Alegações dos EUA sobre uso de armas químicas são 'mentiras', diz governo sírio

Por iG São Paulo |

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Ministério das Relações Exteriores diz que comunicado sobre uso de armas químicas foi baseado em informações inventadas; grupo rebelde comemora anúncio dos EUA

O governo sírio desmentiu nesta sexta-feira (14) as alegações feitas pelos EUA de que o regime de Bashar al-Assad fez uso de armas químicas durante a guerra civil no país. Um comunicado divulgado pelo governo caracteriza as alegações da Casa Branca como "cheias de mentiras" e acusa o presidente Barack Obama de recorrer a invenções para justificar sua decisão de armar os rebeldes sírios.

Enquanto isso, o comandante do principal grupo rebelde comemorou o anúncio dos EUA. A decisão americana de começar a enviar armas aos rebeldes, apesar de os detalhes ainda não terem sido finalizados, marca um aprofundamento do envolvimento dos EUA na guerra civil síria. Ela acontece também em meio a recentes vitórias das forças de Assad, como a retirada dos rebeldes da cidade de Qusair, próximo à fronteira com o Líbano e a preparação de ofensivas contra Aleppo e Homs.

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AP
Foto divulgada na página do Facebook mostra presidente sírio, Bashar al-Assad, trabalhando em seu gabinete (13/06)

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Autoridades americanas afirmaram que o governo poderia fornecer aos rebeldes uma variedade de armamentos, incluindo armas pequenas, munição, rifles de assalto e uma variedade de armamento antitanque como granadas propelidas por foguetes e outros mísseis. Entretanto, nenhuma decisão final foi feita sobre quando e que tipo de armamento seria enviado aos rebeldes.

Os EUA anunciaram na quinta-feira que possuíam evidências conclusivas de que o regime de Assad usara armas químicas, incluindo o gás sarin (agente neurológico), em pequena escala contra forças da oposição. A Casa Branca disse que múltimos ataques químicos no ano passado deixaram até 150 mortos. Obama já havia dito diversas vezes que o uso de armas químicas cruzaria uma "linha vermelha", que desataria o envolvimento americano na crise.

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"A Casa Branca divulgou um comunicado cheio de mentiras sobre o uso de armas químicas na Síria baseado em informações inventadas", disse um comunicado divulgado na sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores da Síria. "Os EUA estão usando táticas baratas para justificar a decisão do presidente Barack Obama de armar a oposição síria."

Denúncias:
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O comandante do principal grupo apoiado pelo ocidente que luta na guerra civil síria disse que esperava que as armas sírias cheguem às mãos dos rebeldes em um futuro próximo, notando que isso melhoraria os espíritos dos combatentes no front. "Esperamos ter as armas e as munições que precisamos em um futuro próximo", disse o general Salim Idris à TV Al-Arabiya.

"Isto servirá certamente como um reflexo positivo na moral dos rebeldes, que é alta apesar das tentativas do regime, do Hezbollah e do Irã para mostrar que sua moral caiu depois da deterioração de Qusair", disse, se referindo à cidade próxima a fronteira com o Líbano.

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As forças de Assad, ajudadas por combatentes do grupo militante libanês Hezbollah, capturaram Qusair em 5 de junho, o que representou um forte golpe para os rebeldes que haviam conseguido controlar a cidade por cerca de um ano.

Desde então, o regime mudou sua atenção para recapturar outras regiões nas províncias de Homs e Aleppo. Os avanços do regime aumentaram a urgência das discussões dos EUA sobre o envio de armas aos rebeldes.

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A decisão ocorreu um dia depois que as Nações Unidas terem dito que cerca de 93 mil morreram na guerra civil da Síria, mas acredita-se que esse número seja muito maior. A Rússia, forte aliado de Assad, na sexta-feira, colocou as alegações do uso de armas químicas pela Síria contra os rebeldes.

O conselheiro do presidente Vladimir Putin para relações exteriores, Yuri Ushakov, disse aos repórteres que a informação fornecida por autoridades dos EUA para a Rússia "não pareciam convincentes".

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AP
Imagem fornecida pela rede de notícias Edlib mostra sírio dentro de sua casa destruída após ataque aéreo do regime de Assad em Idlib

Alexey Pushov, presidente do comitê de relações exteriores do Parlamento da Rússia, escreveu em sua conta no Twitter na sexta-feira que os "dados sobre uso de armas químicas por Assad foram forjadas no mesmo lugar, como a mentira sobre as armas de destruição em massa de (Saddam) Hussein".

Vice-conselheiro de segurança nacional de Obama, Ben Rhodes, disse que Obama planejava avançar o envio de assistência militar aos rebeldes sírios. Ushakov alertou que fornecer tal assistência poderia inviabilizar esforços para convocar uma conferência de paz na Síria. A principal coalizão da oposição já disse que não participaria.

Com AP

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