Presidente interino do Egito assume após Exército depor islamita Morsi

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Chefe da Suprema Corte Constitucional substitui islamita Morsi um dia depois de sua deposição pelo Exército

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Presidente interino Adly Mansour faz juramento em cerimônia

O chefe da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour, tomou posse como presidente interino do país nesta quinta-feira, um dia depois que o Exército depôs o chefe de Estado Mohammed Morsi, suspendeu a Constituição e anunciou novas eleições.

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De acordo com um decreto militar, Mansour servirá como líder interino até que um novo presidente seja eleito. Uma data para a votação ainda não foi marcada.

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Na cerimônia transmitida ao vivo pela TV estatal, Mansour afirmou que a população egípcia lhe deu autoridade para "emendar e corrigir" a revolução popular de fevereiro de 2011, que derrubou o autocrata Hosni Mubarak. Segundo ele, o Egito havia "corrigido o caminho de sua revolução gloriosa" por meio de grandes protestos populares pedindo a renúncia de Morsi.

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Mansour elogiou os protestos de rua em massa que levaram à queda de Morsi. Ele também cumprimentou os jovens por trás das manifestações iniciadas em 30 de junho, afirmando que eles personificavam "a consciência da nação, suas ambições e esperanças". "A coisa mais gloriosa sobre o 30 de junho é que uniu todos sem discriminação ou divisão", disse. "Ofereço meus cumprimentos à população revolucionária do Egito."

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A dramática queda de Morsi, primeiro presidente eleito livremente na história egípcia há pouco mais de um ano, marca outra reviravolta na crise que envolve a mais populosa nação árabe desde o levante popular de 2011. O líder deposto está em um local não especificado sob prisão domiciliar.

Pelo Twitter, o presidente deposto caracterizou na quarta sua deposição como um golpe militar e pediu que todos os cidadãos, civis ou militares, respeitem a Constituição e a lei. Ele também pediu que todos os egípcios "evitem um banho de sangue". 

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Em meio à instabilidade econômica e política, a presença popular nas ruas deu ao general Abdul Fattah al-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa, uma justificativa para impor na segunda um prazo de 48 horas para que o presidente aceitasse partilhar poderes com a oposição ou renunciar.

Perante a resistência de Morsi, o chefe do Exército anunciou que ele estava sendo deposto por ter ignorado as reivindicações de unidade nacional. Segundo ele, a decisão foi tomada após uma reunião com representantes da sociedade civil.

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Chefe judicial do Egito, Adly Mansour (C), é aplaudido durante cerimônia de posse como presidente interino

"Os que estavam na reunião concordaram com um mapa para o futuro que inclua passos iniciais rumo a obter a construção de uma sociedade egípcia forte, que seja coesa e não exclua ninguém, e acabe com o estado de tensão e divisão", disse em um pronunciamento transmitido ao vivo pela TV estatal.

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Após a deposição de Morsi, Saad al-Katatni, líder da Partido Justiça e Liberdade (braço político da Irmandade Muçulmana), e Rashad al-Bayoumi, um de seus vices, foram presos. Nesta quinta, a promotoria anunciou que havia ordenado a prisão do líder máximo da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e seu vice, Khairat el-Shater. Horas depois, fontes de segurança egípcias informaram que Badie foi preso na na cidade costeira de Marsa Matrouh.

Depois das revoltas populares da Primavera Árabe, em 2011, vários políticos de tendência islâmica assumiram o poder em seus países. Morsi é o primeiro deles a ser derrubado, e o fato despertará questionamentos em toda a região, especialmente na Tunísia.

Repercussão

Os EUA vinham apoiando as declarações de Morsi sobre sua legitimidade democrática, mas o pressionavam cada vez mais para partilhar poderes com seus adversários. O presidente Barack Obama expressou profunda preocupação com a deposição do presidente egípcio e pediu um rápido retorno a um governo civil democraticamente eleito.

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Os EUA entregam 1,3 bilhão de dólares em ajuda militar ao Egito, e podem ser pressionados a impor sanções se houver a confirmação de que Morsi foi vítima de um golpe. A instabilidade no Egito já vinha causando grande preocupação entre aliados ocidentais do Cairo e em Israel, país com o qual o Egito estabeleceu um tratado de paz em 1979.

Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

Na quarta, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu calma e moderação no Egito, bem como a preservação de direitos como a liberdade de expressão e de reunião. "Muitos egípcios em seus protestos expressaram profundas frustrações e preocupações legítimas", disse em um comunicado que não condenava a deposição de Morsi.

"Ao mesmo tempo, a interferência militar nos assuntos de qualquer Estado é motivo de preocupação", disse. "Por isso, será fundamental reforçar rapidamente o governo civil de acordo com os princípios da democracia."

O mesmo apelo foi feito pela chefe de política externa da União Europeia (UE), Catherine Ashton. "Peço a todos os lados que o processo democrático volte rapidamente, incluindo a realização de eleições presidenciais e parlamentares livres e justas e a aprovação de uma Constituição, de forma plenamente inclusiva, de modo a permitir ao país retomar e concluir sua transição democrática", disse 

A UE mantém "de forma inequívoca o compromisso de apoiar o povo egípcio em suas aspirações de democracia e governança inclusiva", disse Ashton.

*Com AP e Reuters

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