Painel da ONU recua e nega alegação de uso de gás sarin por rebeldes sírios

Por iG São Paulo |

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Grupo que investiga crimes de guerra diz não haver provas conclusivas de uso de armas químicas após membro afirmar haver indicações de utilização por opositores do regime

Um painel da ONU que investiga crimes de guerra na Síria disse nesta segunda-feira que não encontrou provas conclusivas de uso de armas químicas, distanciando-se das alegações de um de seus membros de que há indicações de que as forças rebeldes teriam usado o agente neurológico gás sarin.

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A comissão "deseja esclarecer que não alcançou descobertas conclusivas no que se refere ao uso de armas químicas na Síria por qualquer uma das partes do conflito", disse. A declaração surgiu depois de Carla Del Ponte, integrante do painel e ex-procuradora de crimes de guerra, ter afirmado em entrevista transmitida por uma emissora de TV suíça na noite de domingo que a comissão da ONU tinha indicações de que as forças rebeldes usaram gás sarin como arma.

Na entrevista, ela afirmou que os investigadores do painel possuem "fortes e concretas suspeitas, mas não provas irrefutáveis do uso de gás sarin, pela forma que as vítimas foram tratadas". Segundo ela, não havia indicações de uso da arma não convencional pelas forças do governo de Bashar al-Assad.

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Del Ponte afirmou que as indicações foram baseadas em entrevistas com vítimas, médicos e hospitais de campanha em países vizinhos, embora dúvidas tenham sido levantadas sobre sua afirmação pelo fato de o painel ter entrevistado em sua maioria refugiados que se opõem ao regime.

O presidente do painel, o diplomata e acadêmico brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, disse na declaração que a comissão "lembra todas as partes no conflito que o uso de armas químicas está proibido em todas as circunstâncias sob a lei humanitária internacional".

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Os EUA dizem haver novas evidências de que o regiem usou armas químicas. Washington afirmou que sua inteligência indica que a Síria usou o sarin em ao menos duas ocasiões, mas Obama fez a ressalva de que precisa de mais provas definitivas antes de tomar um decisão de como responder - e se tomará uma ação militar. Damasco nega o uso de armamento não convencional.

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O painel foi nomeado pela Comissão de Direitos Humanos da ONU, composta por 47 países, para compilar evidências sobre suspeitas de crimes de guerra e  outros abusos. Ele começou sua investigação em agosto de 2011.

O grupo não tem quase nenhum acesso ao terreno na Síria, apesar de no início deste ano ter dito que conduziu ao menos 1,5 mil entrevistas e corroborou suas descobertas exaustivamente com outras fontes.

As listas das pessoas suspeitas de violações dos direitos humanos sujeitas a processo judicial sob a lei internacional são mantidas em segredo. O próximo relatório do painel ao Conselho de Direitos Humanos da ONU será entregue em 3 de junho.

*Com AP

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