Corte do Egito suspende eleição parlamentar prevista para abril

Por iG São Paulo |

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Decisão abre batalha judicial que provavelmente aprofundará a polarização que já dura meses entre o presidente islamita Morsi e seus oponentes

Uma corte egípcia mergulhou em confusão o calendário das eleições parlamentares egípcias nesta quarta-feira ao ordenar a suspensão da votação prevista para começar em abril, abrindo uma batalha judicial que provavelmente aprofundará a polarização que já dura meses entre o presidente islamita Mohamed Morsi e seus oponentes.

Dia 26: Principal coalizão opositora do Egito boicotará eleições que começam em abril

AP
Manifestante egípcio ajuda homem ferido durante quarto dia de confrontos com a polícia em Port Said

Dia 21: Egito aprova nova lei eleitoral e convoca votação para abril

Na cidade de Port Said, no Canal de Suez, cenas de confrontos pesados entre manifestantes e a polícia que já deixaram seis mortos desde domingo se repetiram pelo quarto dia consecutivo nesta quarta. Manifestantes lançaram pedras contra uma polícia que lançava gás lacrimogêneo, enquanto soldados do Exército se esforçavam para manter os dois lados separados.

O Tribunal Administrativo do Cairo decidiu que o Parlamento de maioria islâmica deu andamento de forma inadequada a uma lei eleitoral sem permitir ao Supremo Tribunal Constitucional que a revisasse para verificar se respeitava a Constituição. Enquanto uma versão corrigida for revista pela corte constitucional, a eleição fica suspensa.

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O Egito está mergulhado na confusão política e na agitação desde o levante de 2011 que depôs o autocrata Hosni Mubarak. A principal coalizão opositora do Egito anunciou que boicotaria a votação, que deveria ser realizada em quatro etapas, de 22 de abril até o final de junho.

O último Parlamento egípcio foi eleito no fim de 2011 e início de 2012, mas foi dissolvido por uma decisão judicial em junho, deixando a então junta militar goverante com poderes legislativos. Morsi assumiu esses poderes em agosto e então os transferiu para a câmara alta conhecida como Conselho Shura em dezembro.

O gabinete de Morsi disse que, embora respeitasse a decisão judicial, apelaria da sentença, que foi dada enquanto o governo diz querer retomar as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um empréstimo de US$ 4,8 bilhões para sustentar as finanças do Egito.

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"Agora é provável que as eleições sejam adiadas, estendendo as incertezas políticas e atrasando ainda mais um possível acordo com o FMI em uma época em que restaurar a confiança na economia é necessário para evitar uma potencial crise econômica", disse Farouk Soussa, economista-chefe no Citi em Dubai.

"Os desafios econômicos do Egito estão se aprofundando dia a dia, enquanto os prospectos de lidar com eles parecem diminuir em um índice igualmente alarmante", disse.

É improvável que o FMI conceda o empréstimo enquanto houver distúrbios significantes e uma falta de qualquer forma de consenso político, disse Jason Tuvey, economista-assistente da Capital Economics em Londres.

*Com AP e Reuters

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