Rebeldes sírios teriam usado armas químicas, suspeita investigadora da ONU

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Carla Del Ponte afirmou em entrevista que há 'fortes e concretas suspeitas, mas não provas irrefutáveis' do uso de gás sarin pelos opositores ao governo Bashar al-Assad

A ex-procuradora de crimes de guerra Carla Del Ponte afirmou a uma emissora de TV suíça que a comissão da ONU que investiga violações de direitos humanos na Síria possui indicações de que as forças rebeldes usaram gás sarin como arma. Del Ponte, ex- procuradora-geral que chefiava os tribunais da ONU, afirmou que as indicações foram baseadas em entrevistas com vítimas, médicos e hospitais.

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Carla Del Ponte é membro do painel de direitos humanos da ONU que investiga as acusações de crimes de guerra e outros abusos na Síria. Ela disse na entrevista transmitida no domingo a noite que os investigadores do painel possuem "fortes e concretas suspeitas, mas não provas irrefutáveis do uso de gás sarin, pela forma que as vítimas foram tratadas".

Ela afirmou que não há evidências que as forças do governo também usaram gás sarin como arma química.

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O governo sírio e os rebeldes trocaram acusações de uso de armas químicas recentemente. Os EUA e o Reino Unido afirmaram também terem encontrado evidências de que as forças do governo sírio usaram sarin. Em abril, o presidente Barack Obama pediu uma "investigação vigorosa", dizendo que o uso de armas químicas, se verificado, "mudaria o jogo".

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Autoridades do governo de Bashar al-Assad disseram que as acusações são falsas e não possuem credibilidade. Sarin é um gás incolor e inodoro que pode provocar parada respiratória e morte, e é classificado como uma arma de destruição em massa, banido pela lei internacional.

Tensão regional

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu contra uma escalada preocupante da situação na Síria depois do ataque de Israel a alvos próximos a Damasco, no domingo, tendo como alvo o que autoridades israelenses disseram ser mísseis iranianos relacionados a militantes do Hezbollah.

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Autoridades israelenses disseram que o ataque, o segundo em 48 horas, não estava ligado à guerra civil na Síria. Em vez disso, foi direcionado a impedir que o libanês Hezbollah, um aliado do Irã, recebesse armas que poderiam ser usadas para atacar Tel Aviv, caso Israel siga adiante com ameaças de atacar instalações nucleares iranianas.

O Irã nega as acusações israelenses e ocidentais de que se empenha em adquirir armas atômicas - uma longa disputa que agora ameaça se cruzar com a luta sangrenta na Síria. A ONU disse que Ban apelou a todos os lados "para agirem com senso de responsabilidade para evitar uma escalada do que já é um conflito devastador e altamente perigoso".

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Pessoas foram acordadas na capital síria por explosões que abalaram o chão e resultaram em chamas altas à noite. "A noite virou dia", disse à Reuters um homem a partir de sua casa em Hameh, próximo a um dos alvos, a base militar Jamraya.

O governo de Assad acusou Israel de ajudar efetivamente "terroristas islâmicos" da Al Qaeda e disse que os ataques "abriram a porta para todas as possibilidades".

Apesar da reação síria, autoridades israelenses disseram que, assim como após um ataque similar na mesma área em janeiro, calculavam que Assad não compraria uma briga com um vizinho bem armado por estar preocupado com sua sobrevivência em casa.

O senador republicano dos EUA John McCain disse no domingo que os ataques aéreos podem adicionar pressão sobre Washington para intervir na Síria, apesar de o presidente Barack Obama dizer que não tem planos de enviar tropas terrestres.

Com AP e Reuters

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