Oposição síria acusa governo de cometer massacre em vila sunita

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ativistas dizem que ao menos 50 foram mortos com armas, facas e objetos pontiagudos em Bayda, perto da costa mediterrânea

A Coalizão Nacional Síria, principal grupo de oposição sírio com apoio do Ocidente, acusou nesta sexta-feira o regime do presidente Bashar al-Assad de cometer um "massacre em larga escala" em uma vila sunita perto da costa mediterrânea, onde ativistas dizem que ao menos 50 foram mortos com armas, facas e objetos pontiagudos. A coalizão, cuja base fica no Cairo, conclamou a comunidade internacional a agir para proteger os civis sírios.

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AP
Reprodução de vídeo mostra corpos em Bayda, Síria

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As mortes em Bayda refletem os tons sectários da guerra civil síria. Escondida nas montanhas nos arredores da cidade costeira de Banias, a vila é primordialmente habitada por muçulmanos sunitas, que dominam o movimento rebelde do país. Mas ela é localizada em território da seita alauíta, de Assad, um ramo do islamismo xiita que é a base do regime.

Em um vídeo amador supostamente gravado após as mortes, os corpos de ao menos sete homens e meninos são vistos em poças de sangue no pavimento em frente de uma casa enquanto mulheres choram ao seu redor.

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"Não durma, não se move", apela uma das mulheres inclinando-se para tocar um dos homens, que já parecia morto. O vídeo parece genuíno e consistente com os relatos colhidos pela Associated Press na área.

A guerra amplamente dividiu o país ao longo de linhas sectárias, com a divisão se aprofundando em meses de banhos de sangue. Houve confrontos pesados em semanas recentes entre sunitas e xiitas por vilas perto da fronteira libanesa, onde os extremistas islâmicos nos contingentes rebeldes injetaram um fervor radical, frequentemente referindo-se a seus adversários com nomes que insultam suas seitas.

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O regime até agora manteve um controle relativamente forte do território alauíta, localizado na região montanhosa ao longo da costa. A área é pontuada por vilas sunitas, mas elas são cercadas pelas maiores comunidades alauítas, então a revolta anti-Assad depara-se com mais dificuldades para tomar o controle local.

Na manhã de quinta, houve um início de confrontos em Bayda e e, à tarde, soldados sírios apoiados por atiradores de vilas alauítas vizinhas invadiram o local, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com base no Reino Unido.

Eles incendiaram casas e usaram facas, armas e objetos pontiagudos para matar pessoas na rua, disse o grupo, que afirmou ter documentado os nomes de ao menos 50 mortos em Bayda. De acordo com o Observatório, há ainda dezenas de desaparecidos, com o número de mortos podendo chegar a cem.

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A agência de notícias estatal da Síria disse na noite de quinta que o Exército conduziu uma ação em Bayda, matando dezenas de "terroristas" e confiscando metralhadoras, rifles automáticos e outras armas. O governo se refere àqueles que tentam depor Assad como "terroristas".

Militares sírios ainda estão em Bayda nesta sexta-feira, conduzindo buscas casa a casa, de acordo com o diretor do Observatório, Rami Abdul Rahman. Ele acrescentou que os serviços de telefone e internet da vila foram cortados, impossibilitando verificar o número final de mortos ou conseguir outros detalhes sobre o que aconteceu.

Se confirmado, o banho de sangue em Bayda seria o mais recente em uma série de massacres na guerra civil da Síria. No mês passado, ativistas disseram que soldados do governo deixaram mais de cem mortos ao retomar o controle de subúrbios antes nas mãos de rebeldes em Damasco.

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