Plano do Exército egípcio prevê suspender Constituição e dissolver Parlamento

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Fontes dizem que plano entraria em vigor caso Morsi fracasse; opositores nomeiam ElBaradei como porta-voz

As Forças Armadas do Egito suspenderiam a Constituição e dissolveriam o Parlamento dominado por islâmicos, segundo um projeto de plano político a ser seguido caso o presidente islâmico Mohammed Morsi e a oposição liberal não cheguem a um acordo até quarta-feira (3), segundo informaram fontes do Exército à agência Reuters.

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AP
Helicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo

Morsi: Presidente rejeita ultimato militar e agrava crise no Egito

As fontes disseram que o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA) ainda discutia detalhes do plano, que tinha como intenção resolver a crise política que provocou as maiores manifestações no país desde a queda de Hosni Mubarak em 2011. O roteiro poderia ser modificado de acordo com os desdobramentos políticos e consultas.

O general Abdel Fattah El-Sissi anunciou em comunicado lido na TV estatal na segunda-feira que, caso os partidos não consigam deter a crise política em 48 horas, os militares interviriam no país. O Exército alertou que interviria se o governo e seus opositores fracassarem em prestar atenção "à vontade popular", mas nega que o ultimato signifique um golpe militar.

Tamarod: O movimento que quer saída de presidente do Egito

As fontes afirmam que o Exército pretende instalar um conselho interino, composto principalmente por civis de diferentes grupos políticos e tecnocratas experientes para governar o país até que uma constituição alterada seja elaborada em meses. A isso se seguiria uma nova eleição presidencial, enquanto a votação dos parlamentares seria adiada até que condições rigorosas para a seleção dos candidatos estivessem em vigor.

O novo plano político poderia ser modificado após consultas feitas com diferentes setores do Egito, segundo os militares. Entre as autoridades consideradas para chefiar o Estado interinamente estaria o presidente da Corte constitucional, Adli Mansour.

Mais: Exército do Egito dá ultimato de 48 horas para acordo político

Oposição e crise política

Agora, com o prazo para a intervenção se esgotando, os manifestantes que buscam a destituição de Morsi voltaram a pressionar o líder do país com uma nova demonstração de poder e união.

Exército dá ultimato a Morsi. Assista ao vídeo:

Partidos da oposição e o movimento jovem que está por trás das manifestações mais recentes concordaram que o líder reformista e prêmio Nobel Mohamed ElBaradei os representaria em quaisquer negociações sobre o futuro político do país.

Ao mesmo tempo, Morsi enfrenta fissuras internas no seu governo. Três porta-vozes renunciaram ao cargo em meio a deserções de alto nível, o que destaca o crescente isolamento do presidente do país, o primeiro eleito democraticamente após a queda de Mubarak.

Segunda: Manifestantes invadem sede da Irmandade Muçulmana no Cairo

Assista ao vídeo: Manifestantes atacam sede da Irmandade Muçulmana

Os policiais, que respondem ao Ministério do Interior, ficaram à margem dos protestos, se recusando até mesmo em proteger o escritório da Irmandade Muçulmana, que foi atacado e saqueado. O ministro do Interior colocou seu considerável peso político em apoio aos militares.

Segundo a página oficial de Morsi no Facebook, ele e o primeiro-ministro do país, Hisham Qandil, se encontraram mais cedo com o ministro da Defesa Abdel Fattah El-Sissi. Nenhum detalhe foi fornecido sobre a reunião. O encontro, entertanto, sugere esforços para resolver a crise, apesar do curto período de tempo dado e a praticamente nenhuma vontade política da oposição em aceitar qualquer ação, que não seja a renúncia de Morsi.

AP
Voluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo

A declaração do Exército, lida na segunda-feira na televisão estatal, colocou uma enorme pressão sobre Morsi para que ele renuncie e provocou celebrações entre os opositores ao presidente no Cairo. Mas também levantou preocupações dos dois lados da disputa de que o Exército poderia fazer o mesmo que fez em 2011 após a queda de Mubarak e assumir o poder.

Domingo: Protestos da oposição reúnem milhares no Egito

Morsi rejeitou um ultimato militar de 48 horas, dizendo em comunicado que não foi consultado e que seguirá seus próprios planos para a reconciliação nacional. Morsi disse que uma parte do comunicado "pode provocar confusão em um cenário nacional complexo". Ele prometeu manter-se fiel ao seu plano "nacional de reconciliação".

Uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores disse que os diplomatas de carreira Omar Amer e Ihab Fahmy renunciaram após cinco meses atuando como porta-vozes de Morsi. Na segunda, seis ministros do gabinete também se retiraram de seus cargos. Logo depois, a TV estatal divulgou a renúncia do porta-voz Alaa el-Hadidy.

Divisões

Ao menos 16 morreram nos confrontos entre partidários e opositores de Morsi desde domingo. O grupo rebelde Tamarod, que organiza os protestos, deu ao presidente até às 17h para renunciar ou ele enfrentaria manifestações ainda maiores e uma possível "desobediência civil total".

Cairo: Opositores e partidários do presidente egípcio marcham

Em um movimento simbólico, multidões acamparam na Praça Tahrir, local de nascimento da revolta de 2011, que derrubou Mubarak. Manifestantes se amontoaram ao lado de fora do palácio presidencial Ittahdiya, no subúrbio de Heliópolis.

Em toda a cidade, entretanto, partidários de Morsi continuaram com suas marchas, prometendo resistir a quaisquer tentativas de anular a eleição do ano passado, que deu espaço às vozes islâmicas nos assuntos políticos do Egito após anos de silêncio na era Mubarak.

Na segunda-feira, uma fila de cerca de 1,5 mil homens com escudos, capacetes e paus - utilizados para se proteger de confrontos - marchavam em estilo militar cantando: "A marcha islâmica está chegando."

No domingo, milhões de egípcios marcharam em todo o país, exigindo a saída do presidente. Os grandes protestos da oposição continuaram na segunda-feira, com ativistas invadindo e saqueando a sede da Irmandade Muçulmana no Cairo . A Irmandade Muçulmana é o grupo que apoia o presidente e cujos membros dominam o Parlamento.

Após morte de americano: EUA recomendam evitar viagens ao Egito

O presidente dos EUA, Barack Obama, que atualmente está em um giro pela África subsaariana, pediu a Morsi que respondesse às inquietações dos manifestantes. Obama "destacou que a atual crise só pode ser resolvida por meio de um processo político", disse a Casa Branca em comunicado.

Menina egípcia segura cartaz de durante protesto pró-Morsi neste domingo (7). Foto: APEgípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam slogans perto da Universidade do Cairo em Giza, Egito (6/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7). Foto: APManifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7). Foto: APManifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7). Foto: APManifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidários de Mohammed Morsi reagem a uma explosão de origem desconhecida e jogam pedras em delegacias durante protesto perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APSeguidor do presidente deposto do Egito Mohammed Morsi reza antes de manifestação perto da Universidade do Cairo (5/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (5/7). Foto: ReutersPartidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7). Foto: APPartidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7). Foto: APMembro da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam na praça da Mesquita Raba El-Adwyia no Cairo (4/7). Foto: ReutersMembros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7). Foto: ReutersSoldados egípcios são posicionados perto da Universidade do Cairo, onde milhares de partidários da Irmandade Muçulmana estão reunidos (3/7). Foto: APPartidária do presidente deposto Mohammed Morsi chora agarrada a seu retrato após anúncio de Exército egípcio (3/7). Foto: APFogos de artifício clareiam o céu enquanto milhares celebram queda de Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APManifestantes egípcios gritam palavras de ordem contra Mohammed Morsi na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente islâmico egípcio, Mohammed Morsi, celebram ultimato do Exército do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APOpositores do presidente deposto do Egito celebram do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam céu do Egito do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APFogos de artifício iluminam o céu após Exército do Egito anunciar a queda do governo de Mohammed Morsi do lado de fora do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APReprodução de vídeo mostra general Abdel-Fattah el-Sissi durante discurso à nação na TV estatal egípcia (3/7). Foto: APMilitar em tanque avança em torno de partidários do líder islâmico do Egito, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APEgípcio agita bandeira nacional enquanto militares cercam partidários do presidente islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7). Foto: APForças militares especiais marcham em torno de partidários do líder islâmico, Mohammed Morsi, em Nasser, Cairo (3/7)
. Foto: APManifestante contrário ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, agita bandeira nacional na Praça Tahrir no Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores ao presidente Mohammed Morsi colocam enorme bandeira egípcia em volta do palácio presidencial no Cairo (3/7). Foto: APPartidários do presidente egípcio, Mohamed Morsi, seguram fotografias suas durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia (3/7). Foto: ReutersDois manifestantes se abraçam durante protesto contra presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersPartidários do presidente egípcio seguram fotografias de Mohammed Morsi do lado de fora da Universidade do Cairo (3/7). Foto: ReutersManifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, se reúnem na Praça Tahrir, no Cairo (3/7). Foto: ReutersVista aérea mostra manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, na Praça Tahrir, Cairo (3/7). Foto: ReutersOpositores do presidente do Egito, Mohammed Morsi, seguram grande bandeira do país durante protesto do lado de fora de palácio presidencial no Cairo (2/7). Foto: APVoluntários formam zona de segurança entre homens e mulheres para evitar ataques sexuais em protesto contra Morsi na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APHelicóptero do Exército sobrevoa opositor ao presidente Mohammed Morsi enquanto ele agita bandeira do Egito na Praça Tahrir, Cairo (2/7). Foto: APPartidários de Mohammed Morsi seguram escudos improvisados em frente à mesquita Rabia el-Adawiya, perto do palácio presidencial, no Cairo (2/7). Foto: APMulher egípcia grita enquanto manifestantes invadem a sede da Irmandade Muçulmana no distrito de Muqattam, Cairo (1/7). Foto: APEgípcias comemoram ultimato de 48 horas dado por Exército ao presidente Mohammed Morsi e aos líderes da oposição no Cairo (1/7). Foto: APPartidários de President Mohammed Morsi fazem manifestação em Nasr, Cairo (30/6). Foto: APOpositora segura cartaz no qual lê-se: 'Tamarod: o fim da Irmandade Muçulmana' (30/6). Foto: APManifestantes egípcios se reúnem na Praça Tahrir durante manifestação contra presidente Mohammed Morsi (30/6). Foto: APOpositor agita tampas de panelas com os dizeres: 'Saia' (30/6). Foto: APManifestante segura cartão vermelho com a palavra: 'Saia' (28/6). Foto: APManifestante egípcia mostra palma da mão pintada com as cores da bandeira e em que se lê 'Egito' em protesto no Cairo (28/6). Foto: APManifestantes partidários do presidente Mohammed Morsi fazem marcha em Cairo (28/6). Foto: Reuters

Com Reuters e AP

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