Vídeo em que rebelde sírio arranca coração de soldado provoca indignação

Por iG São Paulo |

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Human Rights Watch identificou o autor do crime como Abu Sakkar, insurgente da cidade de Homs; coalizão opositora a Bashar al-Assad diz que rebelde será julgado

Um vídeo que aparentemente mostra um rebelde sírio arrancando e mordendo o coração de um soldado morto provocou forte condenação de grupos de direitos humanos e da própria oposição que luta para derrubar o governo de Bashar al-Assad. A Human Rights Watch (HRW) identificou o rebelde responsável pela mutilação como Abu Sakkar, um conhecido insurgente da cidade de Homs.

Segundo a organização com base nos EUA, as ações do rebelde configuram crime de guerra. A principal coalizão de oposição na Síria afirmou que ele seria levado a julgamento. O vídeo, que não pôde ser autenticado idependentemente, aparentemente mostra o rebelde cortando um coração de um soldado morto.

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AP
Um combatente do Exército Livre da Síria descansa em uma pilha de sacos de areia no campo de refugiados de Yarmouk, perto de Damasco

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"Juro por Deus, vamos comer seus corações e seus fígados, seus soldados de Bashar, o cão", diz o homem para companheiros fora de quadro no vídeo que aplaudem e gritam "Allahu akbar" (Deus é grande).

A Human Rights Watch disse que Abu Sakkar é líder de um grupo chamado Brigada Independente Omar al-Farouq. "A mutilação dos corpos dos inimigos é um crime de guerra. Mas a questão ainda mais grave é a escalonada muito rápida a uma retórica sectária e à violência", disse Peter Bouckaert, da Human Rights Watch.

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Ele disse que, na versão não editada do filme, Abu Sakkar instrui seus homens a "abater os alauítas e levar seus corações para comê-los", antes de ele próprio morder o coração.

A ONU estima que 70 mil foram mortos desde o início da revolta contra Bashar al-Assad em março de 2011. Muitos sírios deixaram o país para escapar da guerra e mais de um milhão estão registrados como refugiados segundo a ONU. Ao menos 300 mil estariam vivendo na Turquia.

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O conflito sírio estará no centro dos debates entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, hoje, em um resort no mar Negro. A Rússia se preocupa com a série de ataques israelenses contra alvos dentro do território da Síria, enquanto Israel, com os carregamentos de armas russas que chegam a Damasco.

No início do mês, o governo da Síria acusou Israel de bombardear instalações militares próximas a Damasco. Israel negou tecer quaisquer comentários, mas fontes ligados à segurança do país afirmaram que os ataques aéreos tinham como alvo um carregamento de mísseis iranianos que tinham como destino final o Hezbollah, grupo militante libanês.

Conferência de paz

A Síria afirmou nesta terça-feira que quer detalhes sobre a conferência de paz, promovida pelos EUA e pela Rússia, antes de decidir se participará. 

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O ministro da Informação sírio, Omran Zoabi, disse que a Síria saudou a proposta, mas disse que "não será de forma alguma uma festa...uma reunião que prejudique, direta ou indiretamente, a soberania nacional".

A saída de Assad é uma demanda da oposição desde que a revolta começou e os esforços de paz anteriores chegaram a um impasse também pela falta de definição sobre o futuro papel de Assad.

As declarações de Zoabi, que estão em linha com a política de longa data da Síria, reduziram as expectativas com relação à proposta da conferência que ainda deve ser acordada por ambos os lados envolvidos na guerra.

O ministro disse que a Síria quer uma solução política, mas que os esforços internacionais também devem tratar dos "terroristas", um termo que o governo sírio usa para se referir aos combatentes rebeldes.

Com BBC e Reuters

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