Ultimato expira no Egito, e assessor de Morsi diz que golpe está em andamento

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Exército havia dado a presidente egípcio prazo de 48 horas para resolver crise política; violência deixou 39 mortos

O prazo de 48 horas dado pelo Exército ao presidente do Egito, Mohammed Morsi, para resolver a crise política expirou nesta quarta-feira às 17 horas locais (12 horas em Brasília). Após o fim do ultimato, soldados apoiados por blindados e comandos se posicionaram em boa parte do Cairo, cercando manifestações de partidários do presidente, instalações-chave e importantes intersecções.

Militares: Exército do Egito posiciona soldados perto de protestos

Horas antes do ultimato: Cúpula do Exército egípcio faz reunião

AP
Opositor do presidente do Egito, Mohammed Morsi, grita durante protesto do lado de fora do palácio presidencial no Cairo

Véspera: Morsi descarta renúncia em meio a protestos e pressão militar

No Facebook, o assessor de Morsi afirmou que um golpe militar está em andamento, acrescentando, porém, que nenhum golpe poderá ter êxito contra a resistência popular sem um considerável banho de sangue. "Pelo bem do Egito e pela precisão histórica, vamos chamar o que está acontecendo pelo seu nome real: golpe militar", disse na rede social.

Funcionários do aeroporto disseram que uma proibição de viagem foi emitida contra o presidente, o líder da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e seu vice, Khairat el-Shater. Segundo os funcionários, a medida tem relação com a fuga prisional de Morsi com outros 30 membros da Irmandade durante o levante de 2011 contra o autocrata Hosni Mubarak.

Grandes multidões de oponentes de Morsi estão reunidos na Praça Tahrir, no Cairo, e em outros locais em todo o país, empunhando bandeiras na expectativa de que o Exército atue para depor o presidente islâmico depois do fim do prazo.

Plano: Exército prevê suspender Constituição e dissolver Parlamento

As Forças Armadas não disseram se agiriam imediatamente logo após o ultimato expirar. Mas afirmaram que imporiam seu próprio plano político se Morsi fracassasse em satisfazer as demandas dos manifestantes.

AP
Militar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo

Antes de o ultimato expirar, Morsi reiterou que não renunciará apesar da pressão dos milhões que saíram às ruas nas maiores manifestações que o país já viu, até superando as do levante que depôs Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011. Segundo o líder egípcio, respeitar sua legitimidade eleitoral é a única forma de evitar a violência. Ele criticou o Exército por "tomar apenas um lado".

"Um erro que não pode ser aceito, e digo isso como presidente de todos os egípcios, é ser parcial", afirmou em uma declaração divulgada por seu escritório. "A Justiça determina que as vozes das massas em todas as praças sejam ouvidas", disse, repetindo sua oferta para manter um diálogo com seus oponentes.

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De acordo com o assessor presidencial Yasser Haddara, Morsi passou toda a manhã desta quarta trabalhando normalmente em um escritório dentro do complexo da Guarda Republicana no subúrbio do Cairo. Ele disse que não está claro se o presidente terá permissão para sair do local e voltar para o palácio presidencial. 

Segundo a Reuters, o Exército egípcio ergueu barricadas de arame farpado ao redor do local onde Morsi trabalhava e posicionou veículos e militares para impedir que seus partidários marchem para seu palácio.

Pela segunda vez em dois anos e meio de tumultos políticos, o poderoso Exército parece estar posicionado para retirar um líder do poder. Mas, dessa vez, estaria depondo um presidente eleito democraticamente, o primeiro na história do Egito - tornando a medida potencialmente explosiva.

A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta de 2011. Mas os opositores de Morsi dizem querer a saída de um presidente que creem ter perdido sua legitimidade ao tentar monopolizar o poder com os islamitas - e, para isso, defendem até mesmo a intervenção do Exército para pôr o país em um caminho mais democrático.

Segunda: Exército do Egito dá ultimato de 48 horas para acordo político

Na segunda, as Forças Armadas deram o ultimato a Morsi, indicando posteriormente que, se o presidente não resolvesse a crise com seus oponentes, interviririam e imporiam um plano para suspender a Constituição, dissolver o Parlamento e substituí-lo por um conselho de liderança.

Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

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Os partidários islâmicos de Morsi prometeram resistir ao que chamam de golpe contra a democracia e saíram às ruas às dezenas de milhares. Ao menos 39 pessoas morreram em confrontos no país desde domingo, aumentando temores de um banho de sangue.

No início do dia, o chefe do Exército, o ministro da Defesa Abdel-Fattah el-Sissi, reuniu-se com o principal defensor de reformas Mohammed ElBaradei, com o principal clérigo muçulmano do país, Al-Azhar Sheik Ahmed el-Tayeb e com o papa copta Tawadros 2º para discutir seu plano político, disse o porta-voz da oposicionista Frente Nacional Democrática, Khaled Daoud, na TV estatal.

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Também participaram do encontro um representante do novo movimento jovem por trás dos protestos desta semana e alguns membros dos movimentos ultraconservadores salafistas.

*Com AP, Reuters e BBC

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