Síria enviará armas ao Hezbollah como reação a ataques de Israel, diz Nasrallah

Por iG São Paulo |

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Segundo líder do grupo libanês, Damasco fornecerá armamento estratégico em resposta a ataques do fim de semana que tiveram como alvo carregamento de mísseis avançados do Irã

A Síria fornecerá armas estratégicas ao Hezbollah, disse Hassan Nasrallah, líder do grupo militante libanês, nesta quinta-feira, menos de uma semana depois de ataques aéreos de Israel na área da capital Damasco terem tido como alvo carregamentos de avançados mísseis do Irã supostamente direcionados à organização.

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Israel indicou que responderá com ataques aéreos a quaisquer carregamentos de armas futuros, significando que rapidamente poderia se envolver na guerra civil síria se a declaração do líder do Hezbollah revelar-se mais do que uma ameaça vazia.

A tensão aumentou na região desde que Israel atacou alvos na sexta e no domingo. O Hezbollah e Israel travaram várias batalhas nas últimas três décadas, incluindo um conflito de 43 dias em 2006, que matou cerca de 1,2 mil libaneses e 160 israelenses.

Durante esse enfrentamento, o grupo libanês lançou 4 mil foguetes contra o norte de Israel, incluindo projéteis de médio alcance que pela primeira vez atingiram a terceira maior cidade do Estado judeu, Haifa. Os aviões israelenses destruíram amplas áreas no sul e leste do Líbano e o reduto do Hezbollah de Dahiyeh, ao sul de Beirute. Israel acredita que o grupo tenha agora dezenas de milhares de foguetes e mísseis, embora a maioria deles não tenha direção precisa.

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De acordo com uma autoridade israelense, os ataques do fim de semana tiveram como alvo os mísseis Fateh-110, ou Conquistador, que têm sistemas de direção precisos com melhor desempenho do que qualquer armamento que o Hezbollah tenha em seu arsenal. O Fateh-110 é um míssil balístico de curto alcance desenvolvido pelo Irã e primeiramente usado em 2002. A República Islâmica revelou uma versão atualizada em 2012 que melhorou a precisão da arma e aumentou seu alcance para 300 quilômetros. Eles teriam a capacidade de atingir alvos em Israel com poderosas bombas de meia tonelada.

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Desde que lançou um ataque aéreo em janeiro contra armas aparentemente endereçadas ao Hezbollah, Israel ficou à margem do conflito até as ações aéreas do fim de semana. Em janeiro, um funcionário americano afirmou que Israel atingiu caminhões perto do complexo militar de Jamraya que continham mísseis antiaéreos SA-17, de fabricação russa. O Exército sírio não confirmou que os bombardeios atingiram o carregamento de armas, apenas afirmando que aviões israelenses bombardearam o centro de pesquisa.

Enquanto o envolvimento de Israel vem sendo baixo, o do Hezbollah e do Irã se tornou cada vez maior por meio do fornecimento de soldados e conselheiros militares para ajudar o presidente Bashar al-Assad a combater os rebeldes armados que tentam destituí-lo.

Nasrallah falou nesta quinta para marcar o 25º aniversário de fundação da estação de rádio do Hezbollah, a Al-Nour, em um discurso televisionado em Beirute. O líder do Hezbollah raramente apareceu em público desde a guerra de 2006 pelo medo de ser alvo de Israel.

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Nasrallah disse que o grupo libanês pode esperar armas estratégicas da Síria no futuro. "A Síria dará à resistência armas especiais que nunca teve. Queremos dizer, que podem mudar o jogo." Segundo ele, o envio das armas seria uma resposta da Síria aos ataques de Israel. "Essa é a reação estratégica da Síria", disse Nasrallah. "Isso é mais importante do que disparar um foguete ou lançar um ataque aéreo", afirmou

Ele acrescentou que a aliança militar entre a Síria e o Hezbollah continuará. "Nós na resistência libanesa declaramos que apoiamos a resistência popular síria e damos nosso apoio material e moral e cooperamos e nos coordenamos com o objetivo de libertar o Golan sírio", disse. Israel capturou as Colinas do Golan da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e mais tarde anexou o platô estratégico.

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Requisitado a comentar as declarações de Nasrallah, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, disse: "Não respondemos a palavras. Respondemos à ação."

Mísseis russos para a Síria

Em um evento relacionado, autoridades de segurança de Israel disseram nesta quinta que pediram à Rússia para cancelar a venda iminente de um sistema de defesa aéreo avançado para a Síria. As autoridades disseram que Israel compartilhou informação com os EUA com a esperança de persuadir a Rússia a abrir mão do acordo planejado de fornecer mísseis antiaéreos S-300.

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Em Roma, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que a transferência desse tipo de sistema da Rússia para a Síria seria um fator "desestabilizador" para a segurança de Israel, sem comentar, porém, o que esse tipo de equipamento representaria para a guerra civil síria.

*Com AP

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