Presidente sírio está determinado a se manter no poder, diz Rússia

Por iG São Paulo |

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Soldados das forças de paz da ONU continuam detidos pelo terceiro dia; Programa Mundial de Alimentação planeja atingir 2,5 milhões de sírios até o mês que vem

O presidente sírio Bashar al-Assad "não está blefando" em relação à sua determinação em se manter no poder, afirmou o chanceler russo Sergei Lavrov nesta sexta-feira (8), enquanto a ONU faz esforços para libertar 21 soldados das forças de paz mantidos reféns há três dias pelos rebeldes do país árabe.

Também nesta sexta, o Programa Mundial de Alimentação disse que pretende alimentar 2,5 milhões de sírios até o mês que vem. Atualmente o programa consegue atingir 1,7 milhão de famintos. A necessidade por alimentos aumenta a medida que crescem os números de desabrigados e refugiados pela guerra civil no país.

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AP
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A revolta contra Assad teve início há dois anos, com protestos inicialmente pacíficos, mas que, rapidamente, escalonaram para uma guerra civil. Mais de 70 mil foram mortas de acordo com estimativas da ONU.

O conflito vive um impasse, com nenhum dos dois lados dispostos a fazer concessões, emobora os rebeldes tenham obtido uma série de vitórias militares estratégicas nas últimas semanas, como, por exemplo, a captura da capital da província de Raqqa, ao norte e o controle de um açude e outras bases militares menores.

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Lavrov afirmou em entrevista concedida a rede britânica BBC nesta sexta que o líder sírio está disposto a renunciar. Assad "não vai deixar a presidência", disse. "Sabemos disso com certeza, e todos que têm contato com ele sabem que ele não está blefando."

O chanceler acrescentou que a Rússia, aliado próximo da Síria, não pressionará Assad a renunciar. "Não cabe a mim decidir, não cabe a ninguém decidir, exceto o povo sírio", acrescentou.

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A oposição da Síria criticou o ocidente por não ajudar os rebeldes a se armar enquanto a Rússia e o Irã apoiam o regime com armamentos. No início dessa semana, o Reino Unido anunciou que forneceria veículos blindados e outros equipamentos aos rebeldes, mas não chegaria a enviar armamentos. O ocidente teme que, caso envie armas à oposição, elas acabem caindo nas mãos de extremistas islâmicos, que estão entre os opositores a Assad.

Na Índia, a assessora de Assad Buthaina Shaaban disse que a decisão do Reino Unido somente prolongará o conflito. Ela alegou que a maioria dos rebeldes possuem ligações com a rede terrorista Al-Qaeda e com grupos islâmicos conservadores.

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"O Reino Unido não deveria pensar que as atividades de terror promovidas por esses grupos na Síria não voltarão um dia para caçar a Europa ou o próprio Reino Unido", disse Shaaban, que está na Índia para buscar apoio para Assad.

Enquanto isso, o governo filipino tenta conseguir libertar 21 soldados da força de paz da ONU, todos das Filipinas, que foram capturados por rebeldes sírios na quarta-feira. Autoridades do governo inicialmente disseram esperar que as tropas da ONU fossem liberadas nesta sexta, mas os rebeldes exigem que as forças do regime primeiro saiam da região onde os observadores são feitos reféns.

Os integrantes da missão de paz da ONU foram levados perto do vilarejo sírio de Jamlah, localizado a um quilômetro das Colinas do Golan, controladas por Israel, onde uma força da ONU patrulha o cumprimento de uma linha de cessar-fogo entre Síria e Israel há quase quatro décadas.

Na sexta, rebeldes atacaram forças do regime no vilarejo de Abdeen, ao sul de Jamlah, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Helicópteros do regime bombardearam a área, segundo o grupo ativista. Os rebeldes aparentemente temem que o regime retome a região se os soldados filipinos forem libertados.

O ministro da Defesa filipino Voltaire Gazmin disse que o presidente Benigno Aquino 3º ordenou uma revisão das missões de paz do país. Um contingente de mais de 300 filipinos são parte da força da ONU conhecida como UNDOF. Filipinos também servem no Haiti e na Libéria principalmente.

O sequestro destacou potenciais complicações que o conflito da Síria pode acarretar. Israel se preocupa com a possibilidade de a revolta no país vizinho se espalhar para além de suas fronteiras.

Desde que o conflito teve início, cerca de 4 milhões de sírios foram forçados a deixar suas casas em decorrência do conflito, segundo estimativas da ONU. Isso inclui refugiados em países vizinhos e mais de 2 milhões que buscam abrigo dentro da Síria.

Com AP

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