Posição é tomada enquanto Exército prepara plano para período pós-Morsi; mortos chegam a 23 desde domingo

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, descartou nesta terça-feira renunciar e pediu que o Exército retire o  ultimato de que vai intervir se ele não conseguir resolver suas diferenças com a oposição e acatar as demandas de milhões de manifestantes que reivindicam sua saída. A posição desafiante foi tomada enquanto a mídia estatal informava que o poderoso Exército do país já tem planos para um período pós-Morsi .

Segunda: Exército do Egito dá ultimato de 48 horas para acordo político

Opositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo
AP
Opositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo

Reação: Presidente rejeita ultimato militar e agrava crise no Egito

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Com as tensões em alta, três confrontos separados entre partidários e oponentes de Morsi deixaram sete mortos nesta terça no Cairo, de acordo com funcionários de segurança e de hospitais. A violência aumentou para 23 o total de mortos desde domingo, quando uma grande manifestação foi realizada para marcar um ano desde a posse de Morsi .

Em sua conta no Twitter, Morsi diz rejeitar todos os "ditames", sejam domésticos ou externos. "O presidente Mohammed Morsi afirma a sua adesão à legitimidade constitucional e rejeita qualquer tentativa de rompê-la e pede às Forças Armadas para retirar seu ultimato e rejeita qualquer ditame doméstico ou externo."

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O Exército afirmou na segunda que, se nenhum acordo for alcançado entre Morsi e seu oponentes, imporá sua própria agenda política para solucionar a crise. O prazo acaba entre as 16h e 17h de quarta-feira (entre 11h e 12h de Brasília).

Previamente nesta terça, Morsi já havia rejeitado o ultimato militar de 48 horas, dizendo que não foi consultado e seguirá seus próprios planos para a reconciliação nacional.

Helicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo
AP
Helicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo

A declaração de Morsi abre caminho para um grande confronto entre os partidários do presidente e os egípcios descontentes com o que veem como esforços para que sua Irmandade Muçulmana controle o país e como seu fracasso em apresentar reformas mais de dois anos depois da revolução que depôs seu autocrático antecessor, Hosni Mubarak .

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O vazamento do chamado plano político do Exército pareceu ter o objetivo de colocar mais pressão sobre Morsi ao mostrar ao público e à comunidade internacional que as Forças Armadas têm um plano que não envolve um golpe.

Escalada de tensões

Os manifestantes nesta terça voltaram-se para um novo alvo, formando uma grande multidão do lado de fora do palácio presidencial de Qasr el-Qobba, no Cairo, onde Morsi tem trabalhado em dias recentes, e preenchendo amplas avenidas do lado de fora de outro palácio, assim como a Praça Tahrir e as principais praças em cidades de todo o país.

Os partidários de Morsi também aumentaram sua presença nas ruas, depois que sua Irmandade Muçulmana e líderes islamitas linha dura os convocaram para defender o que consideram a legitimidade do primeiro presidente civil eleito em livremente no país . Dezenas de milhares participam de marchas no Cairo e em outras cidades.

Os partidários e opositores de Morsi prometem lutar até o fim. Temendo uma implosão que poderia levar o caos ao Egito, autoridades americanas disseram que Washington sugeriu a Morsi convocar eleições antecipadas, apesar de terem destacado que não reivindicaram passos específicos. Elas também afirmaram ter avisado ao Exército egípcio que um golpe teria consequências para o auxílio dos EUA ao país.

Exército dá ultimato a Morsi. Assista ao vídeo:

O Exército insistiu que não tem nenhuma intenção de assumir o poder. Mas a informação sobre o plano político mostrou que está pronto para substituir Morsi e realizar uma ampla mudança na instável estrutura política que evoluiu no país desde a queda de Mubarak, em fevereiro de 2011.

A Constituição e o domínio da Assembleia Nacional depois das eleições realizadas no final de 2011 e início de 2012 são as duas vitórias mais valiosas dos islamitas e da Irmandade - juntamente com a eleição de Morsi no ano passado.

Segundo o general reformado Hossam Sweilam, um painel de especialistas elaboraria o projeto de uma nova Constituição, com o governo interino sendo um conselho presidencial liderado pelo presidente da Suprema Corte Constitucional egípcia e incluindo o ministro da Defesa e representantes dos partidos políticos, de grupos de jovens, da Mesquita de Al-Azhar Mosque e da Igreja Copta.

De acordo com Sweilam, o Exército antevê um período de transição de um ano antes de realizar eleições presidenciais.

Veja imagens dos protestos no Egito:

Fissuras na liderança de Morsi

Três porta-vozes do governo - dois de Morsi e um do primeiro-ministro - foram os mais recentes a renunciar como parte de deserções do alto escalão que expuseram seu crescente isolamento. Cinco ministros de seu gabinete, incluindo o chanceler, renunciaram na segunda, enquanto o sexto, o ministro dos Esportes El-Amry Farouq, deixou o governo nesta terça.

O al-Nour, um partido salafista ultraconservador, também anunciou seu apoio a eleições antecipadas. A legenda anteriormente era aliada a Morsi, mas em meses recentes rompeu com ele.

*Com AP e Reuters

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