Medida é tomada após fim de ultimato imposto contra presidente; Exército anuncia deposição de governo

Militares do Exército apoiados por blindados e comandos se posicionaram em boa parte da capital do Egito nesta quarta-feira (3), cercando manifestações de partidários do presidente Mohammed Morsi, instalações-chave e importantes intersecções.

Fim do ultimato: Assessor de Morsi diz que golpe está em andamento

Militar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo
AP
Militar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo

Horas antes do ultimato: Cúpula do Exército egípcio faz reunião

Repórteres da Associated Press em várias partes do Cairo disseram que os soldados estão em pontes estratégicas e perto de locais de protestos de simpatizantes de Morsi.

Um repórter da BBC viu oito blindados nas ruas e soldados pesadamente armados em uma estrada onde estão partidários do líder egípcio. "O Exército está por toda a parte da cidade - é como se tomassem controle do Cairo e do Egito", relatou.

O posicionamento é parte de uma medida tomada pelo Exército para aumentar seu controle sobre as instituições egípcias nesta quarta, dia em que os militares depuseram o governo de Morsi. O golpe veio depois de ter expirado às 17 horas locais (12 horas em Brasília) o prazo de 48 horas  dado na segunda a Morsi para resolver a crise política.

Segunda: Exército do Egito dá ultimato de 48 horas para acordo político

O chefe do Exército, o ministro da Defesa Abdul Fattah al-Sissi, anunciou que a Constituição de viés islâmico foi suspensa temporariamente e um governo tecnocrata será formado para administrar o país interinamente até a realização de novas eleições presidenciais. O gabinete será chefiado pelo chefe da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour, de 68 anos.

Funcionários do aeroporto disseram que uma proibição de viagem foi emitida contra o presidente, o líder da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e seu vice, Khairat el-Shater. Segundo os funcionários, a medida tem relação com a fuga prisional de Morsi com outros 30 membros da Irmandade durante o levante de 2011 contra o autocrata Hosni Mubarak .

Véspera: Morsi descarta renúncia em meio a protestos e pressão militar

Opositor do presidente do Egito, Mohammed Morsi, grita durante protesto do lado de fora do palácio presidencial no Cairo
AP
Opositor do presidente do Egito, Mohammed Morsi, grita durante protesto do lado de fora do palácio presidencial no Cairo

Plano: Exército prevê suspender Constituição e dissolver Parlamento

De acordo com o assessor presidencial Yasser Haddara, Morsi passou toda a manhã desta quarta trabalhando normalmente em um escritório dentro do complexo da Guarda Republicana no subúrbio do Cairo. Ele disse que não está claro se o presidente terá permissão para sair do local e voltar para o palácio presidencial.

Antes de o ultimato expirar, Morsi havia reiterado que não renunciaria apesar da pressão dos milhões que saíram às ruas nas maiores manifestações que o país já viu, até superando as do levante que depôs Mubarak , em fevereiro de 2011. Segundo o líder egípcio, respeitar sua legitimidade eleitoral era a única forma de evitar a violência. Ele chegou a criticar o Exército por "tomar apenas um lado".

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"Um erro que não pode ser aceito, e digo isso como presidente de todos os egípcios, é ser parcial", afirmou em uma declaração divulgada por seu escritório. "A Justiça determina que as vozes das massas em todas as praças sejam ouvidas", disse, repetindo sua oferta para manter um diálogo com seus oponentes.

Pela segunda vez em dois anos e meio de tumultos políticos, o poderoso Exército se posiciona para retirar um líder do poder. Mas, dessa vez, foi deposto um  presidente eleito democraticamente , o primeiro na história do Egito.

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A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta de 2011. Mas os opositores de Morsi diziam querer a saída de um presidente que, segundo eles, teria perdido sua legitimidade ao tentar monopolizar o poder com os islamitas.

Tamarod: O movimento que quer saída de presidente do Egito

Na segunda, as Forças Armadas deram o ultimato a Morsi, indicando posteriormente que, se o presidente não resolvesse a crise com seus oponentes, interviririam e imporiam um plano para suspender a Constituição, dissolver o Parlamento e substituí-lo por um conselho de liderança.

Os partidários islâmicos de Morsi prometeram resistir ao que chamam de golpe contra a democracia e saíram às ruas às dezenas de milhares. Ao menos 39 pessoas morreram em confrontos no país desde domingo, aumentando temores de um banho de sangue.

*Com AP, Reuters e BBC

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