EUA consideram armar rebeldes sírios, diz secretário da Defesa

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Hagel é a 1ª autoridade a reconhecer possível mudança de estratégia de Washington. Para alguns, medida é preferível à intervenção militar em meio a sinais de uso de armas químicas

AP
Secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, fala durante coletiva no Pentágono (15/03)

O governo de Barack Obama está repensando sua oposição a armar os rebeldes que travam uma guerra civil com o regime sírio há mais de dois anos, disse nesta quinta-feira o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, tornando-se a primeira autoridade graduada americana a publicamente reconhecer a possível mudança de estratégia.

NYT: EUA podem reconsiderar armar rebeldes sírios enquanto Assad se agarra ao poder

Bastidor: Ajuda militar para rebeldes da Síria aumenta com 'empurrão' da CIA

Durante uma coletiva no Pentágono com o secretário britânico da Defesa, Philip Hammond, Hagel disse que armar os rebeldes era uma das opções que o governo está considerando em consultas com seus aliados. Hagel acrescentou que ele, pessoalmente, ainda não decidiu que se a medida seria sábia ou apropriada.

"Armar os rebeldes - isso é uma opção", disse. "Você observa e repensa todas as opções. Isso não significa que você faz isso ou fará. Não significa que o presidente tenha tomado uma decisão."

Hammond disse que seu país ainda estava atrelado ao embargo de armas da União Europeia imposto sobre a Síria, mas afirmou que o Reino Unido voltaria à questão novamente em algumas semanas, quando a proibição expirar, e tomaria uma decisão com base na situação em campo.

Ajuda: Envio de armas da Arábia Saudita para rebeldes sírios reflete nova abordagem

No ano passado: Envio de armas para rebeldes sírios beneficia radicais, dizem EUA

Os comentários de Hagel afirmaram o que tem sido um diálogo discreto, mas frequente, dentro do governo Obama: o de que armar os rebeldes pode ser preferível em meio às crescentes indicações de que o regime sírio usou armas químicas contra seu próprio povo, uma ação que o presidente Obama caracterizou no ano passado como uma "mudança de jogo" que teria "consequências enormes".

Dia 25: EUA suspeitam de uso de armas químicas por Síria

Coletiva: Obama sinaliza que não terá pressa para agir sobre armas químicas na Síria

Hagel e Hammond também indicaram que provas mais fortes ainda eram necessárias para oferecer a base legal para qualquer ação militar que possa ser adotada pelos EUA ou seus aliados. Embora nenhum dos dois tenha detalhado as evidências já coletadas em vários relatos de incidentes de armas químicas usadas pelo regime de Bashar al-Assad, Hammond afirmou que o público ainda se lembra das alegações de armas de destruição em massa no Iraque em 2003, que acabaram se revelando falsas posteriormente.

Vídeo: Jornalista britânico relata suposto ataque com armas químicas na Síria

Reuters
Membro de Exército Livre da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (02/04)

Sarin: Israel acusa governo Assad de usar armas químicas contra rebeldes sírios

Autoridades do governo americano disseram na quarta que armar as forças de oposição era visto como mais provável do que qualquer opção militar. Elas citaram impressões da Inteligência dos EUA de que os rebeldes podem estar se distanciando da organização alinhada à Al-Qaeda no país. Anteriormente, o medo era que as armas acabassem nas mãos de organizações jihadistas vinculadas à rede terrorista ou mesmo fossem desviadas para o grupo xiita libanês Hezbollah.

Na semana passada, o governo anunciou que acreditava que Assad havia usado armas químicas, com a ressalva de que as informações de inteligência sobre a questão ainda não eram definitivas. Damasco negou as acusações.

Desafio: Entenda métodos e empecilhos para identificar uso de armas químicas

NYT: Procedimentos complexos dificultam averiguação de uso de armas químicas

Outras opções militares sob discussão incluem criar uma zona de exclusão aérea sobre o país ou uma limitada zona de segurança em que os sírios pudessem escapar da violência. Há pouca vontade de pôr tropas terrestres americanas dentro da Síria, cuja guerra civil de dois anos deixou estimados 70 mil mortos e centenas de milhares de refugiados.

*Com AP

Leia tudo sobre: síriaeuaobamaassadarmas químicasmundo árabeprimavera árabe

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas