Há 300 mandados de prisão contra membros do grupo de presidente deposto, que estaria sob prisão domiciliar

Saad al-Katatni, líder da Partido Justiça e Liberdade (braço político da Irmandade Muçulmana), e Rashad al-Bayoumi, um de seus vices, foram presos horas depois de o Exército do Egito depor o presidente islamita Mohammed Morsi e suspender a Constituição de viés islâmico aprovada em referendo no ano passado. De acordo com a imprensa local, foram emitidos mandados de prisão contra 300 membros da Irmandade Muçulmana.

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Manifestantes anti-Morsi caminham com bandeiras em punho ao celebrar deposição no Cairo, Egito
Reuters
Manifestantes anti-Morsi caminham com bandeiras em punho ao celebrar deposição no Cairo, Egito

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Sob condição de anonimato, uma autoridade afirmou que as detenções têm relação com uma fuga da prisão durante o levante de 2011 que levou à queda do autocrata Hosni Mubarak . Morsi, que também é da Irmandade Muçulmana e se tornou o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito há um ano , também é procurado no caso. Mais de 30 membros da Irmandade escaparam da prisão em janeiro de 2011. 

Antes mesmo do anúncio da deposição de Morsi, funcionários do aeroporto disseram que, por causa da fuga há mais de dois anos, uma proibição de viagem foi emitida contra o ex-presidente, o líder da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e seu vice, Khairat el-Shater.

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Gehad el-Haddad, um porta-voz do partido da Irmandade Muçulmana, disse que Morsi estava sob prisão domiciliar em uma instalação da Guarda Presidencial onde ele residia. Segundo Haddad, 12 assessores presidenciais de Morsi também estão sob prisão domiciliar. Pelo Twitter, o ex-presidente  caracterizou o anúncio do Exército como um golpe militar e pediu que todos os cidadãos, civis ou militares, respeitem a Constituição e a lei. Ele também pediu que todos os egípcios "evitem um banho de sangue".

Previamente, um tribunal de apelações do Egito manteve a sentença de um ano de prisão contra o primeiro-ministro Hisham Kandil e determinou sua remoção do cargo, disse uma fonte judicial. Kandil recebeu a sentença em abril por não ter implementado uma decisão judicial para renacionalizar uma companhia têxtil privatizada durante o governo de Mubarak.

Estações de TV que pertencem à Irmandade Muçulmana saíram do ar após o discurso em que o general Abdul Fattah al-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa do Egito, anunciou que Morsi será substituído pelo chefe da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour, 68, e um governo tecnocrata será formado para administrar o país durante um período de transição, que ele não especificou, até a realização de novas eleições.

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Reprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia
AP
Reprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia

Segundo a agência de notícias estatal Mena, os gerentes do canal Misr25, do movimento, foram presos. Há também informações de que forças de segurança invadiram escritórios do Mubasher Misr, canal egípcio da Al-Jazeera, prendendo vários funcionários.

Deposição

Pela segunda vez em dois anos e meio de tumultos políticos, o poderoso Exército se posicionou para retirar um líder do poder. Mas, dessa vez, depôs um presidente eleito democraticamente. A deposição aconteceu depois de ter expirado às 17 horas locais (12 horas em Brasília) o prazo de 48 horas dado a Morsi para resolver a crise política  com a oposição.

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Gritos de alegria surgiram entre os milhões de manifestantes que saíram às ruas desde a semana passada para reivindicar a queda de Morsi, que no domingo havia completado um ano no poder. Fogos de artifício clarearam o céu noturno da capital, Cairo. Em outros locais, partidários de Morsi gritaram: "Não ao governo militar!"

A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

Antes do anúncio do Exército, os partidários de Morsi haviam prometido que resistiriam ao que chamam de golpe contra a democracia. Confrontos entre manifestantes pró e contra Morsi deixaram dezenas de mortos desde domingo, e há temores de uma escalada do banho de sangue.

*Com AP, BBC e Reuters

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