Obama ordena revisão de auxílio ao Egito após deposição de islamita Morsi

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Sem chamar queda de golpe, líder pede retorno a governo civil. EUA ordenam saída de diplomatas não essenciais

O presidente dos EUA, Barack Obama, conclamou o Exército do Egito nesta quarta-feira e entregar sem atraso o controle do poder a um governo civil e democrático, mas evitou caracterizar a deposição do presidente islamita Mohammed Morsi como um golpe de Estado.

Anúncio: Exército do Egito depõe islamita Morsi e suspende Constituição

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Partidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio

No Twitter: Morsi caracteriza como golpe sua deposição no Egito

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Em uma declaração com palavras cuidadosamente escolhidas, Obama afirmou estar "profundamente preocupado" com a medida do Exército que depôs Morsi e suspendeu a Constituição. Ele anunciou ter ordenado que seu governo avalie o que essas ações militares significam para o auxílio externo dos EUA ao Egito.

Sob a lei americana, o governo deve suspender o auxílio externo a qualquer nação cujo líder eleito tenha sido deposto em um golpe de Estado. Os EUA fornecem anualmente US$ 1,5 bilhão em assistência militar e econômica ao Egito, algo visto como uma prioridade de segurança nacional crítica americana.

"Agora peço que o Exército egípcio atue rápida e responsavelmente para restaurar, assim que possível, a total autoridade a um governo eleito democraticamente por meio de um processo inclusivo e transparente e que evite quaisquer prisões arbitrárias do presidente Morsi e seus partidários", disse Obama.

Cerco: Egito prende líderes da Irmandade e tira do ar TVs pró-Morsi

Os EUA não estão defendendo nenhum dos lados no conflito, comprometendo-se apenas com a democracia e o respeito ao Estado de direito, disse Obama.

As Forças Armadas do Egito depuseram o islamita Morsi, o primeiro presidente democraticamenrte eleito do país, depois de apenas um ano no poder. O Exército instalou um governo civil temporário, suspendeu a Constituição e anunciou novas eleições. Após o anúncio, líderes da Irmandade Muçulmana, de Morsi, foram presos, tendo sido emitidos mandados de prisão contra 300 membros do grupo.

AP
Fogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (Egito)

Com paradeiro desconhecido, Morsi caracterizou pelo Twitter o anúncio do Exército como um golpe militar e pediu que todos os cidadãos, civis ou militares, respeitem a Constituição e a lei. Ele também pediu que todos os egípcios "evitem um banho de sangue". De acordo com um porta-voz da Irmandade, Morsi é mantido sob prisão domiciliar.

Reação: Oposição celebra queda de Morsi; partidários rejeitam 'governo militar'

"As vozes daqueles que protestaram pacificamente devem ser ouvidas, incluindo aquelas que celebraram os acontecimentos de hoje e aquelas que apoiavam o presidente Morsi", disse Obama, pedindo que todos os lados não recorram à violência.

Retirada de diplomatas não essenciais

Previamente ao pronunciamento de Obama, o Departamento de Estado americano ordenou seus diplomatas não essenciais e as famílias de toda a equipe da embaixada dos EUA a deixar o Egito.

Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

Não ficou claro se uma operação de retirada seria montada ou se os que deixarem o país terão de fazê-lo por aviões ou navios comerciais.

Pela segunda vez em dois anos e meio de tumultos políticos, o poderoso Exército se posicionou para retirar um líder do poder. Mas, dessa vez, depôs um presidente eleito democraticamente. A deposição aconteceu depois de ter expirado às 17 horas locais (12 horas em Brasília) o prazo de 48 horas dado a Morsi para resolver a crise política com a oposição.

Segunda: Exército do Egito dá ultimato de 48 horas para acordo político

Fim do ultimato: Assessor de Morsi diz que golpe está em andamento

Gritos de alegria surgiram entre os milhões de manifestantes que saíram às ruas desde a semana passada para reivindicar a queda de Morsi, que no domingo havia completado um ano no poder. Fogos de artifício clarearam o céu noturno da capital, Cairo. Em outros locais, partidários de Morsi gritaram: "Não ao governo militar!"

A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

Antes do anúncio do Exército, os partidários de Morsi haviam prometido que resistiriam ao que chamam de golpe contra a democracia. Confrontos entre manifestantes pró e contra Morsi deixaram dezenas de mortos desde domingo, e há temores de uma escalada do banho de sangue.

*Com AP, BBC e Reuters

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