Exército da Síria lança ofensiva perto da fronteira com Líbano

Por iG São Paulo |

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Segundo ativistas da oposição, ataques aéreos e disparos das tropas do regime deixaram 16 mortos em Qusair; em entrevista, Assad diz que não renunciará

O Exército da Síria lançou no domingo (19) uma ofensiva para retomar uma estratégica cidade que está sob controle dos rebeldes próxima à fronteira do Líbano, informou uma fonte do governo. Segundo ativistas, os ataques aéreos e disparos do governo contra cidade deixaram 16 mortos, incluindo combatentes da oposição.

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A cidade de Qusair, que abriga cerca de 200 mil residentes, foi sitiada há semanas por tropas do governo. De acordo com ativistas da oposição, membros do grupo militante libanês Hezbollah estavam participando dos combates ao lado das forças do presidente Bashar al-Assad na região. Durante o conflito, o Hezbollah tem sido um dos principais aliados de Assad.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) afirmou que a ofensiva em Qusair deixou 16 mortos, incluindo rebeldes. Entretanto, esse número de mortos deve subir à medida que a operação do Exército se intensifica.

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Ao telefone, uma fonte do governo em Qusair disse que as forças de Assad cercaram a cidade, reforçando três posições ofensivas ao seu redor, deixando libre uma "passagem segura para os civis que precisam fugir e para os terroristas armados que querem se render". "A ofensiva para libertar Qusair começou", disse à agência Associated Press.

Autoridades em Damasco não estavam disponíveis para comentar sobre a ofensiva. O governo de Assad e seus aliados negama existência de uma guerra civil no paós e culpam o conflito pela ação dos "terroristas" - termo para designar os combatentes rebeldes - apoiados por uma conspiração estrangeira.

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Qusair, perto da fronteira com o Líbano e 164 km distante da capital síria, é estrategicamente importante, porque liga Damasco com a costa oeste do país, onde os leais ao regime estão concentrados. Isso incui alauítas, seguidores de uma ramificação xiita a qual a família de Assad pertence. A rebelião cotnra Assad é, em grande parte, coordenada pela maioria sunita no país.

A ofensiva contra Qusair pode ser uma tentativa do regime de reconquistar o máximo de terrenos possível antes de concordar com quaisquer negociações com a oposição em meio a um recente esforço conjunto dos EUA e da Rússia para fazer com que Assad e seus opositores negociem um fim para a guerra civil. As tentativas anteriores para resolver o conflito pacificamente fracassaram.

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O plano da Rússia e dos EUA, semelhante a outro preparado no ano passado em Genebra, pede para que se dialogue sobre um groverno de transição e um cessar-fogo. Mais de 70 mil morreram e 1,5 milhão se refugiaram desde que a revolta contra Assad teve início em março de 2011.

No sábado, em entrevista ao jornal argentino Clarín, Assad afirmou que não renunciará antes das eleições e que os EUA não têm o direito de interferir nas políticas de seu país.

Os comentários de Assad ao jornal foram os primeiros sobre futuro político que ele faz desde que Washington e Moscou concordou no início do mês em tentar levar o regime e a oposição para uma conferência internacional para dialogar sobre uma resolução pacífica para o conflito. Os EUA e a Rússia apoiam lados opostos neste conflito.

"Dissemos desde o começo que qualquer decisão relacionada a essa reforma na Síria é uma decisão local síria", disse Assad. "Nem os EUA ou qualquer outro Estado tem permissão de intervir. Essa questão é tratada na Síria."

Com AP

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