Acusações de corrupção mantêm Mubarak preso apesar de ordem de soltura

Por iG São Paulo |

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Corte havia ordenado libertar ex-presidente por acusações relativas a novo julgamento sobre morte de manifestantes em 2011, mas caso de corrupção o mantém na prisão

Hosni Mubarak, que foi forçado a renunciar à presidência do Egito durante uma revolta popular em fevereiro de 2011, permanecerá sob custódia apesar de uma ordem judicial para libertá-lo, informou a agência de notícias estatal Mena.

Sábado: Juiz do caso Mubarak renuncia no Cairo

AP
Ex-presidente egípcio é levado de maca para julgamento que foi interrompido quando juiz desistiu do caso (13/04)

Janeiro: Corte do Egito ordena novo julgamento de Mubarak após apelação

A ordem de soltura se refere ao novo julgamento por sua suposta responsabilidade na morte de centenas de manifestantes no levante de 2011. Apesar disso, ele continua sob custódia por causa de novas acusações de corrupção.

Segundo a Mena, a decisão desta segunda-feira da Corte Penal do Cairo se segue ao pedido de Mubarak de ser solto depois de passar dois anos detido sem um veredicto final. Em janeiro, uma corte de apelações revogou uma sentença de prisão perpétua anunciada em junho contra ele, concedendo-lhe um novo julgamento.

No início do novo julgamento no sábado, o juiz do caso renunciou. Ainda não foi estabelecida uma nova data para a retomada do procedimento por uma outra corte. Houve cenas caóticas no sábado enquanto Mustafa Hassan Abdullah, juiz que presidia o caso, retirou-se com a justificativa de que se sentia "intranquilo" para supervisionar os procedimentos.

Além de Mubarak, seu ex-ministro do Interior Habib al-Adly também havia sido sentenciado à prisão perpétua por conspirar para matar manifestantes. Mas ambos conseguiram o direito a um novo julgamento.

Al-Adly, Mubarak e seus dois filhos, Gamal e Alaa, também serão julgados novamente por acusações de corrupção, das quais eles foram considerados inocentes da primeira vez.

Gamal e Alaa: Egito indicia filhos de Mubarak por uso de informação privilegiada

O ex-líder apresenta um frágil estado de saúde desde sua prisão e apareceu em uma maca durante seu primeiro julgamento e durante a audência de sábado. Na época do levante anti-Mubarak, a polícia foi amplamente responsabilizada pelas mortes, mas um relatório vazado na semana passada implicou o Exército em sérios abusos dos direitos humanos, incluindo morte e tortura de manifestantes.

O documento vazado, que teria sido apresentado ao presidente Mohammed Morsi no fim do ano passado, contém testemunho relacionado a civis detidos em postos de controle militares que nunca mais foram vistos e informações de que o Exército entregou corpos sem identificação a legistas. O ministro da Defesa do Egito, Abdel Fatah al-Sissi, negou as acusações, classificando-as como traição.

*Com AP e BBC

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