Irmandade e líderes de outros grupos islâmicos.

A Frente de Salvação Nacional, principal grupo político da oposição durante a presidência de Morsi e um membro-chave da coalizão que trabalhou com os militares na sua deposição, criticou a ação, dizendo que "rejeitamos a exclusão de qualquer partido, particularmente grupos políticos islâmicos".

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A Frente chegou a propor que um de seus principais líderes, Mohammed ElBaradei, se tornasse primeiro-ministro do gabinete interino, um cargo que terá grandes poderes, uma vez que a presidência de Adly Mansour, que tomou posse na quinta, é considerada simbólica. ElBaradei é considerado a voz mais importante entre os reformistas do Egito.

A dramática queda de Morsi, que havia assumido o poder há pouco mais de um ano como o primeiro presidente eleito livremente no país, marca outra reviravolta na crise que envolve a mais populosa nação árabe desde o levante popular de 2011. Além da queda do presidente, o general Abdul Fattah al-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa, também anunciou a suspensão da Constituição e novas eleições, mas não especificou a data para a votação.

A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

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Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

Com AP, Reuters e agências internacionais

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