Movimento islâmico fica sob intensa pressão após queda de islamita, que é investigado por 'insultar Judiciário'

O líder supremo da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, foi preso na noite de quarta-feira na cidade costeira de Marsa Matrouh, localizada no Mediterrâneo e perto da fronteira da Líbia, e foi levado ao Cairo de helicóptero, afirmaram autoridades de segurança egípcias. A prisão amplia a repressão contra o movimento islâmico um dia depois que o Exército depôs Mohammed Morsi , o primeiro presidente eleito livremente na história do país.

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O anúncio da prisão aconteceu pouco depois de a promotoria egípcia ter anunciado a emissão de  mandados para a captura de Badie, e de seu vice, Khairat el-Shater . Badie estava em uma casa de verão de um empresário vinculado à Irmandade, grupo de Morsi. Além da queda do presidente, o general Abdul Fattah al-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa, também anunciou a suspensão da Constituição e novas eleições.

Shater, um rico empresário visto como o principal estrategista político da Irmandade, foi a primeira escolha do grupo para concorrer na eleição presidencial do ano passado, mas foi desqualificado por causa de condenações anteriores, forçando Morsi a assumir o seu lugar.

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A ordem de prisão contra Shater e Badie foi emitida sob acusações de incitar atos de violência que deixaram ao menos oito mortos em frente à sede da Irmandade Muçulmana no início desta semana no Cairo.

Autoridades indicam haver uma lista de procurados com mais de 200 nomes de funcionários e membros da Irmandade. Após a deposição de Morsi na quarta, Saad al-Katatni, líder da Partido Justiça e Liberdade (braço político do grupo), e Rashad al-Bayoumi, um de seus vices, foram presos . Sob condição de anonimato, uma autoridade afirmou que as detenções tinham relação com uma fuga da prisão durante o levante de 2011 que levou à queda do autocrata Hosni Mubarak .

Egípcio segura jornal com anúncio de queda de Mohammed Morsi perto da Praça Mesaha, no Cairo (4/7)
AP
Egípcio segura jornal com anúncio de queda de Mohammed Morsi perto da Praça Mesaha, no Cairo (4/7)

Investigação contra Morsi

Autoridades judiciais egípcias abriram uma investigação nesta quinta sobre as acusações de que Morsi, que é mantido em prisão domiciliar, e outros 15 islâmicos insultaram o Judiciário, disse o juiz Tharwat Hammad, impondo uma proibição de viagem a todos eles. Foi a segunda ordem formal proibindo Mursi de deixar o país desde sua deposição.

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Apesar das medidas, o chefe da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour , que assumiu como presidente interino do país no lugar de Morsi nesta quinta,  prometeu após sua posse buscar a conciliação com a Irmandade. "A Irmandade Muçulmana é parte deste povo e está convidada a participar da construção da nação, já que ninguém será excluído, e se eles responderem ao convite serão bem-vindos", afirmou Mansour.

A dramática queda de Morsi, que havia assumido o poder há pouco mais de um ano, marca outra reviravolta na crise que envolve a mais populosa nação árabe desde o levante popular de 2011.

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Pelo Twitter, o presidente deposto caracterizou na quarta sua deposição como um golpe militar e pediu que todos os cidadãos, civis ou militares, respeitassem a Constituição e a lei. Ele também pediu que todos os egípcios "evitassem um banho de sangue".

Em meio à instabilidade econômica e política, uma presença popular em massa nas ruas desde o dia 30 deu ao general Sissi uma justificativa para impor na segunda um prazo de 48 horas para que Morsi aceitasse partilhar poderes com a oposição ou renunciasse.

Adly Mansour participa de sua cerimônia de posse como presidente interino do Egito
Reuters
Adly Mansour participa de sua cerimônia de posse como presidente interino do Egito

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Perante a resistência de Morsi , o chefe do Exército anunciou após o ultimato expirar que o islamita estava sendo deposto por ter ignorado as reivindicações de unidade nacional. Segundo ele, a decisão foi tomada após uma reunião com representantes da sociedade civil.

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A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

*Com AP e Reuters

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