Choque em cidade síria mata 28 membros do Hezbollah, dizem ativistas

Por iG São Paulo |

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Combatentes do grupo xiita libanês lutam ao lado de forças de Assad para tentar retomar controle da estratégica Qusair, que fica a cerca de 10 km da fronteira do Líbano

Duros combates de rua nos arredores da síria Qusair, a cerca de 10 quilômetros da fronteira libanesa, mataram ao menos 28 membros de elite do grupo xiita libanês Hezbollah, disseram ativistas nesta segunda-feira, enquanto as forças do governo da Síria avançavam mais na estratégica cidade controlada pela oposição.

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De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com base no Reino Unido, que acompanha a guerra civil síria, mais de 70 combatentes do Hezbollah ficaram feridos nos confrontos nos arredores de Qusair. Se confirmadas, as baixas seriam um golpe significativo ao grupo apoiado pelo Irã, que ficou sob fortes críticas no Líbano por seu envolvimento no conflito do país vizinho.

Um forte aliado do presidente sírio, Bashar al-Assad, o Hezbollah está pesadamente empenhado na sobrevivência do regime de Damasco, e há informações de que enviou combatentes para ajudar as forças do governo. O crescente papel do grupo libanês no conflito também aponta para a natureza significativamente sectária na guerra na Síria, na qual uma rebelião liderada pela maioria sunita do país tenta destituir um governo dominado pela seita alauíta do presidente, um braço do xiismo.

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É quase certo que o cada vez maior envolvimento do Hezbollah no conflito sírio ameaçará a estabilidade no Líbano, que é amplamente dividido ao longo de linhas sectárias e entre partidários e oponentes de Assad.

O Observatório, que conta com uma ampla rede de ativistas em campo na Síria, citou "fontes próximas ao grupo militante" para o número de mortos, mas rejeitou revelar sua identidade. De acordo com o Observatório, ao menos 50 rebeldes sírios também foram mortos na batalha de Qusair no domingo, incluindo dois comandantes.

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Qusair tem sido alvo de uma ofensiva do governo em semanas recentes, e a área rural nos arredores da cidade foi envolvida em confrontos enquanto tropas do regime apoiadas por militantes do Hezbollah capturaram vilas ao mesmo tempo em que se aproximaram da própria Qusair. A oposição estima que cerca de 40 mil civis estejam atualmente na cidade.

A intensidade dos choques reflete a importância de ambos os lados vinculados à área. Nos cálculos do regime, Qusair fica em um corredor terrestre estratégico ligando Damasco à costa mediterrânia, área de controle alauíta. O ataque a Qusair parece ser parte de uma campanha das forças de Assad para consolidar seu controle sobre Damasco e proteger as ligações entre as capitais e redutos do governo no litoral, passando pela disputada cidade de Homs.

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Para os rebeldes, a Qusair majoritariamente sunita serviu como uma rota para o embarque de armas e suprimentos contrabandeados do Líbano para combatentes da oposição dentro da Síria.

O regime sírio alega que não há nenhuma guerra civil no país, mas que o Exército está combatendo terroristas apoiados por país estrangeiros que tentam depor o governo. Mais de 70 mil morreram na Síria desde março de 2011. Ao menos 1,5 milhão de sírios buscou abrigo em países vizinhos como o Líbano, Jordânia e Turquia, enquanto outros milhões foram desalojados dentro da Síria e necessitam de auxílio básico, de acordo com a ONU.

*Com AP e Reuters

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