Entenda métodos e empecilhos para identificar uso de armas químicas

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Para comprovar acusação de EUA contra a Síria, são necessários exames médicos, testes de materiais em laboratório e entrevistas com sobreviventes

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Estados Unidos e Grã-Bretanha denunciaram nesta semana o possível uso de armas químicas na guerra civil da Síria, com a ressalva de que mais evidências são necessárias para comprovar a aplicação do tóxico gás sarin pela tropas do governo da Síria. Investigações sobre o suposto uso de armas químicas envolvem várias técnicas para coletar e analisar diferentes tipos de provas, explica Ralf Trapp, consultor em desarmamento internacional e especialista em armas químicas e biológicas.

Indício: Jornalista britânico relata suposto ataque com armas químicas na Síria

Defesa síria: 'Não precisamos de armas químicas para vencer guerra'

Reuters
Membro de Exército da Libertação da Síria segura arma em rua de Deir al-Zor (2/4)

São necessárias entrevistas com sobreviventes de supostos ataques e com outras testemunhas oculares, como socorristas e médicos que trararam as vítimas. Os inspetores precisam fazer exames médicos das vítimas e obter amostras biomédicas – urina ou sangue –, para buscar eventuais resíduos do agente químico ou de seus efeitos após o metabolismo do corpo, mesmo que tenha se passado algum tempo desde o incidente com armas químicas.

Trapp explica que investigadores coletam também amostras de pessoas e animais mortos. "Inspeciona-se o local onde o suposto ataque ocorreu para entender seu contexto e para buscar provas, como fragmentos de armamento que podem ainda estar contaminados", diz o consultor.

Entre as amostras recolhidas estão também as de solo, destroços ou vegetação que possa ter tido contato com os agentes químicos.

Laboratórios móveis
Algumas das análises químicas iniciais são feitas em um laboratório móvel de campo, ainda durante as investigações. Outras serão enviadas para análise sob rígidos protocolos, para proteger as amostras e garantir sua proteção. Nessa análise, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW, na sigla em inglês) – agência que implementa a Convenção de Armas Químicas – estabeleceu uma rede internacional de "laboratórios designados" altamente competentes, diz Trapp.

Contexto: EUA ficam em encruzilhada ao apontar possível uso de armas químicas

Esses laboratórios são frequentemente submetidos a testes, para garantir a qualidade de suas análises. No caso de denúncias de uso de armas químicas, dois ou três deles seriam selecionados para analisar amostras do local, bem como amostras de controle preparadas pelo laboratório da OPCW.

Dificuldades na Síria
Em casos como o do atual conflito na Síria, em que não há formas independentes de se checar informações, sempre será perigoso confiar em depoimentos de testemunhas, provas fotográficas e de vídeo e até mesmo em amostas enviadas para fora do país. Ainda que sintomas descritos em depoimentos sejam consistentes com os agentes químicos que parecem estar sendo usados, esse tipo de prova costuma deixar muitas questões sem resposta. Além disso, a análise de amostras é uma ferramenta poderosa para identificar qualquer agente químico utilizado, mesmo em pequenas quantidades, mas os resultados precisam ser lidos em contexto: será que a autenticidade da amostra foi confirmada e documentada? Será que a amostra foi protegida de qualquer interferência ou adulteração?

É exatamente por isso que analistas defendem que a equipe da ONU precisa ser autorizada a entrar em território sírio e possa conduzir uma investigação independente e profissional nas áreas onde armas químicas supostamente foram usadas.

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