Twitter da presidência egípcia cita líder deposto dizendo que ação dos militares é 'rejeitada por homens livres'

Um comunicado divulgado pelo gabinete da presidência do Egito por meio de sua conta oficial no Twitter citou Mohammed Morsi caracterizando as medidas tomadas pelo Exército nesta quarta-feira (3) como um "golpe completo". 

Reação: Oposição celebra queda de Morsi; partidários rejeitam 'governo militar'

A denúncia foi publicada pouco depois de o Exército do Egito anunciar a deposição do islamita Morsi , o primeiro líder do país eleito democraticamente .

Anúncio: Exército do Egito depõe islamita Morsi suspende Constituição

Antes do anúncio: Exército assume posições no Egito

Manifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7)
AP
Manifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7)


Saiba mais: Entenda a crise que levou à queda de Morsi no Egito

Em um discurso televisionado pela rede estatal, o ministro da Defesa e chefe do Exército egípcio, Abdul Fattah al-Sissi, informou que Morsi será substituído pelo chefe da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour, de 68 anos, e que a Constituição de viés islâmico foi suspensa .

Morsi foi citado dizendo que tais medidas "representam um golpe completo categoricamente rejeitado por todos os homens livres de nossa nação". 

Véspera: Morsi descarta renúncia em meio a protestos e pressão militar

O paradeiro de Morsi segue desconhecido. Ayman Ali, um assessor do presidente deposto, disse que Morsi foi transferido para uma localização não especificada e não deu mais detalhes.

Gehad El-Haddad, porta-voz da Irmandade Muçulmana, de Morsi, disse no Twitter que o Egito entrou "em outro ciclo de golpe militar". "A população do Egito terá de engolir isso novamente", afirmou.

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Em seu pronunciamento, o general Sissi afirmou que as decisões foram tomadas após encontros com vários representantes da sociedade civil e após Morsi ter resistido ao ultimato dado na segunda-feira que o conclamava a resolver a crise com a oposição.

"O discurso do presidente na noite de ontem ( terça ) foi contrário às aspirações e as demandas populacionais. Isso forçou as Forças Armadas a consultar algumas figuras nacionais - políticas, religiosas e a juventude -, e aqueles que compareceram a esses encontros concordaram com um plano político que construirá uma sociedade egípcia forte e unida."

Segunda: Exército do Egito dá ultimato de 48 horas para acordo político

Fim do ultimato: Assessor de Morsi diz que golpe está em andamento

Pela segunda vez em dois anos e meio de tumultos políticos, o poderoso Exército se posicionou para retirar um líder do poder. Mas, dessa vez, depôs um presidente eleito democraticamente , o primeiro na história do Egito. A deposição aconteceu depois de ter expirado às 17 horas locais (12 horas em Brasília) o prazo de 48 horasdado na segunda a Morsi para resolver a crise política.

"O Exército vê que a população egípcia pede seu apoio, não assuma o poder ou governo, mas que sirva ao interesse público e proteja a revolução", acrescentou o general em referência à deposição do presidente autocrata Hosni Mubarak em fevereiro de 2011, após 18 dias de protestos em massa. "Essa é a mensagem que as Forças Armadas receberam de todas as esquinas do Egito."

Gritos de alegria surgiram entre os milhões de manifestantes que saíram às ruas desde a semana passada para reivindicar a queda de Morsi, que no domingo completou um ano no poder. Fogos de artifício clarearam o céu noturno da capital, Cairo. Em outros locais, partidários de Morsi gritaram: "Não ao governo militar!"

Com AP e BBC

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