Egito prende líder supremo da Irmandade e investiga presidente deposto Morsi

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Movimento islâmico fica sob intensa pressão após queda de islamita, que é investigado por 'insultar Judiciário'

O líder supremo da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, foi preso na noite de quarta-feira na cidade costeira de Marsa Matrouh, localizada no Mediterrâneo e perto da fronteira da Líbia, e foi levado ao Cairo de helicóptero, afirmaram autoridades de segurança egípcias. A prisão amplia a repressão contra o movimento islâmico um dia depois que o Exército depôs Mohammed Morsi, o primeiro presidente eleito livremente na história do país.

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Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

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O anúncio da prisão aconteceu pouco depois de a promotoria egípcia ter anunciado a emissão de mandados para a captura de Badie, e de seu vice, Khairat el-Shater. Badie estava em uma casa de verão de um empresário vinculado à Irmandade, grupo de Morsi. Além da queda do presidente, o general Abdul Fattah al-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa, também anunciou a suspensão da Constituição e novas eleições.

Shater, um rico empresário visto como o principal estrategista político da Irmandade, foi a primeira escolha do grupo para concorrer na eleição presidencial do ano passado, mas foi desqualificado por causa de condenações anteriores, forçando Morsi a assumir o seu lugar.

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A ordem de prisão contra Shater e Badie foi emitida sob acusações de incitar atos de violência que deixaram ao menos oito mortos em frente à sede da Irmandade Muçulmana no início desta semana no Cairo.

Autoridades indicam haver uma lista de procurados com mais de 200 nomes de funcionários e membros da Irmandade. Após a deposição de Morsi na quarta, Saad al-Katatni, líder da Partido Justiça e Liberdade (braço político do grupo), e Rashad al-Bayoumi, um de seus vices, foram presos. Sob condição de anonimato, uma autoridade afirmou que as detenções tinham relação com uma fuga da prisão durante o levante de 2011 que levou à queda do autocrata Hosni Mubarak.

AP
Egípcio segura jornal com anúncio de queda de Mohammed Morsi perto da Praça Mesaha, no Cairo (4/7)

Investigação contra Morsi

Autoridades judiciais egípcias abriram uma investigação nesta quinta sobre as acusações de que Morsi, que é mantido em prisão domiciliar, e outros 15 islâmicos insultaram o Judiciário, disse o juiz Tharwat Hammad, impondo uma proibição de viagem a todos eles. Foi a segunda ordem formal proibindo Mursi de deixar o país desde sua deposição.

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Apesar das medidas, o chefe da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour, que assumiu como presidente interino do país no lugar de Morsi nesta quinta,  prometeu após sua posse buscar a conciliação com a Irmandade. "A Irmandade Muçulmana é parte deste povo e está convidada a participar da construção da nação, já que ninguém será excluído, e se eles responderem ao convite serão bem-vindos", afirmou Mansour.

A dramática queda de Morsi, que havia assumido o poder há pouco mais de um ano, marca outra reviravolta na crise que envolve a mais populosa nação árabe desde o levante popular de 2011.

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Pelo Twitter, o presidente deposto caracterizou na quarta sua deposição como um golpe militar e pediu que todos os cidadãos, civis ou militares, respeitassem a Constituição e a lei. Ele também pediu que todos os egípcios "evitassem um banho de sangue".

Em meio à instabilidade econômica e política, uma presença popular em massa nas ruas desde o dia 30 deu ao general Sissi uma justificativa para impor na segunda um prazo de 48 horas para que Morsi aceitasse partilhar poderes com a oposição ou renunciasse.

Reuters
Adly Mansour participa de sua cerimônia de posse como presidente interino do Egito

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Perante a resistência de Morsi, o chefe do Exército anunciou após o ultimato expirar que o islamita estava sendo deposto por ter ignorado as reivindicações de unidade nacional. Segundo ele, a decisão foi tomada após uma reunião com representantes da sociedade civil.

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A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

*Com AP e Reuters

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