Morteiros atingem estádio em Damasco e matam jogador de futebol

Por iG São Paulo |

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Segundo jogadores que testemunharam ataque, Youssef Suleiman, 19 anos, morreu após ser levado ao hospital; este é o segundo ataque na capital em menos de dois dias

Dois morteiros explodiram perto de um estádio de futebol no centro de Damasco nesta quarta-feira (20) deixando um jogador morto e alguns feridos, informou a agência estatal de notícias da Síria.

O ataque de morteiros foi o segundo em poucos dias na capital do país. Na terça-feira, dois explodiram perto de um dos palácios do presidente Bashar al-Assad, causando apenas danos materiais.

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AP
Jogadores do time Al-Wathbah reagem após ataque de dois morteiros em estádio de futebol de Damasco, Síria


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Apesar de não ter deixado mortos ou feridos, o ataque de terça foi o primeiro ocorrido perto de um palácio presidencial, outro sinal de que a guerra civil está se aproximando do coração da sede do poder de Assad e em regiões da capital, antes consideradas seguras.

A agência de notícias Sana disse que os morteiros disparados nesta quarta em um complexo habitacional no estádio Tishrin e um hotel ao lado dele, no distrito central de Baramkeh. Alguns jogadores estavam treinando no estádio no momento do ataque.

Também de acordo com a Sana, o jogador de futebol morto era do time Al-Wathbah Esporte Clube de Homs. Ele foi ferido enquanto estava dentro do hotel com alguns jogadores, se preparando para o treino e morreu depois, no hospital.

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O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma rede ativista com sede no Reino Unido, também registrou a morte do jogador de futebol.

Os jogadores do Al-Wathbah que testemunharam o ataque identificaram o colega morto como Youssef Suleiman, de 19 anos, artilheiro do time. Eles afirmaram que o rapaz era pai de um bebê de seis meses.

Segundo os jogadores, os morteiros caíram em frente do hotel Tishrin perto do estádio onde os jogadores normalmente se hospedam, e destruíram algumas janelas de prédios.

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O ataque atingiu o local poucas horas antes do time jogar uma partida contra o Al-Mawaair, de Hama, como parte de uma liga nacional. "Estávamos guardando nossas coisas para ir ao estádio quando ouvimos a primeira explosão e as janelas estouraram", disse o jogador Ali Ghosn, 20 anos. "Youssef foi atingido no pescoço. Corremos para o corredor quando a segunda explosão ocorreu e eu vi Yousseff caído com sangue em seu pescoço."

Ali disse que Suleiman morreu pouco depois de chegar ao hospital. Três outros ficaram feridos, um deles em estado grave. Assad vem tentando mantes sua imagem de líder de um Estado organizado, enquanto os rebeldes chegam cada vez mais perto de Damasco.

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A capital vinha sendo poupada da violência que deixou outras cidades do país em ruínas. Por semanas, entretanto, os rebeldes estabeleceram redutos nos subúrbios e estão pressionando para o interior de Damasco pelo leste e pelo sul.

A revolta contra o governo de Assad teve um início pacífico em março de 2011, no contexto da Primavera Árabe, mas logo escalonou para uma guerra civil quando opositores e desertores do Exército pegaram em armas para combater as forças de segurança do governo. Estima-se que quase 70 mil sírios foram mortos no conflito.

Líbano

Paralelamente, um juiz do Líbano pediu a pena de morte a um ex-ministro libanês ligado às forças sírias por supostamente estar por trás de atentados no país.

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Michel Samaha é acusado, juntamente com o chefe de segurança da Síria, Ali Mamlouk, de "transportar explosivos da Síria para o Líbano em uma tentativa de assassinar líderes políticos e religiosos no país", segundo a cópia da acusação formal obtida pela agência de notícias AFP.

Samaha, que atualmente é membro do Parlamento do Líbano, foi preso na capital do país, Beirute, em agosto do ano passado, enquanto Mamlouk permanece em liberdade.

A prisão do ex-ministro surpreendeu o Líbano, onde a coalizão que governo o país inclui tradicionais aliados da Síria.

Com AP e BBC

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