Vice da Irmandade, do deposto Morsi, também tem prisão pedida. Líderes de braço político do grupo já foram presos

A promotoria egípcia ordenou nesta quinta-feira a prisão do líder máximo da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e seu vice, Khairat el-Shater, disseram fontes judiciais e militares um dia após o Exército derrubar o islamita Mohammed Morsi , suspendeu a Constituição e anunciou novas eleições.

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Egípcios celebram depois de posse do chefe judicial Adly Mansour como presidente interino do Egito
AP
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Shater, um rico empresário visto como o principal estrategista político da Irmandade, foi a primeira escolha do grupo para concorrer na eleição presidencial do ano passado, mas foi desqualificado por causa de condenações anteriores, forçando Morsi a assumir o seu lugar.

A ordem de prisão contra Shater e Badie foi emitida sob acusações de incitar atos de violência que deixaram ao menos oito mortos em frente à sede da Irmandade Muçulmana no início desta semana no Cairo.

Após a deposição de Morsi na quarta, Saad al-Katatni, líder da Partido Justiça e Liberdade (braço político da Irmandade Muçulmana), e Rashad al-Bayoumi, um de seus vices, foram presos. Sob condição de anonimato, uma autoridade afirmou que as detenções tinham relação com uma fuga da prisão durante o levante de 2011 que levou à queda do autocrata Hosni Mubarak

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Os mandados de prisão foram anunciados depois da posse do chefe da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour , como presidente interino do país no lugar de Morsi . Após a cerimônia transmitida ao vivo pela TV estatal, o novo chefe de Estado do Egito disse que a Irmandade Muçulmana faz parte do povo e é bem-vinda para ajudar a "construir a nação", noticiou em seu site o jornal estatal Al-Ahram.

"O grupo Irmandade Muçulmana é parte deste povo e está convidado a participar na construção da nação, já que ninguém ficará excluído, e caso respondam ao convite, serão bem-vindos", disse. De acordo com um decreto militar, Mansour servirá como líder interino até que um novo presidente seja eleito. Uma data para a votação ainda não foi marcada.

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Chefe judicial do Egito, Adly Mansour (C), é aplaudido durante cerimônia de posse como presidente interino
AP
Chefe judicial do Egito, Adly Mansour (C), é aplaudido durante cerimônia de posse como presidente interino

Escalada da crise

A dramática queda de Morsi, primeiro presidente eleito livremente na história egípcia há pouco mais de um ano, marca outra reviravolta na crise que envolve a mais populosa nação árabe desde o levante popular de 2011. O líder deposto está em um local não especificado sob prisão domiciliar.

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Pelo Twitter, o presidente deposto caracterizou na quarta sua deposição como um golpe militar e pediu que todos os cidadãos, civis ou militares, respeitem a Constituição e a lei. Ele também pediu que todos os egípcios "evitem um banho de sangue".

Em meio à instabilidade econômica e política, uma presença popular em massa nas ruas desde o dia 30 deu ao general Abdul Fattah al-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa, uma justificativa para impor na segunda um prazo de 48 horas para que Morsi aceitasse partilhar poderes com a oposição ou renunciar.

Perante a resistência de Morsi , o chefe do Exército anunciou após o ultimato expirar que o islamita estava sendo deposto por ter ignorado as reivindicações de unidade nacional. Segundo ele, a decisão foi tomada após uma reunião com representantes da sociedade civil.

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Depois das revoltas populares da Primavera Árabe , em 2011, vários políticos de tendência islâmica assumiram o poder em seus países. Morsi é o primeiro deles a ser derrubado, e o fato despertará questionamentos em toda a região, especialmente na Tunísia.

A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

Repercussão

Os EUA vinham apoiando as declarações de Morsi sobre sua legitimidade democrática, mas o pressionavam cada vez mais para partilhar poderes com seus adversários. O presidente Barack Obama expressou profunda preocupação com a deposição do presidente egípcio e pediu um rápido retorno a um governo civil democraticamente eleito .

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Os EUA entregam 1,3 bilhão de dólares em ajuda militar ao Egito, e podem ser pressionados a impor sanções se houver a confirmação de que Morsi foi vítima de um golpe. A instabilidade no Egito já vinha causando grande preocupação entre aliados ocidentais do Cairo e em Israel, país com o qual o Egito estabeleceu um tratado de paz em 1979.

*Com AP e Reuters

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