Cúpula do Exército egípcio faz reunião a poucas horas do fim do ultimato

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Protestos violentos deixaram 16 mortos nesta madrugada, elevando vítimas fatais para 39 desde domingo

Os comandantes do Exército do Egito realizam nesta quarta-feira (3) uma reunião em meio à proximidade do fim do prazo dado pelos militares ao presidente Mohammed Morsi para dar uma resposta aos protestos mortais que assolam o país.

AP
Opositores ao presidente egípcio Mohammed Morsi gritam enquanto carregam um caixão simbólico do presidente durante protesto na Praça Tahrir, no Cairo

Em comunicado divulgado na terça-feira (2), Morsi rejeitou o ultimato, que dizia que o presidente deveria "cumprir as exigências populares" ou enfrentar uma intervenção militar. Morsi insisite que ele é o líder legítimo do Egito, o primeiro eleito democraticamente no país, e não renunciará.

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O Exército deu um prazo de até às 17h no horário local (12h em Brasília) desta quarta-feira para que a crise esteja sob controle. Em comunicado, os militares afirmaram: "Juramos por Deus que sacrificaremos nosso sangue pelo Egito e pelo seu povo para defendê-lo contra qualquer terrorista, radical ou tolo."

A mídia informou que os planos do Exército incluem um prazo para uma nova eleição presidencial, a suspensão da nova constituição e a dissolução do Parlamento. Uma fonte militar afirmou à agência de notícias Reuters que essas reportagens não eram verdadeiras e que o prazo marcaria o início do diálogo sobre o que deverá ser feito depois.

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Na quarta, uma autoridade do Ministério da Defesa disse que o chefe do Exército, o general Abdel Fattah al-Sissi - que travou conversas com Morsi no início da semana - estava em reunião com seus comandantes, conforme o prazo final se aproximava. Uma fonte afirmou à agência AFP que os militares estavam discutindo detalhes de um plano pós-Morsi.

Mas um porta-voz da Irmandade Muçulmana, que apoia o presidente egípcio, disse que o Exército não tinha direito de sugerir um plano como esse. "Um plano político é algo que a Constituição delineia e o presidente direciona. Não é papel do Exército", disse Gehad el-Haddad.

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Ele afirmou que a Irmandade estava aberta a qualquer solução, mas que ela tinha que vir através dos "representantes da população" e propôs uma aceleração por meio de eleições parlamentares.

Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

Fontes do Exército afirmaram à BBC que a posição do presidente estava ficando cada vez mais "fraca" a cada minuto que se passava e sugeriu que, sob um projeto de um plano, ele poderia ser substituído por um conselho formado por partidos, civis e tecnocratas até as novas eleições.

Violência

Confrontos violentos foram registrados entre opositores e partidários de Morsi. Ao menos 39 foram mortos desde que os protestos ganharam força no domingo. Somente na terça-feira, 16 partidários do presidente morreram durante uma manifestação na Universidade do Cairo.

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Em um discurso desafiador na noite de terça-feira, ele também disse que daria sua vida para defender a legitimidade constitucional e culpou a corrupção e os remanescentes do regime deposto de Hosni Mubarak pela insurreição popular.

Pedindo aos manifestantes que respeitem a lei, ele exigiu a formação de um comitê de reconciliação bem como uma carta de ética para a mídia, e disse que estava preparado para atender todos os grupos e indivíduos como parte de um processo de diálogo nacional.

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