Rebeldes sírios ameaçam Colinas do Golan, fronteira tênue entre Israel e Síria

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel |

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Não existe unidade entre rebeldes, que incluem desde xiitas, sunitas até a Al-Qaeda. Luta contra rebeldes chegou à fronteira com Israel, já atacada algumas vezes

Em meio às comemorações do Dia da Independência de Israel, que completou 65 anos, o chefe do Estado Maior do Exército israelense, Beny Gantz, concedeu coletiva na terça-feira em que pontuou as atuais ameaças ao Estado judeu.

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AP
Druso carrega retrato do presidente sírio, Bashar al-Assad, em que se lê 'Síria, Deus protege você', durante marcha na vila de Bukata, nas Colinas do Golan (17/04)

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Segundo ele, há pontos críticos no norte, como os riscos representados pelo grupo militar e político libanês Hezbollah e pelo conflito civil na Síria por meio das Colinas do Golan, local estratégico da região conquistado por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967). A fronteira tênue, respeitada por mais de 40 anos pelos governos israelense e sírio, está ameaçada pela aproximação dos rebeldes que tentam depor Bashar al-Assad.

Líder da Síria por 30 anos até o ano de 2000, o general Hafez Assad conseguiu evitar novos conflitos com Israel depois da Guerra de Yom Kipur (1973) e manteve as Colinas do Golan como reivindicação permanente de retorno. No seu tempo, foi talvez o mais inteligente chefe de governo do Oriente Médio. Ele representava a seita minoritária muçulmana alauíta, um ramo do xiismo. Membro do Partido Baath sírio, de esquerda, o mesmo de Saddan Hussein, no Iraque, governou o país com firmeza até morrer.

O filho mais velho de Hafez , Bassel, seria seu herdeiro, mas foi vitimado em acidente automobilístico. Bashar, o terceiro, foi educado na Inglaterra, estudou oftalmologia e assumiu o posto que seria do irmão. Hafez deixou no comando militar pessoas de sua confiança, fiéis a Bashar. Entre 1970 e 2000, houve várias tentativas de revoltas de seitas islâmicas na Síria, que foram contidas pelo governo.

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O conflito atual é um choque religioso e uma disputa de poder entre grupos. Não existe unidade entre os rebeldes, que incluem desde sunitas até a Al-Qaeda, ala extremista do sunismo, e xiitas. Após dois anos de conflito, as tropas de Assad, reagindo com determinação e crueldade, têm resistido com relativo sucesso.

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Vários líderes ocidentais, incluindo o presidente Barack Obama quando visitou Israel, opinaram que Bashar precisa deixar o poder pelos atos cruéis cometidos contra os rebeldes. Assad já foi condenado pelo ONU e não atrai a simpatia da maioria do mundo árabe, que não aceita a guerra civil. Mas ele possui grande reservas de armas químicas e biólogicas, de destruição em massa (sua única tentativa de construir bomba atômica foi destruída pela Força Aérea de Israel). A Síria é aliada e tem compromissos militares com o Irã. Não há exata clareza quanto ao poderio militar de Assad, mas há informações de que comprava armamentos americanos, chineses e russos.

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A grande preocupação do mundo Ocidental e dos vizinhos árabes é que, em ato de desespero, Assad recorra a essas armas para liquidar os rebeldes. O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, execrou o uso de armamento químico. Obama também prometeu retaliação. No momento, a luta contra rebeldes chegou à fronteira com Israel, já atacada algumas vezes.

Não se sabe exatamente a divisão de forças no país. Existe um governo paralelo rebelde, mas sem confirmação oficial. Apesar disso, Assad declarou na quarta que a situação dele é a melhor possível, com crescimento da economia síria no período. Ele também prometeu que os EUA pagarão um preço alto pelo apoio aos rebeldes.

Nenhum país manifestou intenção de entrar na Síria. A ONU designou uma tropa de paz levamente armada para manter separação entre Síria, Israel e Hezbollah, que controla o sul do Líbano. Assad diz que os rebeldes são sunitas fanáticos e desejam promover a Al-Qaeda e o Islã extremista.

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A presença da Al-Qaeda é conhecida, como de grupos extremistas diversos. Há grande receio do que acontecerá caso Assad seja deposto. Como não existe comando unitário, pode haver uma luta de poder entre rebeldes. "Quem vier depois de Assad será muito pior que ele, uma real ameaça à região", dizem alguns no meio diplomático.

A Síria faz fronteira com Israel, Jordânia, Líbano, Iraque e Turquia. Seu território tem cerca de 185 mil km². A incógnita de quem assumirá o poder, na hipótese de queda de Assad, preocupa os países da região por causa do arsenal de armas químicas e biológicas. Todos os Estados maiores de todas Forças Armadas dedicam-se a pensar estrategicamente para evitar possíveis conflitos. O israelense Beny Gantz tem plano de ação de defesa pronto.

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