Assad diz que Síria pode enfrentar Israel; Rússia e EUA anunciam conferência

Por iG São Paulo |

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Em sua primeira declaração após ataques do fim de semana, porém, líder sírio evita ameaçar uma retaliação. Conferência internacional para paz na Síria ocorrerá no fim do mês

Em sua primeira resposta aos ataques aéreos lançados por Israel no fim de semana, o presidente sírio, Bashar al-Assad, disse nesta terça-feira que a Síria é capaz de enfrentar Israel, mas evitou ameaçar uma retaliação pelos bombardeios realizados perto da capital Damasco. A declaração de Assad, feita após encontro com o chanceler do Irã, Ali Akbar Salehi, foi feita no mesmo dia em que a Rússia e os EUA anunciaram a realização de uma conferência internacional no fim deste mês para tentar retomar o processo de paz sírio.

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O Irã, um dos aliados mais próximos da Síria, e o Hezbollah, um grupo islâmico libanês aliado de Assad e Teerã, tornaram-se cada vez mais envolvidos na guerra civil síria, apoiando o regime com combatentes, conselheiros militares e armas. A Síria e o Hezbollah têm sido essenciais para a expansão do Irã no mundo árabe, e um colapso do regime sírio seria um grande golpe para a República Islâmica.

"Estamos completamente confiantes de que a Síria sairá vitoriosa da crise", disse Salehi sobre a batalha de mais de dois anos travada entre forças leais a Assad e os rebeldes que tentam derrubá-lo.

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Entretanto, os ataques aéreos lançados por Israel na sexta e domingo colocam a Síria e o Irã em uma posição difícil porque, se retaliarem, correm o risco de atrair o poderoso Exército israelense para a guerra. Ao mesmo tempo, a falta de ação enfraquece ainda mais as já estremecidas alegações de Assad de que o líder do campo anti-Israel do mundo árabe.

Apesar de o governo israelense não ter confirmado oficialmente seu envolvimento nos bombardeios contra a Síria, autoridades israelenses disseram que os ataques tinham como objetivo impedir que armas avançadas do Irã chegassem ao Hezbollah, e não aumentar as tensões com a Síria.

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Israel tem se mantido amplamente à margem do levante contra Assad, que começou em março de 2001, transformou-se em uma insurgência armada e rapidamente evoluiu para um guerra civil.

Mas, nesta terça, Assad reiterou a acusação feita por seu governo durante o fim de semana de que Israel está apoiando "terroristas" - o nome dado por seu governo aos rebeldes contrários ao governo - e afirmou que a Síria era "capaz de enfrentar as ações de Israel". Ele não disse qual medida tomaria, se alguma.

Conferência internacional

Também nesta terça, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin (outro aliado do regime sírio), disse que realizarão uma nova conferência internacional no fim deste mês para avançar com um plano de transição elaborado no ano passado em Genebra.

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Em declarações em Moscou após encontro com Putin e outras autoridades russas, Kerry disse que o plano tem de ser um caminho para a paz, e não apenas um "pedaço de papel". Segundo ele, o objetivo ainda é realizar negociações diretas entre o regime de Assad e representantes da oposição para montar um governo interino. O plano de Genebra, que nunca entrou em ação, permitia a cada um dos lados vetar candidatos que achasse inaceitáveis.

Na Síria, rebeldes que tentam depor Assad detiveram quatro membros das forças de paz da ONU nesta terça em área que separa a Síria e Israel, aumentando as tensões entre os dois países poucos dias depois de o Estado judeu ter lançado os ataques aéreos perto de Damasco.

O sequestro é o segundo incidente desse tipo na área em dois meses e expôs a vulnerabilidade da missão de pacificação da ONU durante a guerra civil síria, que dura há mais de dois anos. Também enviou um preocupante sinal aos vizinhos da Síria - incluindo Israel - sobre a perspectiva de aumento da ilegalidade nas fronteiras compartilhadas.

*Com AP

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