Presidente rejeita ultimato militar e agrava crise no Egito

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Cinco ministros pedem renúncia ao governo e jovens manifestantes prometem desobediência civil no país

O presidente do Egito, Mohamed Morsi, rejeitou um ultimato militar de 48 horas para forçar uma resolução da crise política no país, dizendo nesta terça-feira (2) que não foi consultado e que seguirá seus próprios planos para a reconciliação nacional.

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Partidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo

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Morsi disse que uma parte do comunicado "pode provocar confusão em um cenário nacional complexo". Ele prometeu manter-se fiel ao seu plano "nacional de reconciliação".

"A presidência garante que o presidente está em sua trajetória pré-programada de realizar uma abrangente reconciliação nacional", disse em comunicado da presidência divulgado nesta terça-feira (2).

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O Exército alertou que interviria se o governo e seus opositores fracassarem em prestar atenção "à vontade popular". Entretanto, nega que o ultimato signifique um golpe militar.

Em anúncio lido na TV egípcia, o general Abdel Fattah al-Sisi, ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas, descreveu os protestos como uma expressão "sem precedentes" da vontade popular. Ele afirmou que se as demandas da população não fossem cumpridas, o Exército teria que se responsabilizar por um plano futuro.

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Apesar do Exército ter afirmado que não se envolveria na política e no governo, as palavras do general foram ouvidas por muitos como a preparação para um golpe. Por todo o Cairo, foram ouvidas celebrações de manifestantes que interpretaram o ultimato do Exército como a proximidade do fim do governo de Morsi.

Exército dá ultimato a Morsi:

O movimento da oposição deu a Morsi até a tarde desta terça para renunciar e convocar eleições presidenciais, ou o seu governo enfrentará uma intensa campanha de desobediência civil. No sábado, o grupo Tamarod, que organiza os protestos, disse ter coletado mais de 22 milhões de assinaturas - mais de 25% da população do Egito - em apoio à renúncia do presidente.

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Do outro lado, Muhammad al-Biltaji, uma autoridade da Irmandade Muçulmana, convocou os partidários de Morsi a "avisar seus familiares em todos os vilarejos do Egito para estarem preparados para tomar as ruas e lotar os bairros (em apoio ao presidente)". "Qualquer golpe de qualquer tipo somente passará acima dos nossos cadáveres", disse do lado de fora da mesquita Rab'ah al0Adawiyah, no distrito de Nasr, no Cairo.
Crise política

A agência de notícias estatal egípcia Mena afirmou que o chanceler Mohamed Kamel Amr entrou com pedido de renúncia ao seu cargo. Se for aceito, ele se juntaria a ao menos cinco outro ministros que supostamente renunciaram diante da crise política.

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AP
Opositora do presidente islâmico Mohammed Morsi segura um cartaz em árabe no qual lê-se: "Tamarod: o fim do regime da Irmandade Muçulmana" (30/6)

Na segunda-feira, os ministros do Turismo, Meio Ambiente, Comunicação, Água e Negócios Jurídicos pediram a renúncia em ato de "solidariedade com as exigências populares de derrubar o regime".

No domingo, milhões de egípcios marcharam em todo o país, exigindo a saída do presidente. Os grandes protestos da oposição continuaram na segunda-feira, com ativistas invadindo e saqueando a sede da Irmandade Muçulmana no Cairo. A Irmandade Muçulmana é o grupo que apoia o presidente e cujos membros dominam o Parlamento.

Morsi se tornou o primeiro presidente eleito democraticamente, em 30 de junho de 2012, desde a era Hosni Mubarak, deposto após a revolta popular de 2011.

O presidente dos EUA, Barack Obama, que atualmente está em um giro pela África subsaariana, pediu a Morsi que respondesse às inquietações dos manifestantes. Obama "destacou que a atual crise só pode ser resolvida por meio de um processo político", disse a Casa Branca em comunicado.

Com BBC e agências

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