Prisão de membros do grupo e investigação de presidente deposto visam a 'desmantelar movimento', diz porta-voz

O juiz graduado Adly Mansour assumiu a presidência interina do Egito nesta quinta-feira para substituir o líder deposto Mohammed Morsi , enquanto o Exército lançava uma grande repressão contra a Irmandade Muçulmana. Referindo-se ao que caracterizou como um golpe militar contra a democracia, o grupo disse que não colaboraria com o novo sistema político.

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Partidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser
AP
Partidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser

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À rede de TV CNN, o porta-voz da Irmandade Muçulmana, Gehad El-Haddad, disse que Morsi foi posto inicialmente sob prisão domiciliar no quartel presidencial da Guarda Republicana, sendo mais tarde transferido para o Ministério da Defesa. Morsi e outras oito ex-autoridades do governo - todos membros da Irmandade - foram proibidos de viajar e devem ser acusados por " insultar as autoridades judiciais e seus membros ", informou a estatal EgyNews.

A ofensiva contra a liderança da Irmandade incluiu o líder supremo do grupo, uma figura venerada entre seus seguidores, Mohammed Badie. Ele foi preso na noite de quarta em uma residência de verão em uma cidade na costa do Mediterrâneo e foi transferido de helicóptero para o Cairo, disseram funcionários de segurança. Badie é acusado de "incitar atos de violência" em frente à sede da Irmandade no início desta semana .

A prisão de Badie é uma medida dramática, já que mesmo o regime de Hosni Mubarak, deposto em 2011 , e seus predecessores relutaram em ter o principal líder do movimento como alvo. A Irmandade foi banida na maior parte dos seus 83 anos de existência, mas fazia décadas que seu principal guia religioso não era preso.

Além do líder supremo da organização, também foram presos nesta quinta o ex-líder supremo Mohamed Mahdi Akef, o ex-presidente do grupo Mahdi Aakef e seus guarda-costas e a figura salafista ultraconservadora Hazem Abu Ismail. Na quarta, Saad al-Katatni, líder da Partido Justiça e Liberdade (braço político da Irmandade), e Rashad al-Bayoumi, um de seus vices, foram presos

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Mandados de prisão foram emitidos contra o vice de Badei, Khairat el-Shater, e outros líderes da Irmandade sob a mesma acusação imputada contra o líder supremo. Haveria mandados de prisão contra outros 200 a 300 membros da Irmandade.

As ações contra a Irmandade levantam profundas questões de como os islamitas se encaixarão no novo sistema político do Egito depois da deposição de Morsi pelo Exército. Segundo Haddad, porta-voz do grupo, o que começou como um golpe militar estava "se tornando algo muito maior". Para ele, as prisões são "tentativas muito questionáveis do Exército de desmantelar a Irmandade".

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Uma coalizão islâmica liderada pela Irmandade convocou uma "Sexta-Feira da Rejeição" após a principal prece islâmica da semana, num primeiro teste do apoio remanescente a Morsi e de como o Exército lidará com isso.

Transição política

Aparentemente ciente dos riscos da polarização social, o presidente interino usou seu discurso de posse para fazer um aceno pacífico à Irmandade, base política de Morsi. "A Irmandade Muçulmana é parte deste povo e está convidada a participar da construção da nação, já que ninguém será excluído, e se eles responderem ao convite serão bem-vindos", afirmou.

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Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito
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A dramática queda de Morsi, que havia assumido o poder há pouco mais de um ano como o primeiro presidente eleito livremente no país, marca outra reviravolta na crise que envolve a mais populosa nação árabe desde o levante popular de 2011. Além da queda do presidente, o general Abdul Fattah al-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa, também anunciou a suspensão da Constituição e novas eleições, mas não especificou a data para a votação.

A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

*Com AP, Reuters e BBC

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