Conselho da ONU critica combatentes estrangeiros na Síria

Por iG São Paulo |

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Resolução pede investigação sobre abusos cometidos por forças de Assad e combatentes do libanês Hezbollah em Qusair; secretário-geral alerta que país está se desintegrando

Resolução aprovada nesta quarta-feira pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU reivindica uma investigação urgente sobre os supostos abusos cometidos por forças do regime de Bashar al-Assad e combatentes do grupo xiita libanês Hezbollah em Qusair, cidade Síria localizada perto da fronteira do Líbano, e pede mais acesso de ajuda humanitária e mais proteção aos civis.

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Reuters
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A resolução, aprovada em uma reunião de emergência em Genebra por 36 votos contra 1 (voto da Venezuela), foi proposta pelos EUA, Turquia e Catar com o objetivo de pressionar por mais prestação de contas, proteção de civis e acesso à ajuda humanitária. Outras oito nações no órgão de 47 membros se abstiveram, enquanto duas estavam ausentes.

O documento foi aprovado no mesmo dia em que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que a Síria está se desintegrando, conclamando apoio internacional a uma iniciativa russa-americana de levar o governo e a oposição à mesa de negociação. Ban afirmou que o conflito tem "profundas raízes políticas" e não será resolvido militarmente mesmo se as partes e alguns de seus partidários acreditarem que a solução militar é possível.

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"A Síria está desintegrando diante de nossos olhos", alertou em uma mensagem durante um encontro sobre Síria em Teerã, Irã. "O caos cria um terreno fértil para o radicalismo e ameaça cada vez mais a estabilidade regional."

O secretário-geral também deixou clara sua oposição ao envio de armas a quaisquer um dos lados do conflito e ao reforço militar promovido por grupos como o libanês Hezbollah. "Conclamo todas as partes a usar sua influência para ajudar a parar o fluxo de armas e para persuadir os grupos de fora a retirar combatentes da Síria", disse.

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Na Comissão de Direitos Humanos, a comissária Navi Pillay estabeleceu o tom do debate, dizendo que a guerra civil síria está "saindo do controle" e representa um fracasso para proteger os cidadãos contra crimes de guerra e crimes contra a humanidade que agora são uma ocorrência rotineira. "A mensagem para todos nós deveria ser a mesma: não apoiaremos esse conflito com armas, munições, política ou religião", disse.

O conselho, que é o principal órgão da ONU para direitos humanos, manteve vários debates urgentes, sessões especiais e outras negociações sobre a Síria desde o início do conflito, há mais de dois anos, que até agora produziram nove resoluções, mas elas tiveram poucos efeitos em diminuir a espiral de violência.

De acordo com Pillay, a recente introdução de combatentes estrangeiros na Síria, onde cruzam fronteiras para apoiar o governo e a oposição, acrescentou um novo elemento perigoso que está desestabilizando a região.

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"Condenamos o papel direto do Hezbollah nas hostilidades, papel que inflama as tensões regionais, escala a violência dentro da Síria e incita a instabilidade no Líbano", disse a embaixadora dos EUA Eileen Chamberlain Donahoe sobre o regime de Assad e seus aliados.

AP
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O embaixador sírio Fayssal al-Hamwi acusou o Catar e a Turquia de "ter um grande papel no banho de sangue na Síria" ao ajudar a recrutar extremistas jihadistas de mais de 40 países, e classificou a resolução de parcial e motivada politicamente.

'Assad no poder até 2014'

Enquanto a ONU discutia a crise Síria, o ministro de Relações Exteriores do país, Walid al-Moallem, insistiu que Assad continuará no poder até as eleições de 2014, podendo concorrer a outro mandato, termos que dificultarão que a oposição concorde em participar de negociações para pôr fim à guerra civil.

Moallem também afirmou que qualquer acordo alcançado em tais negociações teria de ser posto em referendo, impondo uma nova condição que poderia complicar os esforços dos EUA e da Rússia em pôr os dois lados no encontro em Genebra, possivelmente no próximo mês.

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Em uma entrevista à estação de TV libanesa Al-Mayadeen, o chanceler sírio também alertou que a Síria "retaliará imediatamente" se Israel atacar o território do país novamente. No início deste mês, aviões israelenses atingiram alvos perto da capital, Damasco, especificamente mísseis do Irã endereçados ao Hezbollah.

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Os comentários de Moallem destacaram a grande distância entre o regime e a oposição em relação aos termos das negociações de Genebra, o único plano da comunidade internacional para tentar acabar com o conflito civil. A oposição reivindicou que a saída de Assad do poder seja o principal item da agenda do encontro.

*Com AP

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