Sunitas fogem de área costeira da Síria após relatos de dois massacres

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Segundo ativistas, 4 mil fogem da cidade de Banias após ataques separados em bairro e em vila vizinha terem deixado um total de ao menos 117 mortos, incluindo crianças

Milhares de muçulmanos sunitas fugiram de uma cidade costeira síria neste sábado, um dia depois da circulação de relatos de que dezenas de pessoas, incluindo crianças, foram mortas em dois episódios separados por atiradores pró-governo na área, disseram ativistas.

Bayda: Oposição síria acusa governo de cometer massacre em vila sunita

AP
Presidente da Síria, Bashar al-Assad (D), visita universidade em Damasco

Sexta: Israel lança ataque aéreo contra carregamento de armas na Síria

Saiba mais: Veja o especial do iG sobre a Primavera Árabe

A violência aconteceu enquanto o pressionado presidente sírio, Bashar al-Assad, fez sua segunda aparição pública em uma semana na capital do país, Damasco. Além disso, autoridades israelenses confirmaram que Israel lançou um ataque aéreo na Síria, dizendo que a ação tinha como alvo o carregamento de mísseis avançados endereçados ao grupo militante libanês Hezbollah, um aliado do regime de Assad.

Esse foi o segundo ataque israelense deste ano contra a Síria e é a mais recente medida em seu esforço de longa data de impedir que o Hezbollah construa um arsenal capaz de defender-se da força aérea de Israel e de espalhar a destruição dentro do Estado judeu.

Nahum Sirotsky: Conflito sírio aumenta tensão de Israel com o libanês Hezbollah

A violência na região costeira síria destaca a natureza sectária do conflito de dois anos, que matou dezenas de milhares e forçou mais de 1 milhão de refugiados sírios para países vizinhos.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com base no Reino Unido, cerca de 4 mil fugiam do sul predominantemente sunita da cidade mediterrânea de Banias em meio a temores de que atiradores pró-governo "cometam um massacre".

Há informações conflitantes sobre o total de mortos em Banias na sexta. O Observatório disse que ao menos 62, incluindo 14 crianças, foram mortos em Ras al-Nabeh, um bairro em Banias, acrescentando que o número pode subir porque ainda há desaparecidos. Os Comitês de Coordenação Local, outro grupo ativista, apontaram 102 mortos.

Dia 25: EUA suspeitam de uso de armas químicas por Síria

Observatório disse que as forças de segurança estão verificando as carteiras de identidade das pessoas e pedindo que retornem a Banias para que a situação parece normal. Segundo o grupo, a maior parte dos que fogem se dirige às cidades de Tartus, no sul, e de Jableh, no norte.

A informação sobre o êxodo de Banias surgiu após ativistas afirmarem na sexta que tropas do regime e atiradores de áreas próximas alauítas - um ramo do islamismo xiita - mataram com armas, facas e objetos pontiagudos ao menos 50 na vila sunita de Bayda, perto de Banias, na quinta. Os assassinatos em Bayda atraíram uma ampla condenação enquanto gravações com corpos de crianças circulavam nas TVs e redes sociais.

Escalada: EUA consideram armar rebeldes sírios, diz secretário da Defesa

AP
Reprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria (03/05)

A crise síria, que começou em março de 2011 com protestos pró-democracia e mais tarde evoluiu para uma guerra civil, deixou estimados mais de 70 mil mortos e agora se divide em linhas sectárias.

A maioria sunita forma a medula da rebelião, enquanto a minoria alauíta, de Assad, ancora os serviços de segurança do regime e as corporações militares. Outras minorias, como os cristãos, amplamente apoiam Assad ou permanecem sem se posicionar, preocupadas que a queda do regime possa abrir caminho para um governo mais islâmico.

O regime até agora manteve um controle relativamente forte do território alauíta, localizado na região montanhosa ao longo da costa. A área é pontuada por vilas sunitas, mas elas são cercadas pelas maiores comunidades alauítas, então a revolta anti-Assad depara-se com mais dificuldades para tomar o controle dessa região.

*Com AP

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas