Observadores da ONU são detidos por rebeldes sírios nas Colinas do Golan

Por iG São Paulo |

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De acordo com a ONU, 20 filipinos foram abordados por 30 homens armados; rebeldes acusam missão das Nações Unidas de beneficiar regime de Bashar al-Assad

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta quarta-feira (6) que cerca de 20 integrantes das forças de paz encarregados de monitorar um cessar-fogo entre Israel e as tropas da Síria nas Colinas do Golan foram detidos por, aproximadamente, 30 combatentes armados.

O porta-voz adjunto da organização Eduardo del Buey disse que os observadores da ONU estavam em uma missão regular nesta quarta quando foram abordados pelos homens armados próximo a um posto de observação.

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Reuters
Filipino das missões de paz para ao lado de um veículo da ONU que atravessa a fronteira de Israel com a Síria, nas Colinas de Golan


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Segundo Buey, o posto tinha sido danificado em consequência de um intenso combate e foi esvaziado no final de semana passado. Ele afirmou que a missão de paz da ONU, conhecida como UNDOF, enviou equipes para avaliar a situação na região e buscar uma resolução para a instabilidade.

Vídeos divulgados pelo Observatório Sírio para Direitos Humanos mostram supostos rebeldes sírios na cidade de Daraa detendo os integrantes da equipe da ONU.

Os rebeldes, segundo a ONU, acusam a missão de paz de ajudar o regime sírio a redistribuir territórios perto de Golan que os combatentes haviam tomado alguns dias atrás em batalhas que deixaram 11 combatentes e 19 militares leais a Bashar al-Assad mortos.

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O Observatório disse que os integrantes detidos pelos rebeldes são formados por 20 filipinos. Eles não serão soltos enquanto as forças do regime não forem retiradas de um vilarejo chamado Jamla.

As forças da ONU foram estabelecidas no local em 1974 após a Guerra do Yom Kippur em 1973 para monitorar a retirada das forças israelenses e sírias e garantir a manutenção do cessar-fogo. Israel capturou as Colinas de Golan da Síria em 1967 e o país árabe exigiu a devolução do território em troca de paz.

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon foi alertado das atividades militares na fronteira entre Israel e Síria como um resultado da intensificação do conflito sírio, que provocou a fuga de 1 milhão de pessoas e a morte de 70 mil.

Em dezembro, Ban acusou o governo sírio de violações ao acordo de separação acertado em 1974 e exigiu que os dois países parassem com os disparos na barreira do cessar-fogo. Ele também citou numerosos conflitos ente as forças de segurança sírias e rebeldes opositores na região. Em resposta, segundo ele, a UNDOF adotou uma série de medidas de segurança.

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Ajuda do Reino Unido

Também nesta quarta, o chanceler britânico, William Hague, anunciou que o Reino Unido vai fornecer veículos blindados à oposição síria. Segundo o ministro, serão enviados também milhões de libras em equipamentos "não letais", como ferramentas para comunicação e para a rede de eletricidade.

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Hague disse que essa é uma resposta "necessária, proporcional e legítima" ao "extremo sofrimento humano" por qual passa o povo sírio. Segundo informou nesta quarta a agência de refugiados da ONU (ACNUR), um milhão de pessoas fugiram da guerra civil da Síria, aumentando a pressão sobre os países vizinhos que relutam em apoiar a oposição a Bashar al-Assad.

Com AP

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