Episódios de violência foram registrados em várias cidades durante protestos contra deposição de presidente islamita

Tropas do Egito abriram fogo contra seguidores do presidente deposto Mohammed Morsi que estavam marchando perto do prédio da Guarda Republicana nesta sexta-feira (5), deixando ao menos quatro mortos.

Badie: Líder supremo da Irmandade promete pôr fim a 'regime militar'

Sexta-feira: Seguidores da Irmandade Muçulmana protestam no Egito

Partidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo
AP
Partidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo

Quinta: Exército reprime Irmandade Muçulmana após depor islamita Morsi

Sucessão: Presidente interino do Egito assume após deposição de Morsi

Os disparos começaram quando centenas de partidários de Morsi marcharam até o prédio da Guarda Republicana, onde estava o presidente islamita antes de ser deposto e levado sob custódia militar. A multidão se aproximou de uma cerca de arame farpado, onde as tropas faziam guarda em torno do prédio.

Cerco: Egito prende líder supremo da Irmandade Muçulmana

Quando um manifestante pendurou uma foto de Morsi na cerca, as tropas alertaram aos manifestantes que não se aproximassem. Um outro manifestante pendurou uma segunda placa e os soldados abriram fogo contra a multidão, segundo testemunhou um fotógrafo da AP. 

Quarta: Egito prende líderes da Irmandade e tira do ar TVs pró-Morsi

Golpe no Egito: Leia todas as notícias sobre a queda de Morsi

Muitos manifestantes caíram no chão sangrando. Ao menos um deles havia sido atingido na cabeça. Outros manifestantes carregaram seu corpo para dentro de um prédio e cobriram sua cabeça com um cobertor, declarando-o morto.

Assista ao vídeo: 

Os tiros podem provocar uma nova onda de confrontos no Egito, com os partidários de Morsi  - em sua maioria islâmicos - rejeitando a deposição do primeiro presidente eleito livremente no país. 

Cronologia: Entenda a crise que levou à queda de Morsi no Egito

Anúncio: Exército do Egito depõe Morsi e suspende Constituição

Segundo a TV CNN, uma pessoa foi morta e sete ficaram feridas quando um grupo de homens armados atacaram uma delegacia de polícia em Haram, bairro de Giza, informou um porta-voz do Ministério da Saúde.

Ao menos 10 manifestantes ficaram feridos em confrontos entre partidários de Morsi e residentes da cidade de Damanhour, a 160 km a noroeste do Cairo, informou a TV estatal egípcia Nilo na sexta-feira.

O Exército depôs Morsi na quarta-feira depois que milhões de egípcios tomaram as ruas do país em quatro dias de protestos violentos exigindo sua retirada do poder. Segundo os manifestantes, Morsi havia colocado seu mandato a serviço da Irmandade Muçulmana e de outros grupos islâmicos radicais. Depois que um ultimato de 48 horas dado pelo Exército expirou, os militares se voltaram contra a liderança da Irmandade Muçulmana e colocaram Morsi em prisão domiciliar.

No Twitter: Islamita Morsi caracteriza como golpe sua deposição no Egito

Seguidores do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi gritam palavras de ordem durante protesto do lado de fora da Universidade do Cairo
AP
Seguidores do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi gritam palavras de ordem durante protesto do lado de fora da Universidade do Cairo

A Irmandade Muçulmana acusa os militares de terem dado um golpe contra a democracia e disse que não trabalharia ao lado da nova liderança. "Declaramos nossa completa rejeição ao golpe militar realizado contra o presidente eleito e a vontade da nação", disse a Irmandade em comunicado lido pelo clérigo sênior Abdel-Rahman el-Barr para a multidão do lado de foram da mesquita Rabia al-Adawiya.

O grupo havia convocado protestos para esta sexta-feira. Milhares de partidários de Morsi, em sua maioria islamitas, gritavam "abaixo o governo militar" em várias partes do país.

Reação: Oposição celebra queda de Morsi; partidários rejeitam 'governo militar'

Saiba mais: Veja especial do iG sobre a Primavera Árabe

Uma multidão de seguidores da Irmandade Muçulmana prometeu permanecer em frente a uma mesquita no Cairo até que a presidência seja devolvida ao líder islâmico. Os manifestantes marcharam contra o que chamavam do "retorno do regime autocrata de Hosni Mubarak", que foi deposto durante uma revolta no início de 2011 .

"O velho regime voltou...pior que antes", disse Ismail Abdel-Mohsen, estudante de 18 anos que estava entre a multidão do lado de fora da mesquita Rabia al-Adaqiya. Ele caracterizou o novo chefe de Estado interino , que tomou posse na quinta-feira, como uma "marionete do Exército".

Há temores no Egito de que grupos mais extremistas que conquistaram influência durante o curto período de Morsi na presidência deem início a uma campanha de violência.

Manifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo
AP
Manifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo

Nesta manhã, homens mascarados coordenaram ataques com foguetes e morteiros no aeroporto de el-Arish, onde aviões do Exército estavam estacionados, na Península do Sinai. O Exército e as forças de segurança deram início a um tiroteio e helicópteros militares foram vistos sobrevoando a região.

O Egito fechou por tempo indeterminado sua fronteira mais próxima àFaixa de Gaza após o ataque, enviando 200 palestinos de volta para Gaza, segundo informou o general Sami Metwali.

"Nos recusamos a participar de quaisquer atividades com as autoridades usurpadoras", dizia o comunicado. Os manifestantes que estão em frente a Rabia al-Adawya planejam marchar até o Ministério da Defesa.

A Irmandade Muçulmana denunciou os militares de ter tirado do ar canais de televisão pró-Morsi. O Exército, segundo a Irmandade, está levando o Egito de volta a práticas das eras "obscuras, repressivas, ditatoriais e corruptas".

ofensiva contra a liderança da Irmandade incluiu o líder supremo do grupo , uma figura venerada entre seus seguidores, Mohammed Badie. Ele foi preso na noite de quarta em uma residência de verão em uma cidade na costa do Mediterrâneo e foi transferido de helicóptero para o Cairo, disseram funcionários de segurança. Badie é acusado de "incitar atos de violência" em frente à sede da Irmandade no início desta semana.

Além disso, autoridades divulgaram uma lista de procurados com mais de 200 integrantes da Irmandade e líderes de outros grupos islâmicos.

A dramática queda de Morsi, que havia assumido o poder há pouco mais de um ano como o primeiro presidente eleito livremente no país, marca outra reviravolta na crise que envolve a mais populosa nação árabe desde o levante popular de 2011. Além da queda do presidente, o general Abdul Fattah al-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa, também anunciou a suspensão da Constituição e novas eleições, mas não especificou a data para a votação.

A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.