Após ataques, presidente da Síria faz rara aparição pública

Por iG São Paulo |

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Bashar al-Assad visitou uma estação de energia elétrica e conversou com trabalhadores um dia depois que um ataque deixou ao menos 14 mortos no centro de Damasco

O presidente da Síria Bashar al-Assad fez uma rara aparição pública nesta quarta-feira (1º) ao visitar uma estação de energia elétrica em Damasco no mesmo dia em que explosões atingiram o centro da cidade deixando 15 feridos, segundo notícia veiculada pela agência estatal do país.

De acordo com a agência Sana, as explosões foram provocadas por explosivos improvisados detonados na rua Khalid Bin Walid perto da praça Bab Mesalla. As bombas, de acordo com a agência, foram plantadas por "terroristas", termo que o governo usa para descrever os rebeldes que lutam para derrubar o líder da Síria.

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AP
Presidente da Síria, Bashar al-Assad, visita a estação de energia elétrica de Umayyad no Dia do Trabalho

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O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, organização ativista com sede no Reino Unido, entretanto, diz que as explosões em Bab Mesalla foram decorrentes de dois foguetes que caíram na região. Não houve nenhuma explicação sobre a discrepância das notícias veiculadas sobre as explosões.

Segundo o Observatório, a polícia isolou a praça Bab Mesalla, que possui restaurantes, lojas e uma estação de transporte público que liga Damasco às províncias de Daraa e Sweida, ao sul. Em outro incidente, o Observatório afirmou que uma bomba explodiu perto de uma delegacia na rua Khalid Bin Walid, ferindo diversas pessoas, inclusive crianças.

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A visita de Assad à estação de energia acontece um dia depois de uma forte explosão de bomba ter atingido a capital. Ao menos 14 pessoas foram mortas na explosão de terça-feira, a segunda a atingir o coração da capital em dois dias.

Imagens da televisão estatal da Síria mostram Assad conversando com funcionários em ocasião do Dia do Trabalho na Estação Elétrica de Umayyad. "Eles querem nos assustar, não vamos nos assustar... Eles querem que a gente viva clandestinamente, não viveremos clandestinamente", disse Assad a um grupo de trabalhadores que o cercava. "Esperamos que ano que vem, nessa mesma data, tenhamos superado a crise em nosso país."

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A televisão estatal mostrou Assad, confiante, usando um terno escuro, conversando com trabalhadores e os cumprimentando. Mais tarde, ele foi filmado cercado de funcionários em um jardim.

Enquanto isso, a Coalizão Nacional Síria, com sede na Turquia, em sua primeira resposta pública, rebateu o líder do grupo militante libanês Hezbollah um dia depois que ele afirmou que os rebeldes sírios não serão capazes de derrotar o Exército do regime de Assad.

Sheikh Hassan Nasrallah alertou que os "verdadeiros amigos" da Síria, incluindo grupos militantes apoiados pelo Irã, poderiam intervir do lado do governo se houver necessidade.

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A coalizão disse que esperava que o Hezbollah ficasse fora da guerra síria, e exigiu que o Líbano "controle suas fronteiras e impeça com urgência, usando todos os meios possíveis, as operações militares atribuídas ao Hezbollah em regiões próximas à fronteira síria".

Também culpou o regime de Assad por "destruir" locais sagrados para muçulmanos e cristãos.

O Hezbollah, um poderoso grupo muçulmano xiita, é conhecido por apoiar as forças do governo sírio em vilarejos xiitas próximos à fronteira do Líbano contra os rebeldes de maioria sunita que lutam para derrubar Assad. Mas os comentários de Nasrallah foram a indicação mais forte até o momento de que o grupo está preparado para intevir de maneira mais substancial do lado do regime sírio.

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"Vocês não serão capazes de tomar Damasco pela força e não serão capazes de derrubar o Exército do regime. Essa é uma longa batalha", disse Nasrallah para a oposição síria. "A Síria tem amigos de verdade na região e no mundo que não permitirão que a Síria caia nas mãos dos EUA, ou de Israel ou de Takfiris (extremistas religiosos sunitas."

O Hezbollah e o Irã são aliados próximos a Assad. Os rebeldes os acusam de enviar combatentes para ajudar as tropas sírias a conter a guerra civil contra Assad, que já dura dois anos. Segundo a ONU, o conflito deixou até o momento mais de 70 mil mortos.

Com AP

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