Reino Unido envia blindados à oposição; Síria soma 1 milhão de refugiados

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Chanceler britânico anuncia fornecimento de equipamentos não letais; agência da ONU para refugiados afirma que Síria 'caminha para desastre em larga escala'

O Reino Unido anunciou nesta quarta-feira (6) que aumentará a ajuda para as forças da oposição da Síria, fornecendo materiais diversos, incluindo veículos blindados. Segundo o chanceler britânico, serão enviados milhões de libras em equipamentos "não letais", como ferramentas para comunicação e para a rede de eletricidade.

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AP
Refugiados sírios, que deixaram Idlib, olham pela janela de um ônibus enquanto atravessam a fronteira da Turquia (foto de arquivo)


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Hague disse que essa é uma resposta "necessária, proporcional e legítima" ao "extremo sofrimento humano" por qual passa o povo sírio. Segundo informou nesta quarta a agência de refugiados da ONU (ACNUR), um milhão de pessoas fugiram da guerra civil da Síria, aumentando a pressão sobre os países vizinhos que relutam em apoiar a oposição a Bashar al-Assad.

Com a proximidade dos dez anos da Guerra do Iraque, o parlamentar liberal-democrata britânico Menzies Campbell disse que muitos parlamentares estavam preocupados com a possibilidade de o Reino Unido se aproximar de uma intervenção militar na Síria. Embora não tenha descartado uma ação do tipo no futuro, Hague disse que: "nenhum governo ocidental está defendendo a intervenção militar de países ocidentais na Síria. O debate é totalmente voltado à questão da assistência que pode e deve ser entregue à oposição".

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O chanceler anunciou um pacote de 13 milhões de libras em apoio logístico e humanitário para áreas sob controle da oposição. O Reino Unido fornecerá veículos blindados - não de combate - para as forças anti-Assad para ajudá-los a se locomover com segurança e coletes à prova de balas. Outros materiais que estão sendo enviados incluem ferramentas de comunicações, bem como suporte para a eletricidade e abastecimento de água.

Refugiados sírios

Cerca de metade dos 1 milhão de refugiados são crianças, a maioria com menos de 11 anos, e o número de refugiados cresce a cada semana, acrescentou a ACNUR. "Com um milhão de pessoas em fuga, milhões de deslocados internamente, e milhares que continuam a atravessar a fronteira a cada dia, a Síria está caminhando para um desastre em larga escala", disse o alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, em um comunicado.

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"Estamos fazendo tudo o que podemos para ajudar, mas a capacidade de resposta humanitária internacional está perigosamente pressionada. Essa tragédia tem que ser interrompida", acrescentou.

Quase dois anos atrás, os sírios começaram a fugir do país quando as forças do presidente Bashar al-Assad começaram a atirar contra os manifestantes pró-democracia, incentivados pelos movimentos da Primavera Árabe. O levante, desde então, transformou-se em uma batalha cada vez mais sangrenta entre rebeldes armados, soldados do governo e milícias. Estima-se que o conflito deixou 70 mil mortos.

A ACNUR disse que o número de sírios deixando o país tem aumentado dramaticamente desde o início do ano, com mais de 400 mil - quase metade do total - desde 1º de janeiro. O comunicado acrescentou que os refugiados chegam traumatizados, sem posses e tendo perdido membros de suas famílias. A maioria fugiu para o Líbano, Jordânia, Turquia, Iraque e Egito, e alguns chegam ao Norte da África e Europa.

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O Líbano - o país mais próximo da capital síria, Damasco - é o menor dos vizinhos, mas recebeu a maioria dos refugiados. Incluindo trabalhadores sírios e famílias auto-sustentáveis, uma em cada cinco pessoas no Líbano é síria. O fluxo de refugiados no Líbano dobrou para 4,4 mil por dia nas últimas três semanas, informou a representante do ACNUR no Líbano Ninette Kelley à Reuters em uma entrevista.

Mas apesar das promessas de US$ 1,5 bilhão por doadores internacionais para um plano de resposta da ONU para ajudar os desabrigados da Síria, apenas 25% foram financiados, disse a ACNUR. Na Jordânia, os serviços de energia, água, saúde e educação estão sendo forçados ao limite, acrescentou a agência. A Turquia gastou mais de US$ 600 milhões com a criação de 17 campos de refugiados, com mais em construção.

Não há fim à vista para a guerra civil na Síria e potências internacionais estão divididas sobre como responder a isso. Rússia e Irã apoiam o seu aliado histórico Assad, enquanto os Estados Unidos e os países sunitas do Golfo apoiam a oposição. Tanto Damasco quanto a oposição disseram que vão considerar as negociações de paz, mas nenhuma reunião foi organizada.

Com BBC, AP e Reuters

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