Rebeldes capturaram governador de província da Síria, dizem ativistas

Por iG São Paulo |

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Opositores fazem avanços em Raqqa e controlam redutos leais ao regime de Assad; população eufórica derruba estátua de pai de presidente na praça central da cidade

Rebeldes sírios capturaram o governador da província norte de Raqqa, que tem sido palco de combates entre opositores e forças leais ao presidente Bashar al-Assad nas últimas semanas. Os rebeldes conseguiram tomar o controle de alguns redutos do regime na região durante a noite e a madrugada desta terça-feira (5).

Os combatentes opositores conseguiram afastar as tropas do governo da maior parte de Raqqa, cidade com cerca de 500 mil habitantes localizada no rio Eufrates, na segunda-feira (4). Se a oposição conseguir controlar todo o território de Raqqa, se tornaria a primeira cidade inteira a cair em mãos rebeldes - uma perda simbólica para Assad.

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AP
Estátua do ex-presidente sírio Hafez Assad é derrubada na praça central de Raqqa, na Síria


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De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, organização ativista com sede no Reino Unido, combatentes capturaram o governador da província de Raqqa, Hassan Jalili, após batalhas durante a madrugada próximas ao gabinete do governo na capital provincial, que leva o mesmo nome. O Observatório afirmou que o chefe provincial do partido governista Baath também estava sob custódia.

O diretor do Observatório Rami Abdul-Rahman disse que Jalili é uma das principais autoridades a cair em mãos rebeldes desde o início da crise na Síria, há dois anos.

O Observatório disse que aviões de guerra do governo lançaram ataques em dois alvos na cidade, provocando um número de mortes que não foi contabilizado. Também registrou confrontos no extremo norte.

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Os rebeldes fizeram avanços na província de Raqqa nas últimas semanas, capturando o maior açude do país. No domingo, opositores ao regime invadiram a prisão central da cidade, e depois que os rebeldes varreram as forças do regime de grande parte da capital da província na segunda-feira, moradores eufóricos saíram em celebração na praça principal e derrubaram uma estátua de bronze do falecido pai de Assad, Hafez.

O conflito sírio teve início há dois anos como uma revolta popular contra o regime autoritário de Assad, mas logo escalonou para uma guerra civil à medida que rebeldes pegavam em armas para lutar contra a repressão do governo. As Nações Unidas estimam que mais de 70 mil pessoas foram mortas nos combates.

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A violência também destruiu muitas das cidades do país, obrigando milhares de sírios a procurar refúgio no exterior.

Educação deteriorada

A agência para infância da ONU informou em um comunicado divulgado nesta terça-feira que o conflito prejudica a educação de milhares de crianças sírias, e que 20% das escolas do país foram danificadas pela guerra ou estão sendo utilizadas como abrigos para refugiados.

"O sistema de educação da Síria está sofrendo com o impacto da violência", disse Youssouf Abdel-Jelil, representante síria para a Unicef. "A Síria sempre teve orgulho da qualidade de suas escolas. Agora, vê os ganhos feitos em anos serem rapidamente revertidos."

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Uma avaliação da Unicef realizada em dezembro determinou que 2,4 mil escolas foram danificadas ou destruídas e outras 1,5 mil estão sendo usadas para abrigar sem-teto, segundo informou a agência em comunicado.

Escolas em Idlib, Aleppo e Daraa, onde os combates têm sido particularmente intensos, estão entre as mais afetadas, e mais de 110 professores e outros funcionários escolares foram mortos e outros não aparecem mais para trabalhar.

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O derramamento de sangue também tem se espalhado para países vizinhos em várias ocasiões, aumentando os temores de que seja deflagrado um conflito regional. Na segunda-feira, homens armados mataram 48 soldados sírios que atravessaram a fronteira do Iraque para se refugiar.

Em Damasco, o vice-chanceler sírio Faisal Mekdad entregou ao embaixador da Rússia um homem que, segundo ele, era um jornalista alemão, Billy Six, que ficou detido depois de entrar no país ilegalmente.

Mekdad não deu detalhes nem disse como Six foi parar nas mãos do regime. Ele estaria trabalhando para uma publicação semanal alemã, que publicou artigos assinados por Six na Síria durante o mês de novembro.

Com AP

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