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Governo tecnocrata liderado por chefe da Suprema Corte Constitucional governará interinamente até novas eleições

O chefe do Exército do Egito, o ministro da Defesa Abdul Fattah al-Sissi, anunciou nesta quarta-feira a queda do presidente islamita Mohammed Morsi, informando que ele será substituído pelo chefe da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour, de 68 anos, e que a Constituição de viés islâmico foi suspensa .

Reação: Oposição celebra queda de Morsi; partidários rejeitam 'governo militar'

No Twitter: Morsi caracteriza como golpe sua deposição no Egito

Em um discurso televisionado pela rede estatal, o general Sissi disse que um governo tecnocrata será formado para administrar o país durante um período de transição, que ele não especificou, até a realização de novas eleições. Em reação ao anúncio, o presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou a revisão do auxílio anual que envia ao país e pediu o retorno rápido a um governo civil.

Saiba mais: Entenda a crise que levou à queda de Morsi no Egito

Reprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia
AP
Reprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia


Véspera: Morsi descarta renúncia em meio a protestos e pressão militar

Em uma declaração no Twitter, Morsi caracterizou o anúncio do Exército como um golpe militar e pediu que todos os cidadãos, civis ou militares, respeitem a Constituição e a lei. Ele também pediu que todos os egípcios "evitem um banho de sangue". Ayman Ali, um assessor do presidente deposto, disse que o ex-presidente foi transferido para uma localização não especificada. Ele não deu mais detalhes. Posteriormente, um porta-voz da Irmandade Muçulmana, de Morsi, disse que ele está sob prisão domiciliar.

Cerco: Egito prende líderes da Irmandade e tira do ar TVs pró-Morsi

Gehad El-Haddad, também porta-voz da Irmandade, disse no Twitter que o Egito entrou "em outro ciclo de golpe militar". "A população do Egito terá de engolir isso novamente", afirmou. Após o discurso de Sissi, dois líderes da Irmandade foram presos , tendo sido emitidos mandados de prisão para 300 membros do grupo, informou a mídia estatal.

Em seu pronunciamento, o general Sissi afirmou que as decisões foram tomadas após encontros com vários representantes da sociedade civil e após Morsi ter resistido ao ultimato dado na segunda-feira que o conclamava a resolver a crise com a oposição.

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Fogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (Egito)
AP
Fogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (Egito)

Antes do anúncio: Exército assume posições no Egito

"O discurso do presidente na noite de ontem (terça) foi contrário às aspirações e às demandas populacionais. Isso forçou as Forças Armadas a consultar algumas figuras nacionais - políticas, religiosas e a juventude -, e aqueles que compareceram a esses encontros concordaram com um plano político que construirá uma sociedade egípcia forte e unida."

Pela segunda vez em dois anos e meio de tumultos políticos, o poderoso Exército se posicionou para retirar um líder do poder. Mas, dessa vez, depôs um presidente eleito democraticamente , o primeiro na história do Egito. A deposição aconteceu depois de ter expirado às 17 horas locais (12 horas em Brasília) o prazo de 48 horas dado a Morsi para resolver a crise política.

Segunda: Exército do Egito dá ultimato de 48 horas para acordo político

Fim do ultimato: Assessor de Morsi diz que golpe está em andamento

"O Exército vê que a população egípcia pede seu apoio, não assuma o poder ou o governo, mas sirva ao interesse público e proteja a revolução", acrescentou o general em referência à deposição do presidente autocrata Hosni Mubarak em fevereiro de 2011, após 18 dias de protestos em massa. "Essa é a mensagem que as Forças Armadas receberam de todas as esquinas do Egito."

Funcionários do aeroporto disseram que uma proibição de viagem foi emitida contra o ex-presidente, o líder da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e seu vice, Khairat el-Shater. Segundo os funcionários, a medida tem relação com a fuga prisional de Morsi com outros 30 membros da Irmandade durante o levante contra Mubarak .

Gritos de alegria surgiram entre os milhões de manifestantes que saíram às ruas desde a semana passada para reivindicar a queda de Morsi, que no domingo havia completado um ano no poder. Fogos de artifício clarearam o céu noturno da capital, Cairo. Em outros locais, partidários de Morsi gritaram: "Não ao governo militar!"

Repercussão: Obama ordena revisão de auxílio ao Egito

A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

Antes do anúncio do Exército, os partidários de Morsi haviam prometido que resistiriam ao que chamam de golpe contra a democracia. Na cidade de Marsa Matrouh, norte do Egito, confrontos entre manifestantes pró e contra Morsi deixaram quatro mortos, elevando para 43 o número de mortos desde domingo.

Militar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo
AP
Militar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo

Depois que o ultimato a Morsi expirou, militares do Exército apoiados por blindados e comandos se posicionaram em boa parte da capital , cercando manifestações de partidários do presidente deposto, instalações-chave e importantes intersecções.

No início do dia, o general Sissi reuniu-se com o principal defensor de reformas Mohammed ElBaradei, com o principal clérigo muçulmano do país, Al-Azhar Sheik Ahmed el-Tayeb, e com o papa copta Tawadros 2º para discutir seu plano político, disse o porta-voz da oposicionista Frente Nacional Democrática, Khaled Daoud, na TV estatal.

Tamarod: O movimento que quer saída de presidente do Egito

Também participaram do encontro um representante do novo movimento jovem por trás dos protestos de oposição a Morsi e alguns membros dos movimentos ultraconservadores salafistas.

*Com AP, BBC e Reuters

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