Regime sírio pode participar de negociações de paz, diz Rússia

Por iG São Paulo |

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Segundo Moscou, governo Assad concordou 'a princípio' comparecer a uma conferência proposta pela Rússia e pelos EUA que tem como objetivo por fim ao conflito no país

O governo da Síria concordou "em princípio" em participar de uma conferência proposta pela Rússia e pelos EUA para colocar um fim ao conflito no país árabe, informou o chanceler russo nesta sexta-feira. Essa foi a primeira confirmação de que o governo de Bashar al-Assad estaria disposto a participar das negociações com a oposição.

Apesar do anúncio feito por Moscou, um dos aliados mais firmes de Assad, Damasco não fez um comunicado definitivo em relação à proposta de diálogo. A Rússia e os EUA juntaram esforços no início do mês para convocar uma conferência internacional que conte com a presença do regime de Assad e da oposição na mesa de negociações.

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O objetivo das negociações seria estabelecer os parâmetros de um governo de transição como forma de sair da crise. Mais de 70 mil foram mortos e mais de 1,5 milhão se refugiou desde que a revolta contra Assad teve início em março de 2011 e tranformou-se em uma guerra civil.

O plano da Rússia e dos EUA, similar a um outro preparado no ano passado em Genebra, pedia por negociações sobre um governo de transição e um cessar-fogo. O anúncio de Moscou ocorre dias depois de diálogos entre o vice-chanceler sírio Faysal Mekdad e autoridades russas.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia Alexander Lukashevich disse à canais de TV nesta sexta-feira que o governo sírio "concordou em princípio" em participar da conferência em Genebra, que é esperada para daqui duas semanas.

"Notamos com satisfação que recebemos um acordo a princípio do governo sírio em Damasco para participar da conferência internacional, com interesse dos sírios, para encontrar uma solução política", disse Lukashevich.

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Ele acrescentou, entretanto, que é impossível definir a data da conferência nesse momento, porque não ficou "claro sobre quem falará em nome da oposição e que poderes eles terão".

Na Turquia, onde a Coalizão Nacional Síria faz uma conferência de três dias, um opositor expressou dúvidas sobre o anúncio de Moscou, questionando por que Damasco não tratou do assunto. "Nós apoiamos a iniciativa. Nosso medo é que o regime não vá negociar de boa fé. Gostaríamos de ouvir o suficiente de Damasco para saber se eles levam essas negociações a sério", disse Louay Safi.

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Os EUA, junto a aliados na Europa e em países árabes da oposição síria, disseram na quarta-feira que Assad deveria abandonar o poder no início do que seria um período de transição. A Rússia, entretanto, não fez um compromisso em relação à saída de Assad e o líder sírio afirmou que não renunciará antes do fim de seu mandato no ano que vem.

O secretário de Estado americano, John Kerry, reconheceu na quinta-feira as dificuldades em lançar negociações de paz. "Ninguém tem ilusões sobre quão difícil, complicado é", disse durante visita a Israel.

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Enquanto isso, os combates continuam a deixar mortos e feridos em todo o país nesta sexta-feira, e a mídia estatal informou que rebeldes dispararam morteiros na prisão central na cidade de Aleppo.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) disse que combates intensos também continuavam na parte oeste da cidade síria de Qusair, próximo à fronteira com o Líbano.

Forças do governo tentam retomar o controle da cidade desde domingo. A agência de notícias estatal Sana disse que tropas mataram "um grande número" de rebeldes nas últimas batalhas.

Com AP

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