Exército de Israel adverte Síria após troca de tiros nas Colinas do Golan

Por iG São Paulo |

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Soldados israelenses retaliam após disparos atingirem veículo militar no território de fronteira com a Síria, que adotou retórica mais dura após ataques aéreos de Israel

O chefe do Exército de Israel, general Benny Gantz, advertiu nesta terça-feira o regime de Bashar al-Assad, afirmando que o líder sírio "teria de lidar com as consequências" de quaisquer ataques adicionais contra as forças israelenses perto da fronteira síria. A advertência foi feita horas depois de um jipe israelense ter ficado sob fogo durante uma patrulha nas Colinas do Golan, que são controladas por Israel.

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AP
Soldado israelense trabalha sobre tanque em uma área nas Colinas do Golan, território controlado por Israel perto da fronteira síria

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A Síria alegou que destruiu um veículo israelense que cruzou a linha do cessar-fogo das Colinas do Golan durante a madrugada. O Exército israelense disse que o veículo teve poucos dano e que os soldados israelenses responderam com "fogo direto", mas sem dar mais detalhes.

Esse foi o mais recente em uma série de incidentes em que disparos e morteiros atingiram o Golan em semanas recentes. Israel acredita que a maior parte dos incidentes seja efeito colateral da guerra civil síria, mas que vários outros, incluindo o caso desta terça, sejam intencionais.

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Essa percepção foi fortalecida pelo fato de ser a primeira vez em que o Exército sírio reconheceu ter disparado contra soldados israelenses através da fronteira, no que pareceu ser uma tentativa do regime de Assad de projetar algum posicionamento depois de três ataques aéreos terem sido lançados por Israel perto de Damasco neste ano.

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"Assad encoraja e dirige a ampliação de diferenter operação contra Israel, incluindo as Colinas do Golan", disse Gantz em uma coletiva na Universidade de Haifa. Segundo ele, no incidente desta terça, a patrulha israelense foi alvo várias vezes de uma "posição síria claramente marcada", rejeitando as alegações sírias de que o veículo havia entrado em território sírio.

"Não permitiremos que as Colinas do Golan se tornem um espaço confortável de operação para Assad", disse Gantz. "Se ele deteriorar (a situação no) Golan, terá de lidar com as consequências."

Israel tem observado com cuidado a guerra civil síria, temendo que o conflito de mais de dois anos poderia ultrapassar suas fronteiras.

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Israel teme que Assad, em uma atitude de desespero, tente escalar as tensões na fronteira para atrair Israel e desviar a atenção de suas batalhas com os rebeldes que tentam depô-lo. O Estado judeu também tem medo de que as armas sofisticadas de Assad possam ser transferidas para os militantes libaneses do Hezbollah, que são apoiados pelo Irã, ou caiam nas mãos dos rebeldes, incluindo extremistas islâmicos vinculados à Al-Qaeda que estão em seus contigentes e que, acredita Israel, voltarão sua atenção ao Estado judeu após a queda de Assad.

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As tensões aumentaram entre Israel e a Síria em semanas recentes, particularmente depois dos ataques aéreos, que atingiram supostamente carregamentos de armas endereçadas ao Hezbollah. Israel não confirmou ter realizado os bombardeios. Os ataques marcaram uma forte escalada no envolvimento israelense na guerra civil síria e levantaram temores de que o conflito poderia se tornar uma guerra regional total.

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Síria prometeu retaliar, com Assad afirmando que seu país é "capaz de enfrentar Israel" e não aceitaria que Israel violasse sua soberania. Disparar contra alvos israelenses pareceu corresponder à retórica mais dura que se seguiu aos ataques.

Conferência de paz

Também nesta terça, o mediador da Liga Árabe-ONU, Lakhdar Brahimi, afirmou que o governo e a oposição da Síria estão se preparando para participar de uma conferência de paz. "O povo sírio está com grande esperança nessa conferência, uma vez que a oposição se prepara para participar, assim como o regime sírio", disse Brahimi. "A ONU trabalha para organizar a conferência da melhor forma possível."

As conversas devem ocorrer na cidade suíça de Genebra, em junho. O secretário de Estado americano, John Kerry, deve discutir os preparativos para a conferência em uma reunião na Jordânia na quarta-feira com o grupo de países "Amigos da Síria".

Brahimi disse que "há muitos problemas na preparação da conferência". "O primeiro é a formação das delegações do regime e da oposição", disse, acrescentando: "A conferência de Genebra é uma grande oportunidade, e esperamos que os irmãos na Síria e as partes regional e internacional cooperem para que tenha sucesso."

A oposição síria também deve se reunir em Istambul na quinta para anunciar sua posição, enquanto o comitê para a Síria da Liga Árabe terá um encontro no Cairo a pedido do Catar.

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