Al-Qaeda iraquiana anuncia fusão com facção rebelde síria

Por iG São Paulo |

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União entre o Estado Islâmico do Iraque e a Frente al-Nusra - que tenta depor o presidente Assad - aumenta dilema para nações que apoiam revolta síria, mas temem militância islâmica

A Al-Qaeda iraquiana anunciou sua fusão com um grupo islâmico da Síria que luta contra o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, tornando mais complicado o dilema para as nações que apoiam a revolta síria, mas temem a ascensão da militância islâmica.

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AP
Rebeldes da Frente al-Nusra, afiliada à Al-Qaeda, seguram sua bandeira no topo de helicóptero da Força Aérea da Síria na base aérea de Taftanaz, Idlib (11/01)

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Em uma mensagem de áudio de 21 minutos, o líder do autointitulado Estado Islâmico do Iraque, Abu Bakr al-Baghdadi, disse que seu grupo financiou células de combatentes da Frente al-Nusra desde os primeiros dias da rebelião síria, iniciada há dois anos.

No áudio e em nota divulgados em sites islâmicos, ele declarou que os dois grupos passariam a operar conjuntamente sob o nome de Estado Islâmico do Iraque e do Levante. "Agora é hora de declarar diante do povo do Levante e do mundo que a Frente al-Nusra não é senão uma extensão do Estado Islâmico do Iraque, e parte dele", disse Baghdadi.

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Segundo Baghdadi, o grupo iraquiano cede metade de seu orçamento para o conflito sírio. Ele também afirmou que o grupo sírio não teria um líder separado, sendo, em vez disso, liderado pela "própria população da Síria" - insinuando que ele estaria no comando em ambos os países.

Muitos governos ocidentais e árabes torcem pela derrubada de Assad, mas estão alarmados com o crescente poderio dos jihadistas sunitas, cuja ideologia ferozmente antixiita tem alimentado tensões sectárias no Oriente Médio.

A fusão formal de um grupo rebelde sírio de alta projeção com a Al-Qaeda provavelmente desatará preocupações entre os que apoiam a oposição e são inimigos da rede terrorista global, incluindo os países ocidentais e os Estados árabes do Golfo. A medida pode aumentar o ressentimento em relação ao Frente al-Nusra entre outras facções rebeldes, que até agora respeitaram os militantes do grupo por sua postura no campo de batalha, mas a fusão deve complicar qualquer esforço para envio de armas aos rebeldes a partir do exterior.

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A Frente al-Nusra, que é considerada pelos EUA como uma organização terrorista, confirmou a fusão no site al-Muhajir al-Islami - o emigrante islâmico. Esse grupo se tornou conhecido no ano passado, quando assumiu a autoria de vários atentados a bomba em Damasco e Aleppo, as duas principais cidades da Síria.

Ele disse que seu grupo mobilizou combatentes experientes e enviou verbas para células locais da Frente al-Nusra, como forma de preparar o terreno para uma rebelião armada - que surgiu a partir de protestos pacíficos contra Assad, iniciados em março de 2011. O dirigente afirmou que o vínculo não havia sido informado até agora por razões de segurança.

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Desde então, o grupo ampliou suas operações para toda a Síria, recrutando mais combatentes e assumindo um papel importante na captura de territórios no norte, sul e leste do país. Um de seus maiores ataques foi lançado em 4 de março, quando 48 soldados sírios foram mortos em uma emboscada bem coordenada depois de buscar refúgio através da fronteira do Iraque após confrontos com rebeldes no lado sírio da fronteira. O ataque aconteceu na Província de Anbar, oeste do Iraque, onde se sabe que a Al-Qaeda é ativa.

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Especialistas há meses diziam que a Frente al-Nusra recebia apoio de insurgentes ligados à Al-Qaeda no vizinho Iraque.

Em um editorial publicado nesta terça no Washington Post, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, alertou que uma "Síria controlado totalmente ou em parte pela al-Qaeda e suas afiliadas - uma situação que se torna mais provável a cada dia - seria mais perigosa para ambos os países do que qualquer outra coisa que tenha sido vista até agora".

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Autoridades iraquianas dizem que os grupos jihadistas compartilham três complexos de treinamento militar, além de logística, inteligência e armas enquanto se fortalecem ao redor da fronteira entre a Síria e o Iraque, particularmente em uma ampla região chamada al-Jazeera, que tentam transformar em um santuário que possa ser explorado por todos. A área poderia servir como base de operações para lançar ataques nos dois lados da fronteira.

*Com AP e Reuters

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