Saiba quais eventos contribuíram para queda do primeiro presidente do Egito eleito democraticamente

O Exército do Egito anunciou nesta quarta-feira (3) o fim do governo do presidente islamita Mohammed Morsi , afirmando que ele será substituído pelo líder da Suprema Corte Constitucional.

Leia também: Exército do Egito anuncia queda de governo Morsi

Opositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram fim do ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo
AP
Opositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram fim do ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo

Militares: Exército do Egito posiciona soldados perto de protestos

O anúncio dos militares ocorreu após dias de manifestações e confrontos violentos entre opositores e partidários de Morsi, que deixaram 39 mortos em todo o país. 

Relembre os principais fatos do Egito nos últimos dois anos

25 de janeiro de 2011 a 11 de fevereiro de 2011: Egípcios vão às ruas em todo o país contra o regime do presidente Hosni Mubarak . Centenas são mortos durante a tentativa dos aliados do líder de oprimir o levante;

11 de fevereiro de 2011: Mubarak renuncia e entrega o poder ao Exército. Os militares dissolvem o Parlamento e suspendem a Constituição, cumprindo duas exigências dos manifestantes;

9 de outubro de 2011: Tropas esmagam protesto de cristãos no Cairo durante um ataque a uma igreja, matando mais de 25 manifestantes ;

28 de novembro de 2011 a 15 de fevereiro de 2012: Eleitores no Egito vão às urnas durante votação parlamentar . A Irmandade Muçulmana conquista quase metade dos assentos da Câmara baixa e os ultraconservadores salafistas garantem 25%. Os restantes são ocupados por liberais, independentes e políticos seculares. Na Câmara alta, mais poderosa, islâmicos conquistam 90% dos assentos;

23 e 24 de maio de 2012: O primeiro turno das eleições presidenciais do país tem 13 candidatos . Morsi e Ahmed Shafiq, último premiê da era Mubarak, vão para o segundo turno

14 de junho de 2012: A Suprema Corte Constitucional ordena a dissolução da câmara baixa do Parlamento

16 e 17 de junho de 2012: Egípcios votam no segundo turno da eleição presidencial. Morsi é eleito com 51,7% dos votos

30 de junho de 2012: Morsi toma posse

19 de novembro de 2012: Membros dos partidos liberais e representantes das igrejas do Egito se retiram da assembleia constituinte em protesto contra as tentativas dos islâmicos de impor suas vontades

22 de novembro de 2012: Unilateralmente, Morsi decreta maiores poderes para si , concedendo ao presidente decisões de imunidade judicial e impedindo as cortes de dissolver a assembleia constituinte e a câmara alta do Parlamento. A atitude provoca dias de protestos

30 de novembro de 2012: Islâmicos da assembleia constituinte correm para aprovar o projeto da Constituição. Morsi marca o referendo para aprovação para o dia 15 de dezembro

4 de dezembro de 2012: Mais de 100 mil manifestantes marcham até o palácio presidencial exigindo o cancelamento do referendo e a elaboração de uma nova Constituição. No dia seguinte, islâmicos atacam um protesto anti-Morsi , provocando confrontos nas ruas que deixam ao menos 10 mortos

15 a 25 de dezembro de 2012: No referendo de dois turnos, egípcios aprovam a Constituição , com 63,8% dos votos. Comparecimento às urnas é baixo

25 de janeiro de 2013: Milhares de manifesntantes opositores a Morsi protestam no segundo aniversário do início da revolta contra Mubarak ; confrontos são registrados em várias partes do país

Fevereiro a março de 2013: Manifestações violentas são registradas em Port Said e em outras cidades por semanas, deixando dezenas de mortos em confrontos

7 de abril de 2013: Mobilização muçulmana ataca a principal catedral da Igreja Ortodoxa Copta enquanto cristãos participavam de um funeral e uma manifestação após a morte de quatro cristãos em episódios de violência sectária. O papa Tawadros 2º culpa Morsi pelo fracasso em proteger o local

23 de junho de 2013: Multidão bate até à morte em quatro egípcios xiitas em um vilarejo nos arredores de Cairo

30 de junho de 2013: Milhões de egípcios se manifestam , pedindo a renúncia de Morsi. Oito são mortos em confrontos do lado de fora da sede da Irmandade Muçulmana no Cairo

1º de julho de 2013: Protestos em larga esclada continuam, e o poderoso Exército militar egípcio dá ao presidente 48 horas para resolver crise política , ou intervirá na situação

2 de julho de 2013: Autoridades do Exército revelam detalhes dos planos do Exército caso um acordo não seja firmado para colocar fim à crise política: substituir Morsi por um governo interino, suspender a Constituição, dissolver o Parlamento e convocar eleições dentro de um ano. Em discurso, Morsi promete defender sua legitimidade e diz que não renunciará

3 de julho de 2013: Expira o ultimato para Morsi e a oposição alcançarem um acordo. Exército anuncia queda de governo Morsi e medidas para período de transição

Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.