Turquia condena ataques aéreos de Israel na Síria

Por iG São Paulo |

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Para premiê, bombardeios dão oportunidade para que líder Bashar al-Assad encubra seus próprios crimes; grupo palestino afirma que regime sírio deu aval para ataque a Israel

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, condenou nesta terça-feira (7) os ataques aéreos israelenses contra alvos próximos a Damasco, afirmando que os bombardeios são uma oportunidade para que o presidente sírio, Bashar al-Assad, encubra seus próprios crimes.

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AP
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"O ataque aéreo de Israel realizado em Damasco é completamente inaceitável. Não há lógica, não há pretexto que possa desculpar essa operação", afirmou Erdogan em uma reunião parlamentar de seu partido. "Estes ataques são chances, oportunidades oferecidas em uma bandeja de ouro para Assad e para o regime sírio ilegítimo. Usando o ataque de Israel como uma desculpa, ele está tentando encobrir o genocídio em Banias."

Erdogan se referiu a Banias, uma cidade costeira da Síria, onde ativistas contrários ao governo disseram que combatentes aliados a Assad deixaram mais de 100 mortos no fim de semana.

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O governo de Israel não confirmou formalmente os ataques na Síria. Entretanto, autoridades israelenses disseram que os ataques aéreos na sexta-feira e no domingo não tinham a intenção de influenciar a guerra civil em seu país vizinho, mas apenas impedir que mísseis iranianos chegassem a militantes do Hezbollah libanês para um possível uso contra o Estado judeu.

Residentes e fontes da oposição disseram que os aviões israelenses atingiram tropas sírias de elite no vale do rio Barada, que flui através de Damasco, e na montanha Qasioun, com vista para a capital. Eles disseram que os alvos incluíram defesas aéreas, guardas republicanos e um complexo relacionado a armas químicas.

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O Líbano, que faz fronteira com Israel e Síria, também condenou os ataques aéreos e apelou ao Conselho de Segurança da ONU para condenar as violações de seu espaço aéreo por parte de Israel.

Militantes palestinos

O porta-voz de uma organização militante palestina disse nesta terça-feira (7) que Assad deu aval para que o grupo prepare mísseis para atacar Israel, em resposta aos bombardeios realizados no fim de semana.

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"Síria deu o sinal verde para preparar baterias de mísseis para atacar diretamente alvos israelenses", disse Anwar Raja do Frente Popular para Libertação da Palestina - Comando Geral (FPLP-GC), grupo com base em Damasco.

Segundo ele, autoridades afirmaram também à FPLP-GC que o grupo poderia realizar ataques inependentemente, sem consultar o regime.

Quando a revolta contra o regime de Assad teve início em março de 2011, a comunidade palestina na Síria não tomou partido no conflito. Mas conforme a revolta escalonou para uma guerra civil, muitos palestinos apoiaram os rebeldes, enquanto alguns grupos passaram a lutar ao lado do governo.

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Entre esses grupos está a FPLP-GC, uma pequena facção palestina em Damasco que os EUA designam como organização terrorista. O grupo, que no passado ganhou alguma notoriedade por ataques contra Israel, foi ofuscado por outras organizações como o Hamas e a Jihad Islâmica.

Com AP e Reuters

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