Perante milhares de seguidores, Badie promete restaurar ao poder o islamita Morsi, deposto pelo Exército na quarta

O líder supremo da Irmandade Muçulmana do Egito, Mohammed Badie, prometeu restaurar o presidente Mohammed Morsi ao poder, dizendo que os egípcios não aceitarão um "regime militar" por mais um dia. Seu discurso inflamado foi feito depois de soldados do Exército terem disparado contra uma marcha pró-Morsi , deixando ao menos quatro mortos. No total, confrontos no país deixaram ao menos dez mortos e 210 feridos .

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 Manifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo
AP
Manifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo

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Badie, uma figura reverenciada entre os seguidores da Irmandade, falou perante uma multidão de dezenas de milhares de partidários de Morsi no Cairo após ser libertado da prisão. Um helicóptero militar sobrevoou o local enquanto ele fazia seu pronunciamento.

Badie reivindicou que o Exército honre o juramento de lealdade que fez ao presidente, dizendo que "seu líder é Morsi... o devolva à população egípcia". "Suas balas não devem ser disparadas contra seus filhos e sua própria população." Ele conclamou os egípcios ao protesto, dizendo que "não seremos dissuadidos por ameaças ou detenções ou  pela forca".

Morsi "é meu presidente, é seu presidente e presidente de todos os egípcios", disse. "Deus faça Morsi vitorioso e o leve de volta ao palácio (presidencial)", disse em seu discurso, que foi parcialmente transmitido pela TV. "Somos os seus soldados e o defenderemos com nossas vidas."

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Badie havia sido levado sob custódia das forças de segurança na quarta, logo depois de o Exército depor Morsi , que vem da Irmandade, suspender a Constituição e anunciar a instalação de um governo tecnocrata interino que administrará o país até novas eleições. A data da votação, porém, ainda não foi anunciada.

Antes da aparição de Badie perante a multidão, o partido político da Irmandade disse em seu site que "ele foi solto". Mas, no palco, Badie negou que tivesse sido preso. Não houve explicação das autoridades de segurança.

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Momentos depois do pronunciamento de Badie, dezenas de milhares cruzaram uma ponte sobre o Rio Nilo em direção à Praça Tahrir, no Cairo, em mostra de resistência ao que consideram um golpe contra o primeiro presidente eleito em eleições livres do Egito.

Partidários de Morsi querem seu retorno. Assista ao vídeo:

O discurso de Badie pareceu não ter apenas o objetivo de estimular seus partidários, mas também de tentar angariar apoio dentro do Exército contra o general Abdel-Fattah el-Sissi, o ministro da Defesa que anunciou a queda do presidente na noite de quarta.

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Antes do pronunciamento, soldados abriram fogo contra manifestantes pró-Morsi que se dirigiam à sede da Guarda Republicana no Cairo, onde ele estava no momento da deposição antes de ficar sob custódia militar em um local não identificado. Os disparos provaram escalar ainda mais o confronto no Egito ao aumentar a fúria do islâmicos contra o Exército. Já há temores de uma reação islâmica armada, e antes do amanhecer atiradores na Península do Sinais atacaram instalações militares, matando ao menos um soldado.

Manifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo
Reuters
Manifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo

*Com AP

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