Número de refugiados sírios passa de 1,5 milhão, diz ONU

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Na Rússia, secretário-geral da ONU faz apelo para rápida realização de conferência internacional para tentar solucionar conflito na Síria

Mais de 1,5 milhão de pessoas fugiu da Síria por causa da rápida deterioração das condições no país, disse nesta sexta-feira a agência da ONU para refugiados. De acordo com Dan McNorton, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) em Genebra, Suíça, o número provavelmente é ainda maior, explicando que "há preocupações de que muitos sírios não se registraram como refugiados".

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AP
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Desde o início do ano, o Acnur registrou cerca de 1 milhão de refugiados - ou 250 mil pessoas por mês. "O fato de que mais de 1,5 milhão se inscreveram ou tenham se encontrado com o Acnur, infelizmente, significa que o número real é muito maior", disse o Acnur em comunicado.

"Os refugiados nos dizem que o aumento da violência e a mudança de controle de cidades e aldeias, em particular em áreas de conflito, resultam em cada vez mais civis decidindo ir embora", disse. A maioria dos refugiados fugiu para os vizinhos Líbano e Jordânia, onde o Acnur contabilizou 470.457 e 473.587 refugiados, respectivamente, nesta semana. A população da Síria é de 23 milhões de habitantes.

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Dia 7: Rússia e EUA anunciam conferência internacional sobre Síria

Nesta sexta, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que uma conferência internacional de paz para a Síria deve ser realizada o mais rapidamente possível, em referência a um evento que ainda não tem data marcada e parece enfrentar crescentes obstáculos.

Líderes ocidentais se mostram cautelosos sobre a perspectiva de uma solução negociada para o conflito, e o desejo russo de incluir o Irã no processo pode complicar o processo por causa da possível oposição ocidental a tal envolvimento.

Além disso, o principal grupo oposicionista sírio já disse que a renúncia do presidente Bashar al-Assad seria uma precondição para o diálogo, posição que pode ou não ser confirmada na próxima semana.

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Rússia e EUA há dois anos se colocam em posições divergentes a respeito do conflito, o que inviabiliza qualquer ação do Conselho de Segurança da ONU para resolver o impasse. Mas o crescente número de mortos e as suspeitas de atrocidades cometidas por ambas as partes beligerantes, incluindo o uso de armas químicas, levaram Moscou e Washington a concordar sobre a necessidade de uma conferência de paz.

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"Não deveríamos perder o impulso", disse Ban sobre a proposta de reunir representantes do governo sírio e da oposição. "Há uma elevada expectativa de que essa reunião seja realizada assim que possível", acrescentou o dirigente, após reunião com o chanceler russo, Serguei Lavrov.

Lavrov concordou. "Quanto antes, melhor", afirmou na coletiva ao lado de Ban, que também se reúne nesta sexta com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O chanceler disse que Moscou considera que todos os países vizinhos à Síria, mais Irã e Arábia Saudita, deveriam participar da conferência, juntamente com as nações que já estiveram em uma frustrada conferência de paz em junho na Suíça.

Aquela reunião terminou com a decisão de que um governo provisório deveria ser instituído na Síria, mas os EUA e a Rússia discordaram sobre se isso implicava o afastamento de Assad do poder.

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Em declarações publicadas na quinta, Lavrov disse que o Ocidente deseja restringir o número de participantes da conferência, o que pode pré-determinar seu resultado. Também na quinta, os EUA disseram não estar excluindo ninguém, ao passo que a França manifestou oposição à participação iraniana.

*Com Reuters

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