Principal coalizão opositora do Egito boicotará eleições que começam em abril

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Decisão da liberal e secular Frente de Salvação Nacional provavelmente aprofundará crise política e prejudicará ainda mais a problemática economia do país

A principal coalizão opositora do Egito anunciou nesta terça-feira que boicotará as eleições parlamentares marcadas para ter início em abril, decisão que provavelmente aprofundará a crise política do país e prejudicará ainda mais sua problemática economia. Convocadas inicialmente para 27 de abril, a votação foi antecipada para ter início em 22 de abril.

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O boicote é um protesto contra uma lei eleitoral que, diz a coalizão, favorece a Irmandade Muçulmana, do presidente Mohammed Morsi, aumentando as chances de uma vitória esmagadora dos islâmicos na votação. Numa tentativa de minar a legitimidade da eleição para a câmara baixa do Parlamento, a liberal e secular Frente de Salvação Nacional (NSF, na sigla em inglês) disse que não pode haver eleições sem uma lei que garanta uma eleição livre e justa.

O anúncio da NSF em uma coletiva televisionada foi feito poucas horas antes do início de um "diálogo nacional" convocado pelo presidente para encontrar formas de assegurar "transparência" e "integridade" à votação.

O principal líder da Frente, Sameh Ashour, que também chefia o sindicato dos advogados do Egito, anunciou a decisão e disse que a coalizão também boicotaria o diálogo desta terça. "Dizemos a Morsi, dialogue consigo mesmo. Dialogue com seu partido", afirmou. "A população egípcia não aceitará um diálogo que é imposto."

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Convocadas por Morsi no último fim de semana, as eleições começarão em abril e transcorrerão em quatro estágios por um período de dois meses. O último Parlamento egípcio foi eleito no fim de 2011 e início de 2012, mas foi dissolvido por uma decisão judicial em junho, deixando a então junta militar goverante com poderes legislativos. Morsi assumiu esses poderes em agosto e então os transferiu para a câmara alta conhecida como Conselho Shura em dezembro.

A oposição havia pedido que Morsi pusesse fim à crise política nacional antes de convocar eleições para evitar que a crise do país ficasse ainda pior. Ela quer um governo "neutro" para substituir o liderado pelo islamita Hesham Kandil e que medidas sejam tomadas para assegurar a independência do Judiciário.

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A oposição também se opõe a uma lei eleitoral que foi adotada neste mês pelo Conselho Shura, argumentando que ela favorece os islamitas, particularmente a Irmandade Muçulmana, de Morsi.

*Com AP e Reuters

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